A etapa Salvador do Festival No Ar Coquetel Molotov começa com uma programação especial na sexta-feira (24/9) com shows dos grupos Radiola (BA) e Guizado (SP) na Zauber Multicultura, às 22h. A noite de espetáculo na Zauber serve como aquecimento para os shows principais do festival No Ar Coquetel Molotov – Etapa Salvador na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.
Abrindo a noite na Zauber está a banda baiana Radiola, que com nove anos de estrada, comemora a ótima fase em sua trajetória com a repercussão positiva do seu último álbum e a parceria de sucesso com a cantora Nancy Viégas. Dona de um projeto autoral consistente, a Radiola é considerada uma das principais bandas do circuito independente baiano, já tendo participado de importantes projetos musicais, realizados na Bahia e em outras regiões do país, com passagem até por palcos internacionais.
Dividindo o palco com os baianos está o trompetista Guizado apresentando o repertório de seu segundo e já aclamado disco “Calavera”. Do ponto de vista musical, o álbum continua exposto às mesmas influências do trabalho anterior (Punx), onde o rock se apropria de recursos da música eletrônica e da improvisação do jazz para criar a identidade do grupo. O grande diferencial é que em “Calavera” o músico explora a voz como mais um instrumento integrado ao grupo. Os ingressos para a noite de shows na Zauber custam R$ 10,00.
Atrações - Nos dias 25 e 26 de setembro é a vez dos shows com Dubstereo (BA), Soko (França), Céu (SP), A Banda de Joseph Tourton (PE), Cidadão Instigado (CE) e Dinosaur Jr (EUA). Com patrocínio da Vivo e do Governo da Bahia, através do Fazcultura, o Festival No Ar Coquetel Molotov é uma realização da Caderno 2 Produções e da Art Cultural em parceria com a produtora pernambucana Coquetel Molotov.
Conexão Vivo apresenta:
No Ar Coquetel Molotov – Etapa Salvador
Programação Alternativa na Zauber Multicultura – Shows com Radiola (BA) e Guizado (SP)
Data: Sexta – 24 de setembro – 22h Local: Zauber Multicultura – Ladeira da Misericórdia, 11 – Pelourinho Ingressos: R$ 10,00 Informações: (71) 3326-2964
Documentários inéditos e filmes de cineastas independentes de várias partes do país integram a programação da Mostra Play The Movie. De norte a sul do país, diversos personagens e cenas musicais dialogam entre si na mostra deste ano, montando um belo quebra cabeça de estilos e gêneros. A Play The Movie volta a acontecer no Cine-Teatro Apolo, entre os dias 20 e 23 de setembro, com sessões a partir das 18h e com entrada gratuita.
As bandas Anjo Gabriel e Adis Abeba Dub fazem cine-concertos nesta edição da mostra apresentando ao vivo suas músicas como trilha para outros filmes. No terceiro dia de exibição, o DJ Patrick Tor4 apresenta sua discotecagem após a exibição de “Brega S/A”. O último dia da mostra traz como destaque o longa de ficção “Bitols”, de André Arietta, com as desventuras de uma banda de rock gaúcha no começo dos anos 90, em meio a imagens de época.
SEG – 20/09
18h00 – Freestyle: Uma forma de vida (2008) – 45 min
Dir: Pedro Gomes
Com diversas exibições mundo a fora e muitos prêmios recebidos, o filme traz imagens das “batalhas” e depoimentos de diversos rappers e MCs da cena hip hop paulistana. Desde os primeiros passos do gênero, nos EUA dos anos 1970, o freestyle – a rima de improviso, criada no calor do momento – anda lado a lado do seu primo mais famoso, seja em improvisos feitos por MCs famosos em grandes shows, seja em “batalhas” espontâneas nas esquinas das periferias. No Brasil, as rinhas de MCs voltaram com toda a força e transformaram jovens MCs em novos repentistas urbanos, falando com a crueza e malandragem típica das nossas ruas. Nomes de destaque no rap nacional estão no filme a exemplo de KL Jay, Kamau, Slim e Emicida.
