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sábado, setembro 25th, 2010

CLIPPING: A noite foi de Otto no primeiro dia do No Ar Coquetel Molotov

Paulo Floro *
Do JC Online

A escalação de Otto mostra a visão apurada da produção do festival em enxergar o emergente crescimento de um artista como ele

Otto - Foto: Caroline Bittencourt

Otto conseguiu atender a todo hype que lhe foi atribuído nesse primeiro dia do No Ar Coquetel Molotov nessa sexta-feira (24). A produção pensou para o cantor um show mais intimista, diferentemente do que estamos acostumados a imaginar de uma performance de Otto. O bom foi que ele desobeceu tudo e aproveitou para fazer do palco do Teatro da UFPE a sua redenção. Seu passe, enfim, para um novo patamar em sua carreira, longe dos aficcionados herdeiros do mangue e mais popular. A visão mais emblemática do show são as meninas gritando enlouquecidamente, driblando os seguranças para dançar com o cantor, cantando as letras decoradas do mais recente disco, talvez empulsionadas pela visibilidade ganha com a veiculação na antiga novela das oito da Globo.

A escalação de Otto mostra a visão apurada da produção do festival em enxergar o emergente crescimento de um artista como ele. Mas também o interesse em agregar nomes mais populares para um festival que passou anos colado ao moribundo adjetivo de “indie”, ou seja, aquelas bandas alternativas que ninguém conhece. O teatro lotado, com todo mundo cantando junto, mostra o quanto o No Ar está consciente da importância de ser o mais relevante festival do Estado. Mas isso não deixa de lado o papel de formador de novas plateias, trazendo novidades do pop atual, como Miike Snow.

Voltando à Otto, seu show teve tudo o que se esperava dele: tirou a camisa, rebolou, jogou água na cabeça. Era difícil acompanhá-lo, estava sempre a correr de um canto a outro do palco e chegou até a ir para a plateia, andando com dificuldade até a metade das cadeiras. Tocou quase todas as músicas do mais recente álbum, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, como “Saudade”, “Crua”, “Seis Minutos” e “Janaína”. Contou também com uma banda de luxo, formada por Fernando Catatau, do Cidadão Instigado e Pupilo, da Nação Zumbi. A noite ainda ficou marcada pelas memórias de Otto, falando de sua juventude no bairro da Cidade Universitária, romantizando lembranças da linha Rio Doce-CDU, estripulias na Mustardinha e na avenida Caxangá.

Foi um dos shows de maior aclamação pública do festival nesses últimos anos. Antes dele, os suecos do Miike Snow fizeram sua mistura muito bem feita de rock e eletrônica e mostraram que já colecionam hits com tão pouco tempo de estrada. “Animal” e “Silvia” fizeram todo mundo pular, no pequeno espaço entre as cadeiras e o palco. Conhecidos pelos trabalhos como produtores de artistas como Britney Spears e Madonna eles vêm se destacando no mundo por esse rock dançante pensado para as pistas. O show foi tão vigoroso, sem interrupções nem conversa, que quando menos percebemos, já acabou.

A decepção da noite foi Soko, a cantora francesa tida como nova promessa entre as cantoras saídas da cena independente. Reclamou do som, apostou – errado – no carisma para conversar com o público em várias interrupções do público e mostrou um desempenho vocal muito mediano. Cantando sobre decepções com homens, desaforos contra ex-namorados, a cantora fez um show desencontrado. Talvez ainda não esteja madura o suficiente para um show da dimensão que recebeu. Como promessa, Soko até convence, mas precisa amadurecer. O momento alto do show foi quando chamou para fazelr figuração no palco músicos catados nos bastidores horas antes. Bárbara Formiga, Bruno Negaum e as suecas do Taxi Taxi foram subaproveitados gritando e assobiando enquanto Soko, histérica, tocava bateria e cantava.

Neste sábado, o No Ar Coquetel Molotov traz a lenda do rock, Dinosaur Jr., além da surpresa do rap nacional Emicida. Ainda há ingressos à venda. E pernambucanos tem sorte, já que shows do Dinosaur Jr. em outras cidades estão com ingressos esgotados.


