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quarta-feira, setembro 15th, 2010

Mostra Play The Movie traz filmes inéditos e cine-concertos pro No Ar

Dub Echoes (Foto: Felipe Continentino)

Documentários inéditos e filmes de cineastas independentes de várias partes do país integram a programação da Mostra Play The Movie. De norte a sul do país, diversos personagens e cenas musicais dialogam entre si na mostra deste ano, montando um belo quebra cabeça de estilos e gêneros. A Play The Movie volta a acontecer no Cine-Teatro Apolo, entre os dias 20 e 23 de setembro, com sessões a partir das 18h e com entrada gratuita.

As bandas Anjo Gabriel e Adis Abeba Dub fazem cine-concertos nesta edição da mostra apresentando ao vivo suas músicas como trilha para outros filmes. No terceiro dia de exibição, o DJ Patrick Tor4 apresenta sua discotecagem após a exibição de “Brega S/A”. O último dia da mostra traz como destaque o longa de ficção “Bitols”, de André Arietta, com as desventuras de uma banda de rock gaúcha no começo dos anos 90, em meio a imagens de época.

SEG – 20/09

18h00 – Freestyle: Uma forma de vida (2008) – 45 min
Dir: Pedro Gomes

Com diversas exibições mundo a fora e muitos prêmios recebidos, o filme traz imagens das “batalhas” e depoimentos de diversos rappers e MCs da cena hip hop paulistana. Desde os primeiros passos do gênero, nos EUA dos anos 1970, o freestyle – a rima de improviso, criada no calor do momento – anda lado a lado do seu primo mais famoso, seja em improvisos feitos por MCs famosos em grandes shows, seja em “batalhas” espontâneas nas esquinas das periferias. No Brasil, as rinhas de MCs voltaram com toda a força e transformaram jovens MCs em novos repentistas urbanos, falando com a crueza e malandragem típica das nossas ruas. Nomes de destaque no rap nacional estão no filme a exemplo de KL Jay, Kamau, Slim e Emicida.

18h50 – Dub Echoes (2008) – 80 min
Dir: Bruno Natal

“Dub Echoes” é um documentário definitivo sobre o Dub. Este ramo do reggae tem influenciado com sua cadência e suas batidas uma incrível variedade de artistas dentro e fora da Jamaica, dos anos 60 até hoje. E é mostrando personagens, protagonistas do Dub desta época que o filme ganha em importância. Além de apresentar entrevistas com nomes essenciais do gênero como U Roy, Lee Perry, Sly Dunbar e Mad Professor, “Dub Echoes” ainda mostra gente da atualidade como 2ManyDjs, Black Alien, Mario Caldato Jr e Basement Jaxx falando sobre a influência do ritmo em suas músicas. Ao longo do filme, conhecemos como a cultura musical dos Sound Systems na Jamaica influenciou alguns dos estilos musicais como hip hop e a música eletrônica ajudando a levar o Dub em novas direções.

20h30 – Cine-concerto: Adis Abbeba Dub (PE)
www.myspace.com/addisabebadub
Filme: “Operação Dragão” (1973)


TER – 21/09

18h00 – Cantoras do Rádio (2009) – 81 min
Dir: Cristiano Xavier de Oliveira

O documentário resgata passagens da Era de Ouro do rádio, entre 1930 e 1950, período no qual o rádio se consolidou como o veículo de massas no Brasil. O fio condutor do filme é o show Estão Voltando as Flores, Teatro Rival, no Rio de Janeiro, com direção e roteiro do pesquisador Ricardo Cravo Albin, no qual se apresentaram quatro expoentes da época: Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. O espetáculo faz homenagem justamente às maiores divas da canção do rádio brasileiro: Carmen Miranda, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Linda Batista, Dircinha Batista, Isaura Garcia e Nora Ney.

19h30 – Moleques Maravilhosos (2010) – 30 min
Dir: Cristiano Bastos e Pedro Hahn

Em julho de 2009, o jornalista Cristiano Bastos e o cineasta Pedro Hahn viajaram até Salvador com a missão de encontrar personagens que conviveram com Raul Seixas em seus primeiros anos de sua carreira musical. A ideia era produzir um documentário “câmera na mão” para acompanhar uma matéria impressa em uma revista falando sobre os 20 anos sem Raulzito. Surgem no filme, personagens como Thildo Gama, com o qual Raul montou sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, em 1961 e Waldir “Big Ben” Serrão, amigo de infância e primeiro a gravar uma composição sua, “O Crivo”.

20h30 – Cine-concerto: Anjo Gabriel (PE)
www.myspace.com/bandaanjogabriel
Filme: “Lucifer Rising” (1972)


QUA – 22/09

18h00 – O Rei da Munganga (2008) – 70 min
Dir: Carolina Paiva

Em 2004, quando Genival Lacerda foi convidado para fazer uma participação especial em um filme de ficção, nem o cantor nem a diretora poderiam imaginar que dali surgiria uma produtiva parceria. Carolina Paiva começou a seguir Genival e gravar entrevistas e seus shows ao vivo. A partir deste material, a cineasta montou este documentário sobre este cantor de letras escrachadas e jeitão inconfundível. Prestes a completar 80 anos de idade e ainda na ativa, Genival Lacerda acumula no currículo sucessos como “Severina Xique Xique”, “De quem é esse jegue?”e “Radinho de Pilha”, além de 40 LPs lançados e inúmeros CDs. Sem dúvida um verdadeiro ícone da música popular brasileira.