18h50 – Dub Echoes (2008) – 80 min
Dir: Bruno Natal
“Dub Echoes” é um documentário definitivo sobre o Dub. Este ramo do reggae tem influenciado com sua cadência e suas batidas uma incrível variedade de artistas dentro e fora da Jamaica, dos anos 60 até hoje. E é mostrando personagens, protagonistas do Dub desta época que o filme ganha em importância. Além de apresentar entrevistas com nomes essenciais do gênero como U Roy, Lee Perry, Sly Dunbar e Mad Professor, “Dub Echoes” ainda mostra gente da atualidade como 2ManyDjs, Black Alien, Mario Caldato Jr e Basement Jaxx falando sobre a influência do ritmo em suas músicas. Ao longo do filme, conhecemos como a cultura musical dos Sound Systems na Jamaica influenciou alguns dos estilos musicais como hip hop e a música eletrônica ajudando a levar o Dub em novas direções.
18h00 – Cantoras do Rádio (2009) – 81 min
Dir: Cristiano Xavier de Oliveira
O documentário resgata passagens da Era de Ouro do rádio, entre 1930 e 1950, período no qual o rádio se consolidou como o veículo de massas no Brasil. O fio condutor do filme é o show Estão Voltando as Flores, Teatro Rival, no Rio de Janeiro, com direção e roteiro do pesquisador Ricardo Cravo Albin, no qual se apresentaram quatro expoentes da época: Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. O espetáculo faz homenagem justamente às maiores divas da canção do rádio brasileiro: Carmen Miranda, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Linda Batista, Dircinha Batista, Isaura Garcia e Nora Ney.
19h30 – Moleques Maravilhosos (2010) – 30 min
Dir: Cristiano Bastos e Pedro Hahn
Em julho de 2009, o jornalista Cristiano Bastos e o cineasta Pedro Hahn viajaram até Salvador com a missão de encontrar personagens que conviveram com Raul Seixas em seus primeiros anos de sua carreira musical. A ideia era produzir um documentário “câmera na mão” para acompanhar uma matéria impressa em uma revista falando sobre os 20 anos sem Raulzito. Surgem no filme, personagens como Thildo Gama, com o qual Raul montou sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, em 1961 e Waldir “Big Ben” Serrão, amigo de infância e primeiro a gravar uma composição sua, “O Crivo”.
18h00 – O Rei da Munganga (2008) – 70 min
Dir: Carolina Paiva
Em 2004, quando Genival Lacerda foi convidado para fazer uma participação especial em um filme de ficção, nem o cantor nem a diretora poderiam imaginar que dali surgiria uma produtiva parceria. Carolina Paiva começou a seguir Genival e gravar entrevistas e seus shows ao vivo. A partir deste material, a cineasta montou este documentário sobre este cantor de letras escrachadas e jeitão inconfundível. Prestes a completar 80 anos de idade e ainda na ativa, Genival Lacerda acumula no currículo sucessos como “Severina Xique Xique”, “De quem é esse jegue?”e “Radinho de Pilha”, além de 40 LPs lançados e inúmeros CDs. Sem dúvida um verdadeiro ícone da música popular brasileira.
19h10 – Do Morro? (2010) – 20 min
Dir: Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro
Sensação do Cine-PE 2010 e vencedor da Semana Paulistana de Curta-Metragem. “Do Morro?” conta a incrível história do cantor e fenômeno dos subúrbios recifenses João do Morro. O curta, dirigido por Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro mostra como João do Morro é um desses raros casos na música pernambucana, que dialoga e transita entre as boates de classe média e os bailes da periferia. Com base em seus depoimentos escrachados e mais a participação de artistas, especialistas em música, ativistas GLBT e gente comum, o curta é igual ao seu personagem: um cronista urbano.
19h30 – Brega S/A (2009) – 60 min
Dir: Vladimir Cunha
Gravado entre 2006 e 2009, o documentário Brega S/A fala sobre a crescente cena tecnobrega de Belém do Pará. Sem juízos de valor, o filme mostra como este estilo de música e produção dominou a cidade, crescendo à margem da indústria discográfica. Capaz de reunir milhares de pessoas em uma festa, o tecnobrega já tem seus grandes ídolos, mas tritura diariamente centenas de aventureiros que sonham mudar de vida com um único hit.