* Texto publicado originalmente no site JC Online.

sábado, setembro 25th, 2010

CLIPPING: Um dinossauro dos anos 80

Por José Teles *

Dinosaur Jr

A Dinosaur Jr., que toca hoje no Teatro da UFPE fechando a programação do festival No Ar Coquetel Molotov, é daquelas bandas que merecem o exaurido termo “seminal”. Ela surgiu em meados dos anos 80, quando as paradas eram dominadas por nomes como Van Halen, Michael Jackson, Guns ‘n’ Roses, Bon Jovi ou o metal glamourizado do Mötley Crüe e Twisted Sisters. Porém, na contramão do status quo pop, surgia uma nova onda, logo rotulada de “alternativa”. À frente dela estavam a Dinosaur Jr., Sonic Youth e outras bandas que mudariam o curso do rock and roll.

É até estranho que esta turnê que J. Mascis, Lou Barlow (baixo), e Murph (bateria) estão fazendo (tocam amanhã em Salvador, na edição soteropolitana do Coquetel Molotov) seja a estreia do grupo em palcos brasileiros. J. Mascis, vocalista e guitarrista, dizia ontem que não tinha ideia porque o grupo nunca veio ao Brasil: “Não temos ideia, nem sequer perguntei para alguém. Espero ter uma boa surpresa. Não conheço música brasileira, só sei que sempre quis tocar aí”. O trio, nascido em 1984, em Amherst, Massachusetts, fechou para balanço em 1997 e voltou à estrada há cinco anos. Pelo visto com todo gás, com um repertório meio coletânea: “Eu vou com os caras antigos (Lou Barlow e Murph). Vamos tocar muitos hits de quase todos os discos. Só não terá músicas do álbum do Fog”. O Fog a que ele se refere é a banda que formou em 1999, e com a qual gravou dois CDs.

O fim do grupo em 1997, deve-se à roda viva em que se meteu depois de vender milhões de discos, por uma grande gravadora. Embora Mascis tenha sabido conviver com o sucesso, ao contrário do contemporâneo Kurt Cobain, que não conseguiu equacionar o dilema de ser alternativo e, ao mesmo tempo, idolatrado por milhões de fãs: “Acho que quando começamos éramos uma banda alternativa, com certeza. Nem tínhamos fãs. Mas sabíamos que tipo de música queríamos fazer e escutar. Não tínhamos ideia que iríamos parar em uma major e vender tantos discos”, diz Mascis, garantindo que foram aparadas as arestas que levaram à dissolução da Dinosaur Jr.: “A nossa relação está boa agora”.

Em anos recentes tem-se visto o reagrupamento de várias bandas dos anos 80 e 90 (e até dos 60). J. Mascis tem uma resposta simples para o fenômeno: “Eu acho que existe o interesse em música boa. Quando você gosta de um disco, você sempre vai gostar do disco e isso vai criando mais fãs com o tempo”. O documentário The year punk broke, dirigido por Dave Markey, que registra a turnê europeia da Sonic Youth, em 1991, lançou os holofotes também sobre a Dinosaur Jr., e foi fundamental para tornar o grupo mais conhecido fora dos EUA. Mascis concorda com a importância do filme de Markey: “Sim. Foi ótimo ver o Nirvana crescer. Ver algo que deveria acontecer, acontecendo. As coisas no universo parece que fizeram sentido por um momento. Embora tenha ficado famoso pela quantidade de decibéis que extrai dos amplificadores nos shows da Dinosaur Jr, J. Mascis adianta que acabou de gravar um disco acústico, que será lançado no próximo ano.

* Publicado no Jornal do Commercio - Caderno C – 25/09/2010

domingo, agosto 29th, 2010

Credenciamento de Imprensa

O festival No Ar Coquetel Molotov abre seu credenciamento para a imprensa que deseja cobrir o evento nos dias de show no Centro de Convenções da UFPE. Envie sua solicitação de credenciamento até o dia 17/09 (a data não será prorrogada) com os seus dados pessoais e profissionais neste link.
Será permitido o credenciamento de até duas pessoas por veículo impresso e apenas uma para veículos on-line (com mais de 1 ano de existência). Teremos fotógrafo exclusivo para a cobertura do evento que vai disponibilizar as fotos em nosso flickr.
A entrega de credenciais será realizada no dia 24/09 antes dos shows no Centro de Convenções da UFPE no período da tarde. Todos os pedidos serão avaliados e em caso positivo, os jornalistas serão contactados por email com a confirmação de seu credenciamento.