19h10 – Do Morro? (2010) – 20 min
Dir: Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro

Sensação do Cine-PE 2010 e vencedor da Semana Paulistana de Curta-Metragem. “Do Morro?” conta a incrível história do cantor e fenômeno dos subúrbios recifenses João do Morro. O curta, dirigido por Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro mostra como João do Morro é um desses raros casos na música pernambucana, que dialoga e transita entre as boates de classe média e os bailes da periferia. Com base em seus depoimentos escrachados e mais a participação de artistas, especialistas em música, ativistas GLBT e gente comum, o curta é igual ao seu personagem: um cronista urbano.

19h30 – Brega S/A (2009) – 60 min
Dir: Vladimir Cunha

Gravado entre 2006 e 2009, o documentário Brega S/A fala sobre a crescente cena tecnobrega de Belém do Pará. Sem juízos de valor, o filme mostra como este estilo de música e produção dominou a cidade, crescendo à margem da indústria discográfica. Capaz de reunir milhares de pessoas em uma festa, o tecnobrega já tem seus grandes ídolos, mas tritura diariamente centenas de aventureiros que sonham mudar de vida com um único hit.

20h30 – DJ Set: Patrick Tor4 (SE/PA)
www.myspace.com/djpatricktor4


QUI – 23/09

18h00 – Profissão Roadie (2010) – 50 min
Dir: Gabriel Câmara e Gilmar R. Silva

O documentário “Profissão Roadie” lança os holofotes sobre os profissionais que atuam nos bastidores do showbizz. Sem a pretensão de esgotar o assunto, o filme conta quando o mercado de shows começou a se profissionalizar e traça um raio-x das vantagens e desvantagens da profissão, partindo de questões como relacionamento com os músicos, mercado de trabalho, vida na estrada e sexo, drogas e rock’n'roll. Assistentes de palco de Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Marcelo Camelo, Cordel do Fogo Encantado e O Rappa estão presentes neste filme que, mais do que mostrar os artistas, mostra quem são as sombras no palco que fazem os shows funcionarem.

19h00 – Bitols (2010) – 75 min
Dir: André Arieta

Misturando a estética de documentário – com direito à cenas reais da época – e a marca surrealista de uma ficção, Bitols narra uma noite na vida de uma banda underground de Porto Alegre no início dos anos 90, com um nome horrível, futuro incerto e uma mulher misteriosa que causa desavenças internas e adivinha seus futuros. O longa tem um pouco de auto-biografia, já que todos os principais envolvidos, de elenco à direção, vivenciaram uma juventude naquele período em que os Cds eram a grande revolução tecnológica e todos andavam com sua demotape na mochila, à espera do grande momento em que um produtor do centro do país os descobriria. Entre as participações especiais estão nomes de várias gerações da cena artística gaúcha como Plato Divorak, Júpiter Maçã e Carlos Eduardo Miranda.


MOSTRA PLAY THE MOVIE
Local
: Teatro Apolo – Rua do Apolo – Recife Antigo
Data: De 20 a 23 de setembro de 2010
Entrada gratuita
Mais informações
: www.coquetelmolotov.com.br

terça-feira, setembro 14th, 2010

Pátio Sonoro recebe D. Mingus, Debate e The Baggios na próxima sexta (17)

The Baggios - Divulgação

O projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro apresenta na próxima sexta-feira (17) a sua terceira noite de shows. A iniciativa do festival No ar Coquetel Molotov 2010 em parceria com Prefeitura do Recife terá sua próxima edição ao som das bandas D. Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE). As apresentações começam a partir das 21h e são gratuitas.

A primeira atração que sobe ao palco é de casa. D. Mingus, considerado por muitos uma boa surpresa da cena independente pernambucana, abre a noite mostrando seu primeiro álbum “Filmes e Quadrinhos”, que acaba de sair do forno. Musical, poético e imaginário, D. Mingus (o Domingos Sávio) é, como bem disse Claudio Szynkier do portal Trama Virtual, “um dos que despontam no celeiro musical da cidade fazendo uma psicodelia pessoal, de home-studio (quartinho) e, por isso mesmo, localizável em qualquer geografia, topografia (seja praeira, sertaneja, montanhosa) do mundo”. O som de D Mingus conjuga em atitude lo-fi informações como King Crimson, Syd Barrett e Olivia Tremor Control.

A noite segue com a apresentação dos ilustres paulistas do Debate. A banda que entre 2006 e 2008 lançou dois EPs inspirados no math-rock e teve uma elogiada apresentação no No ar Coquetel Molotov 2006, volta ao Recife prometendo abordagens musicais diferentes e métodos de composição renovados. O grupo traz uma nova formação que explora o rock em suas diferentes possibilidades, fazendo as conexões mais improváveis: do pós-punk norte-americano ao jazz holandês. A guitarra e o vocal são do veterano Sérgio Ugeda, figura bastante relevante na música independente nacional e um entusiasta da música nacional experimental.

Finalizando as apresentações da terceira noite do projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro, às 23h acontece o show da banda The Baggios. Formada em 2004, na cidade histórica de São Cristóvão, Sergipe, a The Baggios tem a peculiaridade de ser formada por apenas dois integrantes: Julio Andrade (guitarra e voz) e Gabriel Carvalho (bateria). Embebidos nas águas turvas e viciadas da música negra, os acordes envenenados do duo misturam ritmos tradicionais, como o Blues e o Rock.