18h00 – Profissão Roadie (2010) – 50 min
Dir: Gabriel Câmara e Gilmar R. Silva
O documentário “Profissão Roadie” lança os holofotes sobre os profissionais que atuam nos bastidores do showbizz. Sem a pretensão de esgotar o assunto, o filme conta quando o mercado de shows começou a se profissionalizar e traça um raio-x das vantagens e desvantagens da profissão, partindo de questões como relacionamento com os músicos, mercado de trabalho, vida na estrada e sexo, drogas e rock’n'roll. Assistentes de palco de Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Marcelo Camelo, Cordel do Fogo Encantado e O Rappa estão presentes neste filme que, mais do que mostrar os artistas, mostra quem são as sombras no palco que fazem os shows funcionarem.
19h00 – Bitols (2010) – 75 min
Dir: André Arieta
Misturando a estética de documentário – com direito à cenas reais da época – e a marca surrealista de uma ficção, Bitols narra uma noite na vida de uma banda underground de Porto Alegre no início dos anos 90, com um nome horrível, futuro incerto e uma mulher misteriosa que causa desavenças internas e adivinha seus futuros. O longa tem um pouco de auto-biografia, já que todos os principais envolvidos, de elenco à direção, vivenciaram uma juventude naquele período em que os Cds eram a grande revolução tecnológica e todos andavam com sua demotape na mochila, à espera do grande momento em que um produtor do centro do país os descobriria. Entre as participações especiais estão nomes de várias gerações da cena artística gaúcha como Plato Divorak, Júpiter Maçã e Carlos Eduardo Miranda.
MOSTRA PLAY THE MOVIE
Local: Teatro Apolo – Rua do Apolo – Recife Antigo Data: De 20 a 23 de setembro de 2010 Entrada gratuita
Mais informações: www.coquetelmolotov.com.br
Além de sua programação de shows, o festival No Ar Coquetel Molotov abre espaço para a realização de atividades de formação e capacitação com workshops e oficinas que acontecem no Nascedouro de Peixinhos e no Memorial Chico Science. O objetivo é dar uma oportunidade singular de aprendizado a um novo público interessado em descobrir outras atividades ligadas à música e áreas co-relacionadas.
Em Peixinhos, as oficinas são voltadas ao público da comunidade e acontecem no Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos pelo período da manhã, entre os dias 13 e 16 deste mês. As inscrições para as atividades são gratuitas e acontecem no próprio local. A cada dia acontecem oficinas diferentes para jovens interessados em aprender mais sobre economia solidária, moda, design e edição de som em software livre.
Durante os dias 20 e 23 de setembro, o Memorial Chico Science, no Pátio de São Pedro, abriga outra rodada de oficinas sobre Transmissão de shows pela Internet, Remixes, Tecnomelody e SoundSystems. Estas oficinas são ministradas por profissionais da área musical do Recife e de outras cidades. O DJ Patrick Tor4, atualmente residindo em Belém (PA), vem a cidade para explicar como são compostas as batidas do Tecnomelody, fenômeno das aparelhagens paraenses. E a oficina que encerra o evento conta com a participação de Russo Passapusso (Bemba Trio) e Chico Correa demonstrando como se trabalha com Sound Systems para apresentações ao vivo.
Bate-papo - O último dia de oficinas no Memorial Chico Science reserva ainda um encontro com o artista plástico Stephan Doitschinoff, mais conhecido como “Calma”. O artista realiza um bate-papo com o púbico falando de sua técnica e mostrando um vídeo sobre suas obras. Calma é uma figura singular no mundo dos designers. Influenciado por motivos religiosos, candomblé, umbanda, folclore e gravuras alquímicas, o trabalho dele consegue fundir o universo pop do grafite ao universo devocional medieval.
Inscrição - Para todas estas atividades, o público em geral pode se inscrever aqui:
- Memorial Chico Science
- CTCD – Peixinhos | (Inscrições encerradas)
Mesmo gratuitos, os workshops são limitados a 15 pessoas e quem se inscrever em mais de uma e faltar à primeira oficina inscrita, perderá a vaga nas demais.
Festival No Ar Coquetel Molotov
Inscrições abertas para Oficinas
Locais: Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos e Memorial Chico Science Datas: De 13 a 16 de setembro pela manhã (Peixinhos) / De 20 a 23 de setembro pela tarde (Memorial Chico Science). Mais informações: www.coquetelmolotov.com.br
Mad Professor, um dos maiores nomes do dub no mundo, se junta aos nomes já anunciados pelo festival No Ar Coquetel Molotov e vem ao Recife como convidado especial do evento. O produtor se apresenta na programação do festival no Teatro da UFPE no último dia de evento, no sábado 25 de setembro. Junto a ele, na mesma noite tocam ainda A Banda de Joseph Tourton, Taken by Trees, Emicida e a lenda do rock alternativo norte-americano Dinosaur Jr.
