CLIPPING: Estado de Minas – 10/09/2009

De volta para o futuro

Destinado ao público jovem, festival indie convoca Milton Nascimento e Lô Borges ao palco

Mariana Peixoto

Lô Borges já ouviu falar, conhece um pouco da história do evento, mas Milton Nascimento não disfarça: até ser informado por um jornalista pernambucano, não tinha o menor conhecimento de que na próxima semana participará do show de encerramento do Coquetel Molotov. Entre os festivais de maior porte que são realizados no país, o pernambucano é, de longe, o mais indie. Nas cinco edições anteriores, apresentou alguns grupos alternativos até mesmo para os fãs dos alternativos. Majoritariamente, o elenco de atrações é formado por jovens artistas.

Esta edição, que começa segunda-feira e vai até o dia 19, marcou duas bolas dentro: as noites do principal palco (o Teatro Guararapes, o maior daquele estado, comporta 2,3 mil pessoas) serão fechadas por atrações que vão além do chamado público indie. Dia 18, o show será da banda norte-americana Beirut, que vem fazendo a turnê mais concorrida deste mês, com ingressos esgotados no Rio, São Paulo e Salvador. Sábado, Lô e Milton, 37 anos depois do lançamento do clássico Clube da esquina, encontram-se no palco pela segunda vez este ano.

O show, na verdade, é de Lô. Com sua banda – Giuliano Fernandes (guitarra), Barral (teclados), Robinson Matos (bateria) e Renato Valente (contrabaixo) –, ele vai apresentar o apanhado de seus trabalhos mais recentes. Com Milton serão oito canções, do repertório de 20. Com a entrada de Bituca, a banda ganha mais peso, pois serão mais uma guitarra (Wilson Lopes) e outra bateria (Lincoln Cheib, ambos instrumentistas que acompanham o cantor).

O convite nasceu depois do evento que, em abril, levou vários artistas do Clube para temporada no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Milton e Lô subiram ao palco pela primeira vez em quatro anos. A boa repercussão fez surgir a oportunidade no Coquetel Molotov. Outros shows da nova velha dupla vêm sendo agendados para os próximos meses.

Tocar para jovens plateias está longe de representar novidade para os dois. Mas Lô admite: é a primeira vez que ele participa de um festival do gênero. “Meu público já tem muita gente nova, mas festival mesmo, com o perfil do Coquetel Molotov, nunca havia feito”, diz ele, que, com a passagem dos anos não mudou seu gosto musical. Continua ouvindo rock inglês: “Radiohead, Coldplay, Travis e até mesmo Oasis.” Milton afirma que, depois de lhe explicarem do que se tratava o show no Recife, gostou muito da ideia. “Se tem gente da França e da Suécia, então está dentro da minha vida. Ocorre que o Clube da Esquina está mexendo com mais gente hoje do que na época em que foi lançado. Os dois discos duplos remasterizados (Clube da Esquina e Clube da Esquina 2, de 1972 e 1978, restaurados por João Marcello Bôscoli e relançados no fim de 2007) foram para o mundo inteiro. Tem um monte de gente procurando e até mesmo estudando a gente”, comenta o compositor.

Trata-se de gente que, por sinal, nem havia nascido no início da década de 1970. E de gente, relata Milton, que vive muito longe do Brasil e, por causa dos discos, interessou-se em conhecer a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Bairro Santa Tereza, em BH. “Principalmente japoneses e noruegueses”, informa. Mas, nesse reencontro, as músicas estão diferentes das gravações originais. “A nova banda deu sotaque diferente às canções antigas, unificando e modernizando, por exemplo, Girassol da cor do seu cabelo e Para Lennon e McCartney”, diz Lô. Na quarta-feira, músicos das duas bandas vão ensaiar o repertório conjunto. Milton não vem a Belo Horizonte para o ensaio.

Antes do reencontro em abril, Lô havia participado, em 2005, de um show de Milton em Paris. “Como é um cara que tem mais público do que eu, o normal seria ele me convidar. E o Milton, gentilmente, aceitou ser meu convidado. Achei humildade dele participar do meu show”. Milton, por seu lado, devolve a gentileza: “Sempre fui aberto para coisas novas – não só no Brasil, mas também no exterior. Fazer esse show me dá uma felicidade dobrada, pois o Lô é um dos caras de quem mais gosto.” Quanto a reproduzir o álbum inteiro de 1972 no palco, sonho de muita gente, Milton pisa no freio: “Por enquanto, está bom desse jeito. É melhor cantar apenas algumas músicas.”

Mix de canções - Das oito músicas que Lô e Milton vão cantar juntos, cinco são do álbum Clube da esquina (Cais, Nuvem cigana, Nada será como antes e Um girassol da cor do seu cabelo, além da canção que batizou o disco, a primeira parceria entre os dois). O repertório conta ainda com Resposta (Samuel Rosa e Nando Reis), gravada por Lô e Milton no álbum Crooner (1999); Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio e Lô Borges), gravada pela dupla em 2003 (Milton, no álbum Pietá; Lô, em Um dia e meio); e Para Lennon e McCartney, essa a primeira composição de Lô (parceria com Márcio Borges e Fernando Brant) que Milton registrou em seu disco de 1970. No dia 19, também será lançado, no Recife, o livro Coração americano – 35 anos do álbum Clube da Esquina, organizado por Andreá Estanislau.

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2 comentários

  1. Aninha disse:

    QUE LINDO!

  2. Man on the Moon disse:

    Que foto é essa ?? Dois garotos ! Lô então, nem se fala! Gravatinha e bigodin….

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