Vestir-se de arte. Esta é a proposta do LI.TER.ATO que vai sortear um kit especial para quem acertar a pergunta: Que país tem seu ano celebrado no Brasil em 2009? Este país ganhou uma linha de camisetas belíssima do LI.TER.ATO. Outra dica: no festival No Ar 2009, três atrações representam a música deste país. Deixe sua resposta neste post com nome e email. O kit, composto por uma caixa de cartões com ctações exclusivas de Manoel Affonso de Mello, uma caixa de cartões com estampas inéditas de Victor Moreira feitas a mão na decada de 60 e 70, uma camiseta da linha 01 em português e uma camiseta da Linha France você retira no primeiro dia do festival (18/09), no stand do LI.TER.ATO na Feira Cultural, no Centro de Convenções de Pernambuco.
Festival começa com oficinas, debates e filmes

A partir desta segunda (14/09), tem início o festival No Ar Coquetel Molotov no Recife. Em sua programação há espaço para workshops, debates, filmes, feira cultural e muitos shows. No total, 20 atrações se apresentam ao vivo no festival, sendo que quatro delas encerra cada dia de eventos da Plataforma Integrada de Encontros Musicais, que ocorre em Peixinhos e no Recife Antigo.
A programação começa no Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos pela parte da manhã com oficinas voltadas ao aprimoramento de técnicas musicais e artísticas, bem como a capacitação de pessoas da própria comunidade na realização de eventos. A cada dia, a partir das 10h, especialistas da área da música apresentam oficinas gratuitas em espaços do local.
Pela tarde, o festival vai até o Recife Antigo e Santo Amaro onde se divide entre a Torre Malakoff e o Teatro Apolo. O primeiro espaço abriga workshops sobre temas como produção musical de palco, música eletrônica, tecnologias para instrumentos e aparelhos analógicos, a partir das 15h, para pessoas que se inscreveram por email. Neste mesmo horário, em Santo Amaro, na sede do projeto Link Cultural, acontecerão reuniões com grupos e artistas que se inscreveram por email para receber consultoria de imagem e divulgação de seus trabalhos em âmbito profissional.
A partir das 16h, é hora do Teatro Apolo receber uma programação especial de filmes com a Mostra Play The Movie. Composta por documentários e filmes de ficção de temática musical, a mostra é gratuita e vem apresentando ao público recifense alguns títulos inéditos na cidade e premiados internacionalmente. É o caso de “Jards Macalé: Um morcego na porta principal”, vencedor do festival In-Edit 2009 e o documentário “Loki”, consagrado no Cine Fest Petrobras NY.
Entre as sessões de cinema no Teatro Apolo, a Plataforma Integrada promove debates com artistas, produtores e jornalistas enfocando temas diferentes, que envolvem tanto a produção musical por computador como ainda recortes da história da música recifense. E encerrando a noite, acontecem pocket-shows, a partir das 20h30 de cada dia, com os grupos Dunas do Barato (PE), Tigre Dente de Sabre (SP), A Banda de Joseph Tourton (PE) e O Garfo (CE).