Mad Professor ganhou o apelido na infância quando seus amigos notaram seu fascínio por aparelhos eletrônicos. Ao se mudar para Londres aos treze anos, continuou suas experiências com a eletrônica, incorporando uma sonoridade dub às suas músicas. O produtor inglês já trabalhou com diversos nomes do reggae, dub e rocksteady como Lee Perry, U-Roy e Sly & Robbie. Seus trabalhos já foram lançados por grandes gravadoras e já chegou a remixar em dub os trabalhos de bandas como Massive Attack, Beastie Boys e Jamiroquai. Em sua companhia vem Joe Ariwa, revelação da cena reggaeira de Londres e afilhado do “professor”.
Festival - O No Ar Coquetel Molotov 2010 começou sua programação no dia 3 de setembro, no Pátio de São Pedro, e prossegue até o dia 25 de setembro, onde se encerra em grande estilo com shows de atrações nacionais e internacionais no Centro de Convenções da UFPE. Nos seus dois últimos dias, a programação musical começa a partir das 17h na Sala Cine UFPE e após às 21h passa a acontecer no Teatro da UFPE. Os ingressos já estão à venda nas cafeterias DeltaExpresso (Shopping Recife, Tacaruna, Plaza e Recife Antigo) e custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).
A mixtape “Emicidio”, do rapper paulistano Emicida, mal foi lançada oficialmente ontem e já vendeu mais de mil cópias em CD. Se o feito parece espantoso para o mercado nacional, onde a venda de discos cai vertiginosamente, esse feito apenas comprova o talento de Emicida, que desde que começou a gravar seus raps, tem ganhado muitos fãs pelo país.
Considerado como uma das maiores revelações do Hip Hop brasileiro, a popularidade de Emicida não para de crescer. O rapper esteve recentemente no Programa do Jô e teve seu nome alçado ao “Trending Topics Mundial” do Twitter no dia em que o programa foi ao ar.
Os recifenses que aguardam ansiosamente pela primeira vinda de Emicida a cidade devem lembrar que ele é um dos headliners do festival No Ar Coquetel Molotov 2010. O show dele acontece no dia 25 de setembro, no Teatro da UFPE, na mesma noite em que se apresentam A Banda de Joseph Tourton, Taken by Trees e o Dinosaur Jr.
O projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro apresenta na próxima sexta-feira (17) a sua terceira noite de shows. A iniciativa do festival No ar Coquetel Molotov 2010 em parceria com Prefeitura do Recife terá sua próxima edição ao som das bandas D. Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE). As apresentações começam a partir das 21h e são gratuitas.
A primeira atração que sobe ao palco é de casa. D. Mingus, considerado por muitos uma boa surpresa da cena independente pernambucana, abre a noite mostrando seu primeiro álbum “Filmes e Quadrinhos”, que acaba de sair do forno. Musical, poético e imaginário, D. Mingus (o Domingos Sávio) é, como bem disse Claudio Szynkier do portal Trama Virtual, “um dos que despontam no celeiro musical da cidade fazendo uma psicodelia pessoal, de home-studio (quartinho) e, por isso mesmo, localizável em qualquer geografia, topografia (seja praeira, sertaneja, montanhosa) do mundo”. O som de D Mingus conjuga em atitude lo-fi informações como King Crimson, Syd Barrett e Olivia Tremor Control.
A noite segue com a apresentação dos ilustres paulistas do Debate. A banda que entre 2006 e 2008 lançou dois EPs inspirados no math-rock e teve uma elogiada apresentação no No ar Coquetel Molotov 2006, volta ao Recife prometendo abordagens musicais diferentes e métodos de composição renovados. O grupo traz uma nova formação que explora o rock em suas diferentes possibilidades, fazendo as conexões mais improváveis: do pós-punk norte-americano ao jazz holandês. A guitarra e o vocal são do veterano Sérgio Ugeda, figura bastante relevante na música independente nacional e um entusiasta da música nacional experimental.