Próximas atrações - O projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro prossegue até a próxima quinta (23) no Pátio de São Pedro, trazendo atrações locais e grupos nacionais convidados como aquecimento pro festival No Ar 2010. Os próximos a participarem de shows no local são os grupos Semente de Vulcão (PE), FireFriend (SP) e Guizado (SP).

O ápice do festival No Ar Coquetel Molotov acontece um dia após o término da programação do Pátio Sonoro. O foco das atenções passa a ser o Centro de Convenções da UFPE, que vai abrigar os aguardados shows de Otto (PE), Miike Snow (Suécia), Emicida (SP) e Dinosaur Jr (EUA), entre outros. Os ingressos para estes shows já estão à venda pela internet e nas lojas DeltaExpresso no Recife.

Coquetel Molotov no Pátio Sonoro
Shows com D. Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE)
Data:
Sexta – 17 de setembro – A partir das 21h
Local: Pátio de São Pedro – São José – Recife
Aberto ao público

sábado, setembro 11th, 2010

Entrevista: Rômulo Fróes

Romulo Froes (Foto: Ariel Martini)

No sábado, 18 de setembro, o projeto Ouvindo Música, do Santander Cultural recebe em parceria com o festival No Ar Coquetel Molotov o cantor paulistano Rômulo Fróes. Considerado pela crítica como um dos compositores mais incríveis do início deste século na música brasileira, Rômulo foi do samba ao experimentalismo roqueiro mantendo sempre em sua carreira uma preocupação com a canção. Com três discos lançados, sendo o último “No Chão Sem o Chão” um ousado disco duplo com 33 músicas, o cantor vem ao Recife pela primeira vez e se apresenta em um show solo no local, às 17h, com ingressos a R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

Aqui você confere uma entrevista feita por Stephanie Fernandes, em 2009, durante a época de lançamento de “No Chão Sem o Chão”, onde ele comenta sua carreira artística e mais o processo de gravação e composição do disco.


ENTREVISTA COM RÔMULO FRÓES
Por Stephanie Fernandes

Você tinha dito que esse disco foi o resultado de uma reflexão sobre a canção brasileira. Como foi essa reflexão?
Eu faço parte de uma geração que largou um pouco a canção no sentido mais profundo, de tentar lidar com a história da canção. Ao mesmo tempo em que eu faço música para uma geração que gosta da canção. Mas não no sentido pragmático que nem o meu, de tentar contribuir para novos caminhos para ela. Minha geração é uma geração que tem uma contribuição imensa no som da música brasileira. Curumin, Kassin, Catatau, Instituto… tem uma turma imensa que deu uma contribuição bacana pro som da música brasileira. Não é à toa que o Caetano tá fazendo um som, e tá fazendo um som que ele nunca fez. Ele fez rock, mas não esse rock, que parece Pixies e Sonic Youth. É por causa do Pedro Sá, que é amigo do Kassin, e por causa da galera do Do Amor. Mas eu acho que a galera não quer se meter muito. Eles fazem canção, eles amam canção, e tem canções lindíssimas. Eu não vejo angústia em nenhuma dessas pessoas de querer se meter mais profundamente nessa história das canções.

E acabou fazendo trinta e três canções. Pelo visto, você não se colocou barreiras.
Não, nenhuma. Mas… (pausa) não sei se eu colocava nos outros. Acho que são as circunstâncias da vida. No primeiro disco, eu não tinha referência nenhuma, a única referência é que eu gostava de canção triste, e aí fui e fiz aquele disco. A partir daquilo, no segundo eu já não fui tão impune.

Então o disco novo ficou sem pudores?
Não… (risos) Tem muito pudor. Um pudor, por exemplo, que eu não consegui me livrar ainda é a falta de humor. Tem algum humor em “Caveira”, alguma coisinha, mas eu ainda acho que é um disco sério mais uma vez. Eu estou ouvindo muito o projeto +2 (Kassin, Domenico e Moreno). O +2 tem um relaxamento que eu queria ter, sabe? Um relaxamento assim de “Vamos fazer um som, vamos fazer direito”, e eles fazem. É um relaxamento, um bom humor e tem uma brisa. E é isso que me faltou. É esse meu pudor de fazer canção sem humor. “Caia na Risada”, por exemplo. A música se chama “Caia na risada” e é uma música assim: “Caia na risada / na desgraça / pelo amor de Deus”. Não é engraçado como dá pra ver. (risos) “Caveira” tem mais uma coisa dadaísta, surrealista. Mas não é humor. É como você conversar com uma caveira, tipo “eu perguntei pra caveira e a caveira respondeu”.