PROGRAMAÇÃO
CENTRO TECNOLÓGICO DE CULTURA DIGITAL
NASCEDOURO DE PEIXINHOS
OFICINAS
Segunda – 14/09 – 10h
Captação e gravação de som em Home Studio
Instrutor: Homero Basílio (Estúdio Das Cavernas)
Terça – 15/09 – 10h
Reconfigurando e amplificando instrumentos musicais
Instrutor: Neilton, Adriano e Gilson (Alto Volts)
Quarta – 16/09 – 10h
Técnicas de desenho e sombreamento com lápis e carvão
Instrutor: Adriano Maraca
Quinta – 17/09 – 10h
Organizando eventos com noções de cooperativismo
Instrutores: Aline Tatiane e Henrique Caçapa
TORRE MALAKOFF
WORKSHOPS
Segunda – 14/09 – 15h
Upgrade para bandas
Instrutor: Iuri Freiberg
Terça – 15/09 – 15h
Música eletrônica em processo de criação e edição
Instrutor: William Paiva (Mr. Mouse)
Quarta – 16/09 – 15h
Pesquisando e construindo novas tecnologias musicais
Instrutor: Neilton, Adriano e Gilson (Alto Volts)
Quinta – 17/09 – 15h
Aparelhos analógicos na construção de música digital
Instrutor: Etienne Jaumet (Zombie Zombie)
TEATRO APOLO
MOSTRA PLAY THE MOVIE / DEBATES / POCKET-SHOWS
Segunda – 14/09
16h – FILME: Novos Baianos FC (Brasil, 1976 – 35 min) | Ave Sangria: Sons de gaitas, violões e pés (Brasil, 2008 – 20min)
17h30 – DEBATE: Ave Sangria – 35 anos e a repercussão do movimento Udigrudi | Com José Teles e Marco Polo
18h30 – FILME: Jards Macalé: Um morcego na porta principal (Brasil, 2008 – 78 min)
20h30 – Pocket-show com Dunas do Barato (PE)
Terça – 15/09
16h – Rockers (Jamaica, 1978 – 100 min)
17h30 – DEBATE: Música computadorizada e novas possibilidades sonoras | Com Marcos Leite e Ricardo Brazileiro
18h30 – LOKI (Brasil, 2008 – 120 min)
20h30 – Pocket show com Tigre Dente de Sabre (SP)
Quarta – 16/09
16h – Flaming Lips: Christmas on Mars (EUA, 2008 – 83 min)
17h30 – DEBATE: Construção de paisagens sonoras: Produção e composição de trilhas | Com Tomaz Alves e Yuri Queiroga
18h30 – RUÍDO DAS MINAS: A ORIGEM DO HEAVY METAL EM BELO HORIZONTE (Brasil, 2009 – 86 min)
20h30 – Pocket-show com A Banda de Joseph Tourton (PE) e projeção do filme “Fantastic Planet”
Quinta – 17/09 – 15h
16h – Electroma’s Daft Punk (França, 2006 – 89 min)
17h30 – DEBATE: Do teclado ao palco: Música eletrônica ao vivo | Com DJ Dolores e William Paiva
18h30 – GUIDABLE: A VERDADEIRA HISTÓRIA DO RATOS DE PORÃO (Brasil, 2009 – 101 min)
20h30 – Pocket-show com O Garfo (CE)
CLIPPING: Jornal do Commercio – 13/09/2009
Ex-Exus faz terrorismo experimental
Luís Fernando Moura
Os Ex-Exus nunca foram exatamente orixás, não frenquentam terreiros nem fazem cerimônia. Esta banda pernambucana, com menos de um ano de história, gosta mesmo é do terrorismo e do disfarce – certamente, vão para o inferno. À vontade no quarto, depois das 22h (ou mascarados, entre escombros, ao meio-dia?), eles contam ao JC o que os levou a ser a banda de abertura do festival No Ar Coquetel Molotov, no dia 18. Ao que parece, é a ambiguidade de ser banda e coletivo faz-tudo que os colocou no topo (bem baixinho) do Auditório Tabocas, no Centro de Convenções.
“Foi Caetano (Veloso) quem inventou o nome. Apenas fazemos uso dele”, diz João Marcelo Ferraz, baixista do grupo. Ao que tudo indica, Caetano citou a expressão em referência ao programa de TV Abertura, em que Glauber Rocha se aventurava como entrevistador. “Ele interrompia o entrevistado, dava gargalhada quando achava a resposta fraca, e uma vez entrevistou um homem que se dizia ex-exu. Era puro terrorismo audiovisual”, diz João, antes o autor de diversos vídeos produzidos junto ao coletivo TV Primavera – que terminou virando músico.