Finalizando as apresentações da terceira noite do projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro, às 23h acontece o show da banda The Baggios. Formada em 2004, na cidade histórica de São Cristóvão, Sergipe, a The Baggios tem a peculiaridade de ser formada por apenas dois integrantes: Julio Andrade (guitarra e voz) e Gabriel Carvalho (bateria). Embebidos nas águas turvas e viciadas da música negra, os acordes envenenados do duo misturam ritmos tradicionais, como o Blues e o Rock.
Próximas atrações - O projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro prossegue até a próxima quinta (23) no Pátio de São Pedro, trazendo atrações locais e grupos nacionais convidados como aquecimento pro festival No Ar 2010. Os próximos a participarem de shows no local são os grupos Semente de Vulcão (PE), FireFriend (SP) e Guizado (SP).
O ápice do festival No Ar Coquetel Molotov acontece um dia após o término da programação do Pátio Sonoro. O foco das atenções passa a ser o Centro de Convenções da UFPE, que vai abrigar os aguardados shows de Otto (PE), Miike Snow (Suécia), Emicida (SP) e Dinosaur Jr (EUA), entre outros. Os ingressos para estes shows já estão à venda pela internet e nas lojas DeltaExpresso no Recife.
Coquetel Molotov no Pátio Sonoro
Shows com D. Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE)
Data: Sexta – 17 de setembro – A partir das 21h Local: Pátio de São Pedro – São José – Recife Aberto ao público
Eclético. Adjetivo que foi da ascensão com Marisa Monte à diluição com Zélia Duncan, e a partir daí ganhou tons bem pejorativos na música brasileira. A sacanagem recorrente sobre o(a) eclético(a) é que quem gosta de tudo, no fim das contas não gosta de nada. Não quer se comprometer em escolher tendências e menosprezar outras. Além disso, o suposto eclético assim se declara por marketing e de fato não quer mesmo é assumir seus gostos pessoais, achando que assim ganha todos os públicos na demagogia.
Ora, meus caros, acho que já está na hora de parar de demonizar tanto a tal palavrinha. O ecletismo na música é bom quando é sincero e com razão de ser. E por isso venho a público dizer: a banda carioca Do Amor é eclética. Falei. E se eles não se orgulham disso, deveriam. Claro, sem tomar isso como bandeira para não recorrer nos erros anteriores e passarem por picaretas. O ecletismo “do bem” – ou melhor, do amor – é efeito, não causa.
No seu aguardado disco de estreia, a banda formada por músicos competentes da cena independente nacional – a saber, os guitarristas Gabriel Bubu e Gustavo Benjão, o baixista Ricardo Dias Gomes e o baterista Marcelo Calado – esbanja diversas influências que nunca brigam entre si, e sim se completam harmonicamente em arranjos bem coesos. Rock, carimbó, samba, pop, reggae e um tiquinho de psicodelia. No final, a sopa fica com um sabor próprio que não deixa de valorizar os ingredientes. Pinduca encontra Jorge Ben e George Harrison numa roda de samba.
E a fina ironia carioca acaba sendo mais um gênero musical dessa mistura. Canções como “Vem Me Dar” ou “Meu Corpo Ali” seguem o nome da banda e transmitem aquela sensação feliz de estar amando, sem frescura ou pudor. Só que o nome da primeira e uma estrofe da segunda – “mas quando você me beijou, suei frio e urinei de pavor, não controlei meu órgão reprodutor” – abordam aquele assuntinho tabu chamado sexo sem perder a leveza.
Outro diferencial do grupo é que em tempos de pedaleiras, samplers e Autotune, eles economizam bastante na eletrônica e se garantem nos timbres originais dos instrumentos. Guitarras são ouvidas bem limpas na maior parte do disco. Poucos solos também. Nessa estreia em disco, os rapazes do Do Amor ainda estão naquela fase pueril de um romance adolescente, descobrindo as possiblidades musicais sem grandes pretensões, e esperam crescer na relação pouco a pouco.
Quem ganha com isso é o público amante da boa música com tempero brasileiro que não nega as influências externas. Enfim, porque o público também não pode ser eclético? Isso, afinal, é a beleza do amor correspondido.
Com patrocínio do Programa Petrobras Cultural, A Banda de Joseph Tourton lança oficialmente no festival No Ar Coquetel Molotov o seu primeiro disco. Este álbum, além de ser o trabalho de estreia dos jovens músicos pernambucanos, também é o primeiro lançamento do edital de Gravação para Disponibilização pela Internet do Programa Petrobras Cultural.