Queria falar um pouco sobre a divisão que rolou nos discos. A 1a sessão, “Cala boca já morreu”, é um pouco mais voltada para o experimentalismo no som. E no “Saiba ficar quieto”, 2a sessão, você se soltou mais.
No “Saiba ficar quieto” eu aprendi, na verdade. Enquanto que no “Cala boca já morreu” tem uma coleção de canções que foram feitas simplesmente enquanto a banda nova ia fazendo arranjos para canções que já existiam. Em umas cinco ou seis canções ali, foi um pouco parecido como aconteceu em Cão. No Cão teve um pouco desse negócio. Em umas três ou quatro canções, eu chamei o Gui, Lanny Gordin e Curumin pra botar um rock naquele negócio que eu tava fazendo. E isso continuou… Mas a partir do momento que eu comecei a tocar com eles, a gente começou a compor praquele som. A gente falou: “Ó, as musiquinhas não tão rolando mais nesse som, a gente tem que mudar a chave”. E no primeiro disco já tem exemplos de como tem andado esse negócio. A 1a sessão foi gravada em julho de 2007… Nossa, faz tempo! E a segunda foi gravada em dezembro de 2007. Eu formei essa banda para ir tocar no Reino Unido naquela história do Toca Brahma. Começamos, fizemos um monte de shows em lugares aqui em São Paulo e eu tava com esse som na cabeça. Falei “eu quero registrar essa bagaça, ir pro estúdio!”. Então isso foi registrado sob aquela pressão de ir tocar em Londres. Ficou tudo meio pesadão. Aí as canções mais tristes que tem nesse disco foi uma roubada minha assim. Como eu tava achando que seria só esse disco, então eu parei e pensei “calma aí, ele não pode ser todo assim”… Então eu aprendi, fui tocando e sacando. Os caras também foram mudando um pouco por causa das minhas canções. Acho que o “Saiba ficar quieto” é um aprendizado. Por isso que eu digo que eu lançaria o “Saiba ficar quieto”, com uma ou outra música do “Cala boca já morreu”, porque eu acho que é onde eu aprendi, onde talvez eu tenha conseguido minha voz.

Como você se vê vivendo de música?
Teve uma coisa engraçada que eu presenciei. Eu estava gravando uma canção da Manoela, que é uma cantora baiana, que já tá no segundo disco. Ela vive de música lá em Salvador e tem o circuito dela. Ganha os prêmios da Prefeitura, e com isso ela grava o disco. Aí ela ganha um prêmio da Petrobras pra lançar outro disco, e assim ela vive de música por lá. Mas ela fica lá… ninguém sabe quem é Manoela. Aí a pessoa entra num dilema porque acha que tem que vir pra cá. É curioso isso. Aí o cara vem pra cá e não vai conseguir viver de música. A menos que seja um puta músico que nem o Junior Boca ou o Catatau. O Junior Boca vive de música porque ele toca com a Bárbara Eugênia, toca com o trampo dele, toca com o Cidadão Instigado, toca com Guizado e toca com todo mundo. Mas lá de onde vem, ele poderia viver com o trampo dele. Fazendo só os Miles Davis que ele gosta de fazer. Só que ninguém ia saber quem é o Junior Boca. Esse negócio existe ainda. Não é bobagem esse negócio. Você vive de música mais fora daqui do que aqui. Mas se você quiser ampliar esse universo, as pessoas ainda têm que vir pra cá. O Coquetel Molotov, essa galera do Recife, eu acho muito mais exemplar. É uma loucura como se articulam e ainda trazem bandas da Suécia, fazem festival e todo um movimento.

Você sente dificuldade em ver artistas paulistanos se alavancarem numa cena independente em nível nacional? A Folha de S. Paulo coloca você como alguém que renova a música brasileira, mas você não sai do circuito das casas independentes. O que você acha que está faltando nisso?
Eu acho que isso é uma tentativa do que se fazia nos movimentos musicais. É a mesma história, só que não se cria… Ao invés de todo mundo ter um programa e ter um nome e todos agirem sob esse nome, cada um hoje em dia prefere montar uma banda e cada um leva sua experiência pra essa banda. Eu acho uma experiência sensacional. Então já que é difícil criar um pensamento novo em música brasileira – minha grande tentativa e frustração -, eu fico tentando criar um novo pensamento pra música brasileira. É isso o que me move… E como é difícil fazer isso, a galera tá se juntando pra ter mais força mesmo.

Sendo você de São Paulo e esta sendo uma revista de Pernambuco – será que esse seu álbum, de quebras de linguagem, não representa uma tentativa de expandir, também, públicos?
Não. Eu nunca faço isso pensando em algo. Eu costumo dizer que, se quisesse viver de música, eu não faria um disco duplo com duas sessões, com texto de contracapa, com 33 músicas e com historinha… É demais. Agora, eu tenho um sonho de ser um sujeito de muito sucesso, mas não no sentido raso. No sentido artístico mesmo, de ser relevante para a história da música brasileira. É isso que eu quero, é isso que eu tento. Trabalho para isso no sentido artístico. Mas eu sonho com o sucesso popular também. A pessoa que faz canção não pode não querer o sucesso popular. É da canção o sucesso popular. A canção precisa disso. Então eu queria que essas sensações se ampliassem, chegassem a mais gente do que chegam hoje. Eu estou falando num sentido de fazer algo lindo, relevante e que a minha mãe goste, por exemplo. Lógico que não vou chegar ao ápice disso, mas quero chegar o mais perto. Acho que Caetano é o parâmetro mais próximo.

O ideal seria ser acessível como Roberto Carlos e estar antenado como Caetano?
Pois é. Caetano tem 70 anos, tem uma banda com som de Pixies, Sonic Youth, anos 80 e tá ligado. Acho que ele é o modelo. E ele já alcançou as empregadas domésticas. Não no sentido de inconsciente coletivo como o Roberto, mas ao mesmo tempo, ele não corre o risco de se tornar o que se tornou o Tom Jobim, que aprisionam como algo reservado apenas para os melhores ouvintes. Parece que quando o cara é um bom músico, erudito, tem conhecimento, só toca Tom Jobim. Todo resto é uma bobagem. E eu nem gosto de Bossa Nova! Eu gosto de Tom Jobim, do Vinícius e de João Gilberto. Os discípulos de Tom Jobim de hoje é que são péssimos! Um bando de paulistano coxinha, com camisa pra dentro, tosco… Só porque estudaram em Berkeley e sabem umas harmonias… Tom Jobim não era isso, cara!