Ricardo Maia Jr., Cacá, guitarrista e vocalista, tem uma teoria adicional para o batismo. Ex-integrante da Comuna, que acabou no começo do ano, lembra de quando o grupo fez uma parceria com Jomard Muniz de Brito – a banda tinha abandonado o antigo nome, Comuna Experimental. “Jomard tirava onda e dizia que éramos a Comuna Ex-Experimental”, conta.
Os Ex-exus são mais ou menos como uma cacofonia. “Tem essa coisa tropicalista que a galera gosta e levamos para a música. Temos isso de aceitar a nojeira, o ruído, o mal feito. Já somos experimentais apenas por fazer música em português, claro. Mas a gente gosta de fazer uma música meio mixtape, que tem hardcore, brega, de repente uma cumbia e então um rock and roll meio grunge”, diz Cacá. O que os une, continua, é ouvir de tudo, sem preconceito. João afirma que é de jazz a Exaltasamba.
“Eu, Amaro (Mendonça) e Bruno (Freire) tocávamos na Comuna. Quando ela foi acabando, a gente tava querendo montar uma coisa menos cabeçuda, mais burra. Começamos a tocar com apenas duas guitarras e bateria, então sentimos falta de um baixo e chamamos João”, afirma Cacá. Aí começou o desenlace. Amaro fala em seguir o Cidadão Instigado (“É uma banda que todo mundo gosta, é o que a gente busca”). João, em montar um Animal Collective (“Sem dúvida, a banda mais citada pelos quatro”). Quer dizer, lembra de novo: “Também tem Caetano…” O primeiro produto disso tudo, o EP Terroristas freelancers, é uma miscelânea musical suja, mas sofisticada – para a saúde de todos, indefinível.
Na prática, a música trouxe um quê do Abertura de Glauber. “Hoje, a gente acaba fazendo mais vídeo que show”, conta Cacá. É que o grupo passou a produzir um volumoso material audiovisual, peças de divulgação que ganharam importância autônoma (são produtos à parte). Além dos seus próprios videoclipes, a banda publica uma série intitulada Ex-Exus entrevistam, versão YouTube de um terrorismo jornalístico que investiga músicos pelo mundo afora. A última jogada é um projeto de videoaulas, em que o grupo, pacientemente, ensina o público a executar suas canções.
“Acabamos não sendo uma banda, nos vemos mais como um coletivo. Na verdade, o Ex-Exus é uma referência de produção. A questão é que o princípio de tudo são as composições, a música”, explica Cacá. Amaro completa: “O que faz da gente uma banda é que, quando a gente se encontra, é mais para ensaiar do que para qualquer outra coisa”. Artistas multimídia, os Ex-Exus foram convidados pelo Coquetel Molotov para cobrir o festival, conversando com as atrações aos moldes do Ex-Exus entrevistam. É só o princípio de novos projetos, que incluem não um, mas dois EPs em fase de produção. “Cada um vai ter um conceito diferente”, explicam os integrantes.
Fortaleza recebe atrações suecas e francesas

Realizado há cinco anos no Recife, o festival No Ar Coquetel Molotov parte neste ano para realizar outros eventos pelo país. Além dos shows que tradicionalmente já ocorrem na turnê Invasão Sueca pelo Sul/Sudeste do Brasil, desta vez outra capital nordestina receberá shows internacionais do No Ar.
O Órbita Bar, em Fortaleza, será a sede da etapa cearense do festival, contando com shows de grupos suecos e franceses. Zombie Zombie, François Virot e Loney, Dear se apresentam no Órbita no primeiro dia de shows, na sexta (18/09), às 21h. No dia seguinte, no sábado (19/09), Those Dancing Days e Britta Persson dividem o palco em uma noite bem especial. Os ingressos para cada noite de shows custam R$ 15,00.
Atrações - Atrações do Ano da França no Brasil se juntam a grupos da Invasão Sueca num verdadeiro intercâmbio musical em Fortaleza. No primeiro dia de evento, o público cearense pode conferir diversos estilos em uma só noite. A dupla francesa Zombie Zombie se inspira em filmes de terror e em trilhas sonoras densas para criar uma música eletrônica que tem conquistado o público em diversos festivais europeus.