O show d’A Banda de Joseph Tourton acontece no dia 25 de setembro, às 21h, no Teatro da UFPE, na segunda noite de shows do festival no Recife. Nesta apresentação ao vivo, o grupo vai contar com participações especiais do pianista Vitor Araújo, do percussionista Homero Basílio e do trompetista Luyde Lemos. Além deles, as músicas do disco tiveram o trompetista Guizado e a metaleira do Móveis Coloniais de Acaju como convidados especiais.
Antes do show, no entanto, o público poderá conferir gratuitamente o resultado do disco através de download gratuito das faixas. O site oficial da banda (www.josephtourton.com.br) disponibiliza o disco completo e cada uma de suas faixas separadamente para serem baixadas. O disco, que foi gravado nos estúdios da Trama, em São Paulo, e Das Caverna, no Recife, traz oito músicas inéditas e novas versões para as já conhecidas “#3″ e “Lembra o quê?”. A produção ficou a cargo de Felipe S e Marcelo Machado, da Mombojó e Fernando Sanches, engenheiro de som da Trama.
No sábado, 18 de setembro, o projeto Ouvindo Música, do Santander Cultural recebe em parceria com o festival No Ar Coquetel Molotov o cantor paulistano Rômulo Fróes. Considerado pela crítica como um dos compositores mais incríveis do início deste século na música brasileira, Rômulo foi do samba ao experimentalismo roqueiro mantendo sempre em sua carreira uma preocupação com a canção. Com três discos lançados, sendo o último “No Chão Sem o Chão” um ousado disco duplo com 33 músicas, o cantor vem ao Recife pela primeira vez e se apresenta em um show solo no local, às 17h, com ingressos a R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).
Aqui você confere uma entrevista feita por Stephanie Fernandes, em 2009, durante a época de lançamento de “No Chão Sem o Chão”, onde ele comenta sua carreira artística e mais o processo de gravação e composição do disco.
ENTREVISTA COM RÔMULO FRÓES Por Stephanie Fernandes
Você tinha dito que esse disco foi o resultado de uma reflexão sobre a canção brasileira. Como foi essa reflexão?
Eu faço parte de uma geração que largou um pouco a canção no sentido mais profundo, de tentar lidar com a história da canção. Ao mesmo tempo em que eu faço música para uma geração que gosta da canção. Mas não no sentido pragmático que nem o meu, de tentar contribuir para novos caminhos para ela. Minha geração é uma geração que tem uma contribuição imensa no som da música brasileira. Curumin, Kassin, Catatau, Instituto… tem uma turma imensa que deu uma contribuição bacana pro som da música brasileira. Não é à toa que o Caetano tá fazendo um som, e tá fazendo um som que ele nunca fez. Ele fez rock, mas não esse rock, que parece Pixies e Sonic Youth. É por causa do Pedro Sá, que é amigo do Kassin, e por causa da galera do Do Amor. Mas eu acho que a galera não quer se meter muito. Eles fazem canção, eles amam canção, e tem canções lindíssimas. Eu não vejo angústia em nenhuma dessas pessoas de querer se meter mais profundamente nessa história das canções.
E acabou fazendo trinta e três canções. Pelo visto, você não se colocou barreiras.
Não, nenhuma. Mas… (pausa) não sei se eu colocava nos outros. Acho que são as circunstâncias da vida. No primeiro disco, eu não tinha referência nenhuma, a única referência é que eu gostava de canção triste, e aí fui e fiz aquele disco. A partir daquilo, no segundo eu já não fui tão impune.
Então o disco novo ficou sem pudores?
Não… (risos) Tem muito pudor. Um pudor, por exemplo, que eu não consegui me livrar ainda é a falta de humor. Tem algum humor em “Caveira”, alguma coisinha, mas eu ainda acho que é um disco sério mais uma vez. Eu estou ouvindo muito o projeto +2 (Kassin, Domenico e Moreno). O +2 tem um relaxamento que eu queria ter, sabe? Um relaxamento assim de “Vamos fazer um som, vamos fazer direito”, e eles fazem. É um relaxamento, um bom humor e tem uma brisa. E é isso que me faltou. É esse meu pudor de fazer canção sem humor. “Caia na Risada”, por exemplo. A música se chama “Caia na risada” e é uma música assim: “Caia na risada / na desgraça / pelo amor de Deus”. Não é engraçado como dá pra ver. (risos) “Caveira” tem mais uma coisa dadaísta, surrealista. Mas não é humor. É como você conversar com uma caveira, tipo “eu perguntei pra caveira e a caveira respondeu”.
