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sexta-feira, setembro 11th, 2009

CLIPPING: Estado de Minas – 10/09/2009

De volta para o futuro

Destinado ao público jovem, festival indie convoca Milton Nascimento e Lô Borges ao palco

Mariana Peixoto

Lô Borges já ouviu falar, conhece um pouco da história do evento, mas Milton Nascimento não disfarça: até ser informado por um jornalista pernambucano, não tinha o menor conhecimento de que na próxima semana participará do show de encerramento do Coquetel Molotov. Entre os festivais de maior porte que são realizados no país, o pernambucano é, de longe, o mais indie. Nas cinco edições anteriores, apresentou alguns grupos alternativos até mesmo para os fãs dos alternativos. Majoritariamente, o elenco de atrações é formado por jovens artistas.

Esta edição, que começa segunda-feira e vai até o dia 19, marcou duas bolas dentro: as noites do principal palco (o Teatro Guararapes, o maior daquele estado, comporta 2,3 mil pessoas) serão fechadas por atrações que vão além do chamado público indie. Dia 18, o show será da banda norte-americana Beirut, que vem fazendo a turnê mais concorrida deste mês, com ingressos esgotados no Rio, São Paulo e Salvador. Sábado, Lô e Milton, 37 anos depois do lançamento do clássico Clube da esquina, encontram-se no palco pela segunda vez este ano.

O show, na verdade, é de Lô. Com sua banda – Giuliano Fernandes (guitarra), Barral (teclados), Robinson Matos (bateria) e Renato Valente (contrabaixo) –, ele vai apresentar o apanhado de seus trabalhos mais recentes. Com Milton serão oito canções, do repertório de 20. Com a entrada de Bituca, a banda ganha mais peso, pois serão mais uma guitarra (Wilson Lopes) e outra bateria (Lincoln Cheib, ambos instrumentistas que acompanham o cantor).

O convite nasceu depois do evento que, em abril, levou vários artistas do Clube para temporada no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Milton e Lô subiram ao palco pela primeira vez em quatro anos. A boa repercussão fez surgir a oportunidade no Coquetel Molotov. Outros shows da nova velha dupla vêm sendo agendados para os próximos meses.

Tocar para jovens plateias está longe de representar novidade para os dois. Mas Lô admite: é a primeira vez que ele participa de um festival do gênero. “Meu público já tem muita gente nova, mas festival mesmo, com o perfil do Coquetel Molotov, nunca havia feito”, diz ele, que, com a passagem dos anos não mudou seu gosto musical. Continua ouvindo rock inglês: “Radiohead, Coldplay, Travis e até mesmo Oasis.” Milton afirma que, depois de lhe explicarem do que se tratava o show no Recife, gostou muito da ideia. “Se tem gente da França e da Suécia, então está dentro da minha vida. Ocorre que o Clube da Esquina está mexendo com mais gente hoje do que na época em que foi lançado. Os dois discos duplos remasterizados (Clube da Esquina e Clube da Esquina 2, de 1972 e 1978, restaurados por João Marcello Bôscoli e relançados no fim de 2007) foram para o mundo inteiro. Tem um monte de gente procurando e até mesmo estudando a gente”, comenta o compositor.

Trata-se de gente que, por sinal, nem havia nascido no início da década de 1970. E de gente, relata Milton, que vive muito longe do Brasil e, por causa dos discos, interessou-se em conhecer a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Bairro Santa Tereza, em BH. “Principalmente japoneses e noruegueses”, informa. Mas, nesse reencontro, as músicas estão diferentes das gravações originais. “A nova banda deu sotaque diferente às canções antigas, unificando e modernizando, por exemplo, Girassol da cor do seu cabelo e Para Lennon e McCartney”, diz Lô. Na quarta-feira, músicos das duas bandas vão ensaiar o repertório conjunto. Milton não vem a Belo Horizonte para o ensaio.