E como você planeja mostrar sua música para fora de São Paulo?
Esse é um dos planos deste ano. Tentar tocar em festivais pelo Brasil, já que é o jeito de tocar. Eu sempre digo que os meus amigos do Tocantins, do Amapá, de Fortaleza tocam em São Paulo e eu não toco lá. E todos acham São Paulo incrível por causa de todas as unidades do SESC, Studio SP e outros locais. E é curioso que não tem festival em São Paulo. Agora é que está começando um movimento do circuito mesmo: a Alavanca; a galera das festas que montou o Neu; o núcleo terrorista da TramaVirtual que leva gente para a TV Cultura… Continua tudo na raça ainda. Mas espero que seja cada vez mais representativo, para que esses movimentos consigam se profissionalizar. Não é possível que São Paulo não tenha essa vocação.

Ouvindo Música / No Ar Coquetel Molotov
Show com Rômulo Fróes

Local: Santander Cultural – Av. Rio Branco – Recife Antigo
Data: Sábado – 18 de setembro – 17h
Ingressos: R$ 5,00 (inteira) e R$ 2,50 (meia)

quarta-feira, setembro 8th, 2010

Sweet Fanny Adams e Apanhador Só nesta sexta (10) no Pátio Sonoro

Apanhador Só (Foto: Rafa Rocha)

Prosseguindo com a programação prévia de shows do festival No Ar 2010, o projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro recebe nesta sexta (10/9) as bandas Sweet Fanny Adams (PE) e Apanhador Só (RS). As apresentações ao vivo acontecem no Pátio de São Pedro, em parceria do Coquetel Molotov com a Prefeitura do Recife. Os shows tem início às 21h e são gratuitos.

A primeira atração da noite é do Recife, mas que já conquistou plateias até em outros países. É a banda Sweet Fanny Adams, que em 2009 foi escalada para participar do festival 2009 CMJ Music Marathon & Film Festival, em Nova Iorque, um dos maiores e mais importantes festivais de música independente do mundo e, responsável por revelar grandes nomes da música pop. O grupo, que possui dois EPs gravados, segue uma linha de rock animado e envolvente com influências de Gang of Four e Franz Ferdinand e já teve músicas nas trilhas dos seriados “Alice” (HBO) e “Descolados” (MTV).

Apanhador Só, segunda banda a subir ao palco do projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro, vem de Porto Alegre e está circulando pelo país promovendo seu primeiro disco oficial. Os gaúchos estão indicados na categoria Aposta MTV do VMB 2010 e estão em um belo momento de suas carreiras, com um disco que só tem ganhado elogios por letras caprichadas e instrumentais refinados. E não é apenas isso que torna o disco da Apanhador Só surpreendente. As canções são fruto de longo trabalho de inspiração de Alexandre Kumpinski (voz/guitarra) que procurou incluir nas músicas do grupo diversos gêneros, onde o que mais se aproxima de uma definição é algo como “música popular de espírito aventureiro”.

Próximas atrações - O projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro prossegue até o dia 23 de setembro no Pátio de São Pedro trazendo atrações locais e grupos nacionais convidados como aquecimento pro festival No Ar 2010. Os próximos a participarem de shows no local são os grupos D.Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE), no dia 17 de setembro, e Semente de Vulcão (PE), FireFriend (SP) e Guizado (SP), no dia 23.

O ápice do festival No Ar Coquetel Molotov acontece um dia após o término da programação do Pátio Sonoro. O foco das atenções passa a ser o Centro de Convenções da UFPE, que vai abrigar os aguardados shows de Otto (PE), Miike Snow (Suécia), Emicida (SP) e Dinosaur Jr (EUA), entre outros. Os ingressos para estes shows já estão à venda pela internet e nas lojas DeltaExpresso no Recife.

Coquetel Molotov no Pátio Sonoro
Shows com Sweet Fanny Adams (PE) e Apanhador Só (RS)
Data
: Sexta – 10 de setembro – A partir das 21h
Local: Pátio de São Pedro – São José – Recife
Aberto ao público
Conheça melhor as atrações aqui
: http://www.coquetelmolotov.com.br/blog/atracoes/#header

segunda-feira, agosto 30th, 2010

NO AR COQUETEL MOLOTOV INICIA PROGRAMAÇÃO NO PÁTIO SONORO

Labirinto

O Pátio de São Pedro é o local que dá a partida na programação do festival No Ar Coquetel Molotov deste ano. Com patrocínio do Conexão Vivo e do Programa Petrobras Cultural, o festival se expande em diversas frentes, realizando atividades culturais durante o mês de setembro no Recife.

A programação começa oficialmente na próxima sexta com show das bandas Labirinto (SP) e Team.Radio (PE). A cada semana, o festival promove apresentações ao vivo com bandas locais e atrações nacionais em parceria com a Prefeitura do Recife através do projeto Pátio Sonoro. As apresentações são abertas ao público e começam a partir das 21h.

O ápice do festival acontece um dia após o término da programação do Pátio Sonoro com os shows que acontecem no Centro de Convenções da UFPE. Otto, Miike Snow, Do Amor, Taken By Trees, Emicida e Dinosaur Jr são algumas das atrações do No Ar 2010 nos dias 24 e 25 de setembro. Os ingressos para estes shows já estão à venda pela internet e nas lojas DeltaExpresso no Recife.