Queria falar um pouco sobre a divisão que rolou nos discos. A 1a sessão, “Cala boca já morreu”, é um pouco mais voltada para o experimentalismo no som. E no “Saiba ficar quieto”, 2a sessão, você se soltou mais.
No “Saiba ficar quieto” eu aprendi, na verdade. Enquanto que no “Cala boca já morreu” tem uma coleção de canções que foram feitas simplesmente enquanto a banda nova ia fazendo arranjos para canções que já existiam. Em umas cinco ou seis canções ali, foi um pouco parecido como aconteceu em Cão. No Cão teve um pouco desse negócio. Em umas três ou quatro canções, eu chamei o Gui, Lanny Gordin e Curumin pra botar um rock naquele negócio que eu tava fazendo. E isso continuou… Mas a partir do momento que eu comecei a tocar com eles, a gente começou a compor praquele som. A gente falou: “Ó, as musiquinhas não tão rolando mais nesse som, a gente tem que mudar a chave”. E no primeiro disco já tem exemplos de como tem andado esse negócio. A 1a sessão foi gravada em julho de 2007… Nossa, faz tempo! E a segunda foi gravada em dezembro de 2007. Eu formei essa banda para ir tocar no Reino Unido naquela história do Toca Brahma. Começamos, fizemos um monte de shows em lugares aqui em São Paulo e eu tava com esse som na cabeça. Falei “eu quero registrar essa bagaça, ir pro estúdio!”. Então isso foi registrado sob aquela pressão de ir tocar em Londres. Ficou tudo meio pesadão. Aí as canções mais tristes que tem nesse disco foi uma roubada minha assim. Como eu tava achando que seria só esse disco, então eu parei e pensei “calma aí, ele não pode ser todo assim”… Então eu aprendi, fui tocando e sacando. Os caras também foram mudando um pouco por causa das minhas canções. Acho que o “Saiba ficar quieto” é um aprendizado. Por isso que eu digo que eu lançaria o “Saiba ficar quieto”, com uma ou outra música do “Cala boca já morreu”, porque eu acho que é onde eu aprendi, onde talvez eu tenha conseguido minha voz.
Como você se vê vivendo de música?
Teve uma coisa engraçada que eu presenciei. Eu estava gravando uma canção da Manoela, que é uma cantora baiana, que já tá no segundo disco. Ela vive de música lá em Salvador e tem o circuito dela. Ganha os prêmios da Prefeitura, e com isso ela grava o disco. Aí ela ganha um prêmio da Petrobras pra lançar outro disco, e assim ela vive de música por lá. Mas ela fica lá… ninguém sabe quem é Manoela. Aí a pessoa entra num dilema porque acha que tem que vir pra cá. É curioso isso. Aí o cara vem pra cá e não vai conseguir viver de música. A menos que seja um puta músico que nem o Junior Boca ou o Catatau. O Junior Boca vive de música porque ele toca com a Bárbara Eugênia, toca com o trampo dele, toca com o Cidadão Instigado, toca com Guizado e toca com todo mundo. Mas lá de onde vem, ele poderia viver com o trampo dele. Fazendo só os Miles Davis que ele gosta de fazer. Só que ninguém ia saber quem é o Junior Boca. Esse negócio existe ainda. Não é bobagem esse negócio. Você vive de música mais fora daqui do que aqui. Mas se você quiser ampliar esse universo, as pessoas ainda têm que vir pra cá. O Coquetel Molotov, essa galera do Recife, eu acho muito mais exemplar. É uma loucura como se articulam e ainda trazem bandas da Suécia, fazem festival e todo um movimento.
Você sente dificuldade em ver artistas paulistanos se alavancarem numa cena independente em nível nacional? A Folha de S. Paulo coloca você como alguém que renova a música brasileira, mas você não sai do circuito das casas independentes. O que você acha que está faltando nisso?