Antes do reencontro em abril, Lô havia participado, em 2005, de um show de Milton em Paris. “Como é um cara que tem mais público do que eu, o normal seria ele me convidar. E o Milton, gentilmente, aceitou ser meu convidado. Achei humildade dele participar do meu show”. Milton, por seu lado, devolve a gentileza: “Sempre fui aberto para coisas novas – não só no Brasil, mas também no exterior. Fazer esse show me dá uma felicidade dobrada, pois o Lô é um dos caras de quem mais gosto.” Quanto a reproduzir o álbum inteiro de 1972 no palco, sonho de muita gente, Milton pisa no freio: “Por enquanto, está bom desse jeito. É melhor cantar apenas algumas músicas.”

Mix de canções - Das oito músicas que Lô e Milton vão cantar juntos, cinco são do álbum Clube da esquina (Cais, Nuvem cigana, Nada será como antes e Um girassol da cor do seu cabelo, além da canção que batizou o disco, a primeira parceria entre os dois). O repertório conta ainda com Resposta (Samuel Rosa e Nando Reis), gravada por Lô e Milton no álbum Crooner (1999); Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio e Lô Borges), gravada pela dupla em 2003 (Milton, no álbum Pietá; Lô, em Um dia e meio); e Para Lennon e McCartney, essa a primeira composição de Lô (parceria com Márcio Borges e Fernando Brant) que Milton registrou em seu disco de 1970. No dia 19, também será lançado, no Recife, o livro Coração americano – 35 anos do álbum Clube da Esquina, organizado por Andreá Estanislau.

quarta-feira, setembro 9th, 2009

CLIPPING: Jornal do Commercio – 09/09/2009

Milton Nascimento (Foto: Leo Siqueira)


Bituca bem à vontade no Coquetel Molotov

Convite para participar do festival é uma oportunidade para ele se reencontrar com o amigo Lô Borges e reviver os tempos do Clube da Esquina. Milton espera ainda por canja de Naná

José Teles
teles@jc.com.br

Muita gente pode estranhar a presença de Milton Nascimento e Lô Borges num festival rotulado de indie como o No Ar Coquetel Molotov, que acontece de 14 a 19, no Teatro Guararapes, com atrações do pop alternativo nacional e gringas, a exemplo dos franceses Sebastien Tellier e Zombie Zombie, ou as suecas da Those Dancing Days. Estão esquecidos que Bituca (era seu apelido) e sua turma do Clube da Esquina já foram o alternativo da música brasileira no início dos anos 70. Com Lô Borges, Novelli, Robertinho, Márcio Borges e Beto Guedes criaram um som até admirado no mundo inteiro: “Muita gente, muitos estrangeiros vão a Belo Horizonte querendo conhecer o tal Clube da Esquina, que nunca existiu. É só a esquina de duas ruas da cidade”, ri Milton, ao telefone.

Quando se fala do álbum Clube da Esquina, o primeiro, lançado em 1972, vê-se ali a influência dos Beatles. Milton não a nega, mas diz que a inquietação era uma síndrome que existia mundo afora na época. “Os Beatles marcaram a vida do mundo, mudaram muita coisa. Naquele tempo o mundo inteiro estava se modificando, na música, no cinema, na literatura. O que acontecia na Inglaterra, acontecia no Japão. No Brasil acontecia da mesma forma. Agora, pelo fato de ser um país pobre, não se tomou conhecimento lá fora, na época. Hoje a música do Clube da Esquina é admirada em todo lugar”, diz.

Milton Nascimento diz ter aceitado o convite do Coquetel Molotov, por dois motivos: “Primeiro, porque adoro o trabalho de Lô Borges, a música dele. Quando ele começou a compor para o Clube da Esquina estava com apenas 17 anos e fazer show com ele nos remete àquele tempo. Passamos muito tempo sem fazer apresentações juntos. depois porque tenho uma coisa com o Recife. Quando soube que era com Lô e no Recife, não pensei duas vezes. Naquele show que fizemos no Marco Zero, no Carnaval, de repente, no céu aconteceu uma coisa, a lua com as estrelas, não sei explicar bem o que foi, mas foi fantástico.”