François Virot, com um folk lo-fi, construído a partir de colagens sonoras, vozes e violão faz uma música que ganha vida em execuções ao vivo hipnotizando os ouvintes. Na mesma linha folk está o sueco Emil Svanängen, mais conhecido pelo pseudônimo Loney, Dear. Com sua banda, Loney, Dear já participou de vários festivais pela Europa, dividindo palcos com Sonic Youth, Bloc Party e Devendra Banhart, entre outros.
O sábado no Órbita será praticamente dedicado às mulheres. A primeira a subrir no palco neste dia será a cantora sueca Britta Persson e suas músicas de delicadeza e sensibilidade pop que falam de amor e seus encontros e desencontros. Logo em seguida, quem anima a festa é a Those Dancing Days, formada por cinco garotas suecas. A banda lançou em 2008 seu primeiro disco oficial “In Our Space Hero Suits” pela Wichita Records e de lá pra cá, o quinteto obteve boa repercussão fora de seu país de origem ao serem citadas pela revista NME e ainda indicadas ao MTV Europe Music Awards.
FESTIVAL NO AR COQUETEL MOLOTOV – ETAPA FORTALEZA
Sexta – 18/09 – 21h
Shows com François Virot (França), Loney,Dear (Suécia) e Zombie Zombie (França)
Sábado – 19/09 – 21h
Shows com Britta Persson (Suécia) e Those Dancing Days (Suécia)
Local: Órbita Bar – Rua Dragão do Mar, 207 – Fortaleza
Ingressos: R$ 15,00
Mais informações: www.orbitabar.com.br
Podcast traz entrevistas com Jr.Black e Sweet Fanny Adams

Jr.Black e Diego, baixista da Sweet Fanny Adams, comparecem em mais um programa especial do No Ar 2009. Comentam de forma bem descontraída a expectativa pelos shows que vão acontecer no sábado (19/09) no Teatro Guararapes e Auditório Tabocas. Enquanto falam de seus próprios trabalhos, os dois ainda revelam o que mais querem assistir dentro do festival deste ano. Além das músicas de atrações do evento, o programa desta semana ainda apresenta novidades de Karen O., Beastie Boys e músicas do Tributo ao Guided By Voices. O Podcast Coquetel Molotov está disponível para download ou streaming no endereço: http://coquetelmolotov.podomatic.com e ainda é transmitido aos sábados pela Rádio Universitária FM – 99,9 MHz, das 11h ao meio-dia.
Promo Trident Fresh
Leve a vida mais leve com Trident Fresh que leva você mais um acompanhante para o festival No Ar Coquetel Molotov. Concorra a um par de ingressos mais um kit com camisas e cd do evento mais descolado do Recife respondendo nos comentários do post com seu nome e email: O que você acha mais fresh no festival? Na próxima quarta-feira (16), a gente divulga os vencedores.
Promo Chilli Beans

Chilli Beans garante a você um visual super bacana. E como no festival No Ar Coquetel Molotov todo mundo quer arrasar no figurino, esta é sua chance de ganhar um óculos especial da Chilli Beans.
Para concorrer a vale-óculos é muito fácil. Basta escrever um comentário neste post, escrevendo seu nome, email e respondendo a seguinte enquete: Qual das atrações do festival No Ar 2009 tem o visual mais legal?
Sortearemos na próxima semana dois felizardos que pegarão seu vale-óculos no stand do Coquetel Molotov no Centro de Convenções de Pernambuco durante os dias de festival. Participem e boa sorte!
CLIPPING: Estado de Minas – 10/09/2009

De volta para o futuro
Destinado ao público jovem, festival indie convoca Milton Nascimento e Lô Borges ao palco
Mariana Peixoto
Lô Borges já ouviu falar, conhece um pouco da história do evento, mas Milton Nascimento não disfarça: até ser informado por um jornalista pernambucano, não tinha o menor conhecimento de que na próxima semana participará do show de encerramento do Coquetel Molotov. Entre os festivais de maior porte que são realizados no país, o pernambucano é, de longe, o mais indie. Nas cinco edições anteriores, apresentou alguns grupos alternativos até mesmo para os fãs dos alternativos. Majoritariamente, o elenco de atrações é formado por jovens artistas.