Eu acho que isso é uma tentativa do que se fazia nos movimentos musicais. É a mesma história, só que não se cria… Ao invés de todo mundo ter um programa e ter um nome e todos agirem sob esse nome, cada um hoje em dia prefere montar uma banda e cada um leva sua experiência pra essa banda. Eu acho uma experiência sensacional. Então já que é difícil criar um pensamento novo em música brasileira – minha grande tentativa e frustração -, eu fico tentando criar um novo pensamento pra música brasileira. É isso o que me move… E como é difícil fazer isso, a galera tá se juntando pra ter mais força mesmo.
Sendo você de São Paulo e esta sendo uma revista de Pernambuco – será que esse seu álbum, de quebras de linguagem, não representa uma tentativa de expandir, também, públicos?
Não. Eu nunca faço isso pensando em algo. Eu costumo dizer que, se quisesse viver de música, eu não faria um disco duplo com duas sessões, com texto de contracapa, com 33 músicas e com historinha… É demais. Agora, eu tenho um sonho de ser um sujeito de muito sucesso, mas não no sentido raso. No sentido artístico mesmo, de ser relevante para a história da música brasileira. É isso que eu quero, é isso que eu tento. Trabalho para isso no sentido artístico. Mas eu sonho com o sucesso popular também. A pessoa que faz canção não pode não querer o sucesso popular. É da canção o sucesso popular. A canção precisa disso. Então eu queria que essas sensações se ampliassem, chegassem a mais gente do que chegam hoje. Eu estou falando num sentido de fazer algo lindo, relevante e que a minha mãe goste, por exemplo. Lógico que não vou chegar ao ápice disso, mas quero chegar o mais perto. Acho que Caetano é o parâmetro mais próximo.
O ideal seria ser acessível como Roberto Carlos e estar antenado como Caetano?
Pois é. Caetano tem 70 anos, tem uma banda com som de Pixies, Sonic Youth, anos 80 e tá ligado. Acho que ele é o modelo. E ele já alcançou as empregadas domésticas. Não no sentido de inconsciente coletivo como o Roberto, mas ao mesmo tempo, ele não corre o risco de se tornar o que se tornou o Tom Jobim, que aprisionam como algo reservado apenas para os melhores ouvintes. Parece que quando o cara é um bom músico, erudito, tem conhecimento, só toca Tom Jobim. Todo resto é uma bobagem. E eu nem gosto de Bossa Nova! Eu gosto de Tom Jobim, do Vinícius e de João Gilberto. Os discípulos de Tom Jobim de hoje é que são péssimos! Um bando de paulistano coxinha, com camisa pra dentro, tosco… Só porque estudaram em Berkeley e sabem umas harmonias… Tom Jobim não era isso, cara!
E como você planeja mostrar sua música para fora de São Paulo?
Esse é um dos planos deste ano. Tentar tocar em festivais pelo Brasil, já que é o jeito de tocar. Eu sempre digo que os meus amigos do Tocantins, do Amapá, de Fortaleza tocam em São Paulo e eu não toco lá. E todos acham São Paulo incrível por causa de todas as unidades do SESC, Studio SP e outros locais. E é curioso que não tem festival em São Paulo. Agora é que está começando um movimento do circuito mesmo: a Alavanca; a galera das festas que montou o Neu; o núcleo terrorista da TramaVirtual que leva gente para a TV Cultura… Continua tudo na raça ainda. Mas espero que seja cada vez mais representativo, para que esses movimentos consigam se profissionalizar. Não é possível que São Paulo não tenha essa vocação.
Ouvindo Música / No Ar Coquetel Molotov
Show com Rômulo Fróes Local: Santander Cultural – Av. Rio Branco – Recife Antigo Data: Sábado – 18 de setembro – 17h Ingressos: R$ 5,00 (inteira) e R$ 2,50 (meia)
Conexão Vivo e Governo da Bahia apresentam a Etapa Salvador do festival No Ar Coquetel Molotov, que coloca seus ingressos à venda. Nos dias 25 e 26 de setembro, o público baiano poderá conferir shows com atrações nacionais e internacionais na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Dubstereo, SoKo (França), Céu, A Banda de Joseph Tourton, Cidadão Instigado e Dinosaur Jr (EUA) são as atrações do evento, que coloca seus ingressos à venda na bilheteria do TCA e no SAC dos Shoppings Iguatemi e Barra. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para cada dia de shows.