Atrações - O septeto paulistano Labirinto foi formado em meados de 2003, por amigos que buscavam materializar suas diversas influências musicais e pessoais, através da composição instrumental. Inspiradas por temas de cinema, bandas experimentais, e referências que vão além da música, as composições do Labirinto procuram criar texturas e climas como a trilha-sonora de um filme. A banda esté em turnê pelo Nordeste divulgando seu recém-lançado disco “Anatema”.

A segunda banda da noite é a pernambucana Team.Radio. O grupo se reuniu em setembro de 2008 no Recife com ideias e composições ainda no papel que aos poucos foram se fomentando e se adequando ao que os integrantes tomam como influências. Estas vão desde o noise do My Bloody Valentine, a melodia e harmonia de Grizzly Bear, The Radio Dept. e Clube da Esquina, sem esquecer da instrumentação e das guitarras altas de bandas como Mogwai. Seu EP de estreia “White Tokyo” conta com 5 faixas foi lançado no final do ano passado.

Coquetel Molotov no Pátio Sonoro
Shows com Labirinto (SP) e Team.Radio (PE)
Data
: Sexta – 03 de setembro – A partir das 21h
Local: Pátio de São Pedro – São José – Recife
Aberto ao público

quarta-feira, agosto 25th, 2010

MIIKE SNOW CONFIRMADO NO FESTIVAL NO AR 2010

O festival No Ar Coquetel Molotov 2010 fecha enfim seu line-up com a confirmação do trio sueco Miike Snow, que passa pelo país em turnê do projeto Popload Gig. O grupo se apresenta no Recife no dia 24 de setembro (sexta) no Teatro da UFPE, na mesma noite que tocam Zé Cafofinho e suas Correntes (PE), SoKo (França) e Otto (PE).

A banda Miike Snow, criada em 2007, logo alcançou projeção mundial quando suas músicas cairam nas pistas de dança de todo o mundo graças ao bom gosto de Djs antenados. O grupo tem experiência em animar pistas, já que é formado pelo cantor e compositor Andrew Wyatt, e pelos produtores Christian Karlsson e Pontus Winnberg, mais conhecidos como Bloodshy & Avant, que já trabalharam em músicas de artistas como Kylie Minogue, Madonna e Britney Spears.

Miike Snow também é um dos grupos mais requisitados atualmente no que se refere a trilhas sonoras. Produtores de TV também aproveitaram a popularidade do grupo e incluíram algumas das canções do disco de estreia do grupo em trilhas sonoras de seriados como “Gossip Girl”, “Chuck” e “Cougar Town”.

quinta-feira, agosto 19th, 2010

NO AR COQUETEL MOLOTOV 2010

Dinosaur Jr

Chegando ao seu 7º ano de vida, o festival No Ar Coquetel Molotov dá mais um passo em sua trajetória marcada por shows memoráveis e por consolidar no Recife um público que prestigia e aplaude calorosamente o evento. Em 2010, apresentado pelo Conexão Vivo e Petrobras, o festival prossegue com uma programação musical que prima pela ousadia e qualidade artística e ainda amplia seus dias de evento com mais oportunidades de aperfeiçoamento técnico e momentos de reflexão cultural.

E se expandindo para além do Recife, o Conexão Vivo apresenta uma edição especial do festival No Ar Coquetel Molotov em Salvador, que conta com aprovação do edital FazCultura, do Governo da Bahia. A edição baiana do festival acontecerá quase que simultaneamente à edição do Recife, com alguns shows em comum e outras atrações exclusivas. Em Salvador, os shows acontecerão na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, nos dias 25 e 26 de setembro, em parceria com a Caderno 2 Produções Artísticas.

Além dos shows nas etapas do festival No Ar Coquetel Molotov no Recife e Salvador, o Coquetel Molotov também realiza mais uma edição do projeto Invasão Sueca, desta vez com atrações femininas vindas da Escandinávia. Taxi Taxi!, Anna Von Hausswoff e Taken By Trees fazem shows no Recife nos dias 24 e 25 de setembro e se apresentam também em Fortaleza, no Órbita Bar, no dia 26, e em São Paulo, com shows no SESC Pompeia nos dias 24 (Taken By Trees e Anna Von Hausswolff) e 30 (Taxi Taxi!).

Atrações – Após uma maratona de quase um mês de atividades, o festival No Ar Coquetel Molotov 2010 atinge seu auge nos dias 24 e 25 de setembro, de volta ao Centro de Convenções da UFPE, palco que sediou shows memoráveis na história do evento como o Teenage Fanclub, em sua primeira edição, os americanos do Tortoise, em 2006, e o encontro de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, em 2008. Além do palco principal, no Teatro da UFPE, o festival realiza uma “matinê” de apresentações ao vivo na Sala Cine UFPE, agora reformada e com maior capacidade para o público.

Será na Sala Cine UFPE onde se apresentarão os grupos Voyeur (PE), Massarock (SP), Taxi Taxi! (Suécia) e Bemba Trio (BA), na sexta-feira, a partir das 17h. No sábado, no mesmo horário é a vez de shows com os grupos Wassab (PE), Ubella Preta (PB), Anna Von Hausswoff (Suécia) e Do Amor (RJ). O acesso para os shows neste espaço é gratuito.


Teatro
– O grande destaque e que encerra a primeira noite de evento no Teatro da UFPE é o cantor pernambucano Otto, que mostra com sua grande banda o repertório do incrível disco “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos”. Otto não se apresenta no Recife desde o carnaval, mas de lá até agora, ele tem alcançado vôos cada vez maiores, tendo sido headliner na edição baiana do Conexão Vivo e com música até em trilha de novela.