Quanto a tocar num festival em que predomina o pop e o rock, para Bituca não é problema algum, pelo contrário. “Comecei com Travessia, tudo bem foi um marco, mas minha música não era só aquela. O lance é o seguinte: nunca tive problema de fazer um tipo de música e ficar naquilo. Participei de um conjunto de baile, e tinha que tocar música de todas as partes do mundo. Tocava rock, mambo, chá-chá-chá, então desde Três Pontas (MG), minha vida é assim”.

Milton conta que no ano passado, quando esteve na França para o lançamento do disco que gravou com os irmãos Belmondo (o saxofonista Lionel e trompetista Stéphane), acompanhado pelas Orchestre National d”Ile-de-France, numa entrevista perguntaram se ele sentia dificuldade em cantar com uma orquestra: “Respondi que já havia cantado com umas vinte orquestras e não via dificuldade alguma em fazer isto. Perguntei se ele sabia que eu havia gravado com Duran Duran. Ele se surpreendeu, mais ainda quando perguntei se sabia que eu havia gravado até heavy metal. E contei de uma gravação que fiz num disco do Angra. O cara então não perguntou mais nada”.

O que liga Milton ainda mais ao Recife é a amizade com Naná Vasconcelos, iniciada quando o percussionista foi morar no Rio, no final de 1968: “Com Naná o lance começou quando fui assistir a um ensaio de um grupo de pernambucanos. Fiquei meio afastado para não atrapalhar. Então Naná, que eu não conhecia, veio até onde eu estava e disse: ‘Vim para o Rio tocar com você’. Foi assim mesmo. No outro dia, ele já estava morando na minha casa”. Isto sinaliza para um possível reencontro no palco, se o percussionista estiver no Recife. “Seria muito bom que isto acontecesse. Sou louco por Naná. Se ele quiser dar uma canja, para mim será uma dádiva divina”.

quarta-feira, agosto 26th, 2009

No Ar Coquetel Molotov conecta gerações na música

Beirut

O festival No Ar Coquetel Molotov chega ao seu sexto ano de vida, trazendo boas surpresas para o público que vem acompanhando a trajetória do evento. O encontro especial de Lô Borges e Milton Nascimento com um repertório especial do Clube da Esquina é o ponto alto da programação que traz ainda a tão aguardada Beirut, que vem ao Brasil através do Percpan.

E pensando em acomodar melhor tanto o público que cresce no evento, como ainda atender a antigas demandas de localização e acesso, o festival No Ar muda de local neste ano e passa a acontecer no Centro de Convenções de Pernambuco, nos limites entre Recife e Olinda, com shows no Teatro Guararapes e no Auditório Tabocas, nos dias 18 e 19 de setembro. Os showcases no Auditório Tabocas começam a partir das 17h na sexta-feira e às 16h, no sábado. No Teatro Guararapes, os shows têm início às 21h no primeiro dia e começam uma hora mais cedo no dia seguinte, a partir das 20h.

A Feira Cultural, que acontece no Hall do Centro de Convenções, bem como as apresentações no Auditório Tabocas possuem acesso gratuito. Apenas os shows no Teatro Guararapes possuem cobrança de ingressos, que custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) com venda antecipada nas lojas Chili Beans (Shopping Tacaruna, Plaza Casa Forte e Shopping Recife) e na 3 Meninas, no Paço Alfândega. Pessoas do interior de Pernambuco e de outros estados podem reservar seus ingressos pelo e-mail coquetelmolotov@coquetelmolotov. com.br e aguardar as instruções.

No entanto, antes de se transferir para o local dos shows, o festival organiza uma programação estendida na semana que antecedem as principais atrações com uma série de debates, workshops, mostra de filmes e pocket-shows. Esta série de eventos faz parte da programação da Plataforma Integrada de Encontros Musicais, que ocupa o Centro Tecnológico de Cultura Digital no Nascedouro de Peixinhos e ainda o Teatro Apolo e a Torre Malakoff, ambas no Recife Antigo, entre os dias 14 e 17 de setembro com entrada aberta ao público.