Esta edição, que começa segunda-feira e vai até o dia 19, marcou duas bolas dentro: as noites do principal palco (o Teatro Guararapes, o maior daquele estado, comporta 2,3 mil pessoas) serão fechadas por atrações que vão além do chamado público indie. Dia 18, o show será da banda norte-americana Beirut, que vem fazendo a turnê mais concorrida deste mês, com ingressos esgotados no Rio, São Paulo e Salvador. Sábado, Lô e Milton, 37 anos depois do lançamento do clássico Clube da esquina, encontram-se no palco pela segunda vez este ano.
O show, na verdade, é de Lô. Com sua banda – Giuliano Fernandes (guitarra), Barral (teclados), Robinson Matos (bateria) e Renato Valente (contrabaixo) –, ele vai apresentar o apanhado de seus trabalhos mais recentes. Com Milton serão oito canções, do repertório de 20. Com a entrada de Bituca, a banda ganha mais peso, pois serão mais uma guitarra (Wilson Lopes) e outra bateria (Lincoln Cheib, ambos instrumentistas que acompanham o cantor).
O convite nasceu depois do evento que, em abril, levou vários artistas do Clube para temporada no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Milton e Lô subiram ao palco pela primeira vez em quatro anos. A boa repercussão fez surgir a oportunidade no Coquetel Molotov. Outros shows da nova velha dupla vêm sendo agendados para os próximos meses.
Tocar para jovens plateias está longe de representar novidade para os dois. Mas Lô admite: é a primeira vez que ele participa de um festival do gênero. “Meu público já tem muita gente nova, mas festival mesmo, com o perfil do Coquetel Molotov, nunca havia feito”, diz ele, que, com a passagem dos anos não mudou seu gosto musical. Continua ouvindo rock inglês: “Radiohead, Coldplay, Travis e até mesmo Oasis.” Milton afirma que, depois de lhe explicarem do que se tratava o show no Recife, gostou muito da ideia. “Se tem gente da França e da Suécia, então está dentro da minha vida. Ocorre que o Clube da Esquina está mexendo com mais gente hoje do que na época em que foi lançado. Os dois discos duplos remasterizados (Clube da Esquina e Clube da Esquina 2, de 1972 e 1978, restaurados por João Marcello Bôscoli e relançados no fim de 2007) foram para o mundo inteiro. Tem um monte de gente procurando e até mesmo estudando a gente”, comenta o compositor.
Trata-se de gente que, por sinal, nem havia nascido no início da década de 1970. E de gente, relata Milton, que vive muito longe do Brasil e, por causa dos discos, interessou-se em conhecer a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Bairro Santa Tereza, em BH. “Principalmente japoneses e noruegueses”, informa. Mas, nesse reencontro, as músicas estão diferentes das gravações originais. “A nova banda deu sotaque diferente às canções antigas, unificando e modernizando, por exemplo, Girassol da cor do seu cabelo e Para Lennon e McCartney”, diz Lô. Na quarta-feira, músicos das duas bandas vão ensaiar o repertório conjunto. Milton não vem a Belo Horizonte para o ensaio.
Antes do reencontro em abril, Lô havia participado, em 2005, de um show de Milton em Paris. “Como é um cara que tem mais público do que eu, o normal seria ele me convidar. E o Milton, gentilmente, aceitou ser meu convidado. Achei humildade dele participar do meu show”. Milton, por seu lado, devolve a gentileza: “Sempre fui aberto para coisas novas – não só no Brasil, mas também no exterior. Fazer esse show me dá uma felicidade dobrada, pois o Lô é um dos caras de quem mais gosto.” Quanto a reproduzir o álbum inteiro de 1972 no palco, sonho de muita gente, Milton pisa no freio: “Por enquanto, está bom desse jeito. É melhor cantar apenas algumas músicas.”