Antes dele, é a vez de uma grande atração internacional que vem ao país pela primeira vez e que também aporta no Recife, o trio sueco Miike Snow. A banda, criada em 2007, logo alcançou projeção mundial quando suas músicas cairam nas pistas de dança de todo o mundo graças ao bom gosto de Djs antenados. O grupo tem experiência em animar pistas, já que é formado pelo cantor e compositor Andrew Wyatt, e pelos produtores Christian Karlsson e Pontus Winnberg, mais conhecidos como Bloodshy & Avant, que já trabalharam em músicas de artistas como Kylie Minogue, Madonna e Britney Spears. Miike Snow também é um dos grupos mais requisitados atualmente no que se refere a trilhas sonoras. Produtores de TV também aproveitaram a popularidade do grupo e incluíram algumas das canções do disco de estreia do grupo em trilhas sonoras de seriados como “Gossip Girl”, “Chuck” e “Cougar Town”.

Na sexta-feira, apresentam-se também a cantora francesa SoKo e Zé Cafofinho e Suas Correntes. Com canções simples de melodias cativantes e de letras intensas tal qual seu primeiro hit “I’ll kill her”, a jovem SoKo surgiu como um fenômeno do MySpace e hoje em dia já consegue fazer shows com ingressos esgotados na Escandinávia, Inglaterra e Austrália. Imagine o encontro entre Beirut e Bezerra da Silva. Assim pode ser descrita rapidamente a música que o multi-instrumentista Tiago Andrade, conhecido como Zé Cafofinho, faz com sua banda. Maduro na inventividade e seguro em seu olhar poético e social, “Dança da noite”, seu segundo disco traz participações especiais de Arnaldo Antunes e Rildo Hora.

A noite de sábado no Teatro da UFPE começa com o show de lançamento do disco de estreia dos pernambucanos da A Banda de Joseph Tourton. O grupo, que foi alçado a condição de revelação no festival No Ar 2008, agora retorna ao evento tocando as composições de seu disco, produzido por Felipe S e Marcelo Machado, da Mombojó, e contemplado pelo Programa Petrobras Cultural. A banda, de som instrumental, apresenta um som maduro e repleto de referências que vão de grupos como Hurtmold e Tortoise a Nação Zumbi e Asian Dub Foundation.

A cantora Victoria Bergsman dá continuidade à noite de shows com seu projeto solo Taken By Trees. Victoria, que é uma das fundadoras do The Concretes, é bem conhecida mundo afora por sua parceria nos vocais com o trio Peter Bjorn and John no hit “Young Folks”. Apesar da veia pop inerente, Victoria curte o experimentalismo musical de grupos como Animal Collective, de quem fez uma versão para a música “My Girls”, presente em seu segundo e mais recente disco, “East of Eden”, gravado no Paquistão com percussões, flautas e instrumentos de corda da cultura Sufi.

Dando voz à um dos mais versáteis rappers da atualidade, o No Ar 2010 vem trazendo pela primeira vez ao Recife o EMICIDA. Nome da vez no hip hop brasileiro, Roque de Oliveira fez do apelido uma sigla que significa “Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte”. EMICIDA coleciona um grande número de vitórias incontestáveis contra seus adversários em batalhas de rap e improviso, graças a suas rimas precisamente ácidas e debochadas. Suas mixtapes vendem pela Internet como água em dia quente porque ele consegue com versatilidade, descontração na medida certa e profundidade literária fazer um rap que conquista qualquer espectador em seus shows.

E finalmente, encerrando a última noite de eventos, o festival No Ar Coquetel Molotov tem a honra de apresentar em solo recifense um dos maiores ícones do rock alternativo dos anos 90: Dinosaur Jr. Com guitarras altas, distorção e barulho somado a um som temperado por letras depressivas, vocais desleixados e riffs melódicos, o Dinosaur Jr criou um estilo que foi seguido por boa parte do cenário alternativo em meio a um cenário dominado pelo punk e hardcore nos EUA daquela época.

Com mais de 20 anos de estrada, nem mesmo o tempo que J. Mascis e Lou Barlow pararam com a banda e se dedicaram a seus trabakhos solos, no começo dos anos 2000, deixou a banda desmotivada. Os dois últimos discos do Dinosaur Jr receberam muitos elogios da crítica e “Farm” (2009) ficou em 36° lugar entre os 50 melhores álbuns de 2009 do site Pitchfork. Não é à toa que Dinosaur Jr. é citado como grande influência para o Sonic Youth, Nirvana, Mudhoney e toda uma geração de bandas surgidas nos anos 90.

Prévias – Em sua programação oficial, o No Ar 2010, conta com debates, workshops, mostra de filmes, lançamento de livro, exposição e muitos shows. O início do festival
acontece no dia 03 de setembro, com o projeto Coquetel Molotov no Pátio Sonoro, com shows das bandas Team.Radio (PE) e Labirinto (SP) no Pátio de São Pedro. A cada semana, grupos locais e nomes nacionais se apresentam no palco do Pátio de São Pedro em uma parceria do festival com o projeto Pátio Sonoro. As bandas Sweet Fanny Adams (PE), Apanhador Só (RS), D.Mingus (PE), Debate (SP), The Baggios (SE), Semente de Vulcão (PE) e FireFriend (SP) completam a escalação de shows no local.