Mix de canções - Das oito músicas que Lô e Milton vão cantar juntos, cinco são do álbum Clube da esquina (Cais, Nuvem cigana, Nada será como antes e Um girassol da cor do seu cabelo, além da canção que batizou o disco, a primeira parceria entre os dois). O repertório conta ainda com Resposta (Samuel Rosa e Nando Reis), gravada por Lô e Milton no álbum Crooner (1999); Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio e Lô Borges), gravada pela dupla em 2003 (Milton, no álbum Pietá; Lô, em Um dia e meio); e Para Lennon e McCartney, essa a primeira composição de Lô (parceria com Márcio Borges e Fernando Brant) que Milton registrou em seu disco de 1970. No dia 19, também será lançado, no Recife, o livro Coração americano – 35 anos do álbum Clube da Esquina, organizado por Andreá Estanislau.
Vivo/Samsung promovem ações interativas

A Vivo e a Samsung são os principais patrocinadores do Festival No Ar Coquetel Molotov 2009, que acontecerá entre os dias 14 e 19 de setembro, no Recife. A Vivo trouxe para a região a identidade do Projeto Conexão Vivo. A idéia tem como proposta apontar novos caminhos e encontrar respostas para os desafios do mercado da música independente, trazendo em seu DNA os ideais de interdependência, autonomia, diversidade e democratização do acesso aos bens culturais. E foi pensando nisso que a operadora resolveu apoiar o festival No Ar Coquetel Molotov.
Concurso - Para a ocasião, a Vivo fará uma cobertura interativa por meio da Internet Vivo 3G e promoverá um concurso cultural, onde o participante produz um vídeo a partir das músicas do Festival. Os interessados poderão acessar, a partir da próxima semana, o hotsite dentro do portal Conexão Vivo (www.conexaovivo.com.br) e encontrar a versão para download das músicas.
Ainda no hotsite, os interessados poderão efetivar suas inscrições, ter acesso ao regulamento e enviar seu vídeo, e, a partir de então, receber os votos dos internautas. Os vencedores ganharão como prêmio um aparelho Samsung Beat DJ. A Vivo também irá realizar Flashes Raves – ação itinerante executada em pontos badalados e freqüentados pelos jovens, público-alvo do Festival – que contará com a praticidade e mobilidade de carrocinhas tunadas com som e pick ups profissionais, que permitirá a apresentação e o duelo de Dj’s.
Espaços - Mas, as novidades não param por aí. O público que visitar a Arena Vivo/Samsung encontrará muita interatividade, diversão e tecnologia. O espaço terá dancing, acesso à Internet Vivo 3G, degustação de aparelhos e aulas de discotecagem. Uma mesa que reproduz o formato e as funções do celular Samsung Beat DJ estará disponível para que os interessados possam usufruir das suas funcionalidades. O auditório Tabocas, no Centro de Convenções, será batizado como a sala Vivo Samsung – conexão música e imagem. No local, acontecerá shows com projeções de vídeos feitos criador do software ViMus, Jarbas Jácome.
Cobertura - O jornalista Bruno Nogueira, será o Repórter Vivo Samsung e irá registrar os momentos dos shows, conversas com o público e entrevistas com as atrações nos bastidores através de câmera/celular na mão. As imagens serão exibidas em tempo real no portal Conexão Vivo.
CLIPPING: Jornal do Commercio – 09/09/2009

Bituca bem à vontade no Coquetel Molotov
Convite para participar do festival é uma oportunidade para ele se reencontrar com o amigo Lô Borges e reviver os tempos do Clube da Esquina. Milton espera ainda por canja de Naná
José Teles
teles@jc.com.br
Muita gente pode estranhar a presença de Milton Nascimento e Lô Borges num festival rotulado de indie como o No Ar Coquetel Molotov, que acontece de 14 a 19, no Teatro Guararapes, com atrações do pop alternativo nacional e gringas, a exemplo dos franceses Sebastien Tellier e Zombie Zombie, ou as suecas da Those Dancing Days. Estão esquecidos que Bituca (era seu apelido) e sua turma do Clube da Esquina já foram o alternativo da música brasileira no início dos anos 70. Com Lô Borges, Novelli, Robertinho, Márcio Borges e Beto Guedes criaram um som até admirado no mundo inteiro: “Muita gente, muitos estrangeiros vão a Belo Horizonte querendo conhecer o tal Clube da Esquina, que nunca existiu. É só a esquina de duas ruas da cidade”, ri Milton, ao telefone.
Quando se fala do álbum Clube da Esquina, o primeiro, lançado em 1972, vê-se ali a influência dos Beatles. Milton não a nega, mas diz que a inquietação era uma síndrome que existia mundo afora na época. “Os Beatles marcaram a vida do mundo, mudaram muita coisa. Naquele tempo o mundo inteiro estava se modificando, na música, no cinema, na literatura. O que acontecia na Inglaterra, acontecia no Japão. No Brasil acontecia da mesma forma. Agora, pelo fato de ser um país pobre, não se tomou conhecimento lá fora, na época. Hoje a música do Clube da Esquina é admirada em todo lugar”, diz.
Milton Nascimento diz ter aceitado o convite do Coquetel Molotov, por dois motivos: “Primeiro, porque adoro o trabalho de Lô Borges, a música dele. Quando ele começou a compor para o Clube da Esquina estava com apenas 17 anos e fazer show com ele nos remete àquele tempo. Passamos muito tempo sem fazer apresentações juntos. depois porque tenho uma coisa com o Recife. Quando soube que era com Lô e no Recife, não pensei duas vezes. Naquele show que fizemos no Marco Zero, no Carnaval, de repente, no céu aconteceu uma coisa, a lua com as estrelas, não sei explicar bem o que foi, mas foi fantástico.”
Quanto a tocar num festival em que predomina o pop e o rock, para Bituca não é problema algum, pelo contrário. “Comecei com Travessia, tudo bem foi um marco, mas minha música não era só aquela. O lance é o seguinte: nunca tive problema de fazer um tipo de música e ficar naquilo. Participei de um conjunto de baile, e tinha que tocar música de todas as partes do mundo. Tocava rock, mambo, chá-chá-chá, então desde Três Pontas (MG), minha vida é assim”.
Milton conta que no ano passado, quando esteve na França para o lançamento do disco que gravou com os irmãos Belmondo (o saxofonista Lionel e trompetista Stéphane), acompanhado pelas Orchestre National d”Ile-de-France, numa entrevista perguntaram se ele sentia dificuldade em cantar com uma orquestra: “Respondi que já havia cantado com umas vinte orquestras e não via dificuldade alguma em fazer isto. Perguntei se ele sabia que eu havia gravado com Duran Duran. Ele se surpreendeu, mais ainda quando perguntei se sabia que eu havia gravado até heavy metal. E contei de uma gravação que fiz num disco do Angra. O cara então não perguntou mais nada”.
O que liga Milton ainda mais ao Recife é a amizade com Naná Vasconcelos, iniciada quando o percussionista foi morar no Rio, no final de 1968: “Com Naná o lance começou quando fui assistir a um ensaio de um grupo de pernambucanos. Fiquei meio afastado para não atrapalhar. Então Naná, que eu não conhecia, veio até onde eu estava e disse: ‘Vim para o Rio tocar com você’. Foi assim mesmo. No outro dia, ele já estava morando na minha casa”. Isto sinaliza para um possível reencontro no palco, se o percussionista estiver no Recife. “Seria muito bom que isto acontecesse. Sou louco por Naná. Se ele quiser dar uma canja, para mim será uma dádiva divina”.






