No dia 18 de setembro, o projeto Ouvindo Música, do Santander Cultural recebe em parceria com o festival No Ar Coquetel Molotov o cantor paulistano Rômulo Fróes. Considerado pela crítica como um dos compositores mais incríveis do início deste século na música brasileira, Rômulo foi do samba ao experimentalismo roqueiro mantendo sempre em sua carreira uma preocupação com a canção. Com três discos lançados, sendo o último “No Chão Sem o Chão” um ousado disco duplo com 33 músicas, o cantor vem ao Recife pela primeira vez e se apresenta em um show solo no local, às 17h, com ingressos a R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

Oficinas – A partir do dia 13, tem início a Plataforma Integrada de Encontros Musicais no Centro Tecnológico de Cultura Digital – Nascedouro de Peixinhos, com oficinas voltadas a comunidade local, com técnicas aplicadas a áreas como empreendedorismo cultural, moda, design e música. As inscrições são gratuitas e limitadas a 20 pessoas em cada dia, mas a preferência nas vagas fica para moradores de Peixinhos. Na semana seguinte, entre os dias 20 e 23, o Memorial Chico Science abriga uma segunda rodada de oficinas, desta vez com conteúdo mais avançados focados na música, com temas sobre Transmissão de Shows na Internet, Remixes musicais e Sound System para produção.

Em um dos dias do Laboratório de Arte, Música e Ideias no Memorial Chico Science, o artista plástico Stephan Doitschinoff, conhecido como “Calma”, realiza um bate-papo com o púbico falando de sua técnica e mostrando um vídeo sobre suas obras. Calma é uma figura singular no mundo dos designers. Influenciado por motivos religiosos, candomblé, umbanda, folclore e gravuras alquímicas, o trabalho dele consegue fundir o universo pop do grafite ao universo devocional medieval. Nos anos 90, antes de trabalhar com murais e telas, o artista fazia cenários de shows de bandas punk e capas de discos.

Debates – Em parceria com a Faculdade Barros Melo – AESO, o festival No Ar 2010 realiza seminários e debates nos dias 22 e 23 de setembro no auditório da faculdade pela manhã. Jornalistas e produtores culturais convidados de outras partes do país participam de discussões sobre temas ligados à crítica musical e a difusão das informações nos meios de comunicação. Nos dias 24 e 25, os debates passam a acontecer no Centro de Convenções da UFPE, focando temas como incentivo cultural privado e mobilização dos agentes culturais nas políticas públicas.

Após os debates nos dias 24 e 25, o Centro de Convenções da UFPE também será o local escolhido parao público conhecer alguns dos mais recentes lançamentos de livros voltados para a área musical. O jornalista e produtora cultural Leo Salazar e o jornalista Hugo Montarroyos vão apresentar ao público seus livros “Música Ltda.” e
Devotos: 20 Anos” respectivamente. Através de um bate-papo, autógrafos e venda dos exemplares, os dois irão falar sobre seus trabalhos.

Cinema – Documentários inéditos e filmes de cineastas independentes de várias partes do país integram a programação da Mostra Play The Movie. De norte a sul do país, diversos personagens e cenas musicais dialogam entre si na mostra deste ano, montando um belo quebra cabeça de estilos e gêneros. A Play The Movie volta a acontecer no Cine-Teatro Apolo, entre os dias 20 e 23 de setembro, com sessões a partir das 17h e com entrada gratuita. As bandas Anjo Gabriel e Adis Abeba Dub fazem cine-concertos nesta edição da mostra apresentando ao vivo suas músicas como trilha para outros filmes. No terceiro dia de exibição, o DJ Patrick Tor4 apresenta sua discotecagem após a exibição de “Brega S/A”.

Entre os demais filmes selecionados estão o documentário “O Rei da Munganga”, de Carolina Pires, sobre a vida e obra do irreverente cantor paraibano Genival Lacerda. A irreverência continua na tela do cinema com a exibição de “Do Morro?”, de Mykaela Plortkin e Rafael Montenegro, com a trajetória do fenômeno João do Morro. O rap e o reggae ganham espaço com a exibição dos documentários “Freestyle: Um estilo de vida”, do cineasta Pedro Gomes, e “Dub Echoes”, de Bruno Natal.

E além dos documentários apresentados, a Mostra Play The Movie deste ano encerra com a ficção “Bitols”, de André Arieta. Evidente troça com o nome do quarteto de Liverpool, “Bitols” narra uma noite dos anos 90 na vida dessa fictícia banda gaúcha, entremeada por participações especiais e imagens de arquivo de ícones do rock gaúcho como Frank Jorge, Plato Divorak e Júpiter Maçã.

Histórico – Antes de se tornar festival, o Coquetel Molotov surgiu como um programa de rádio. Foi no ano 2000, quando o embrião deste projeto apareceu pelas mentes de Tathianna Nunes, Viviane Menezes e Thiago Marinho em um programa piloto, que em pouco tempo passou a ser veiculado duas vezes por semana, ganhando as colaborações de Ana Garcia e Jarmeson de Lima. O programa Coquetel Molotov, que atualmente é transmitido na Universitária FM, foi por um bom tempo o único programa das rádios FM de Pernambuco que divulgou, de fato, o trabalho dos novos artistas do cenário pernambucano e independente brasileiro. De lá pra cá, o projeto amadureceu e está focado na abertura de um espaço cada vez maior para a valorização dos grupos e artistas independentes.

Mundo Livre S/A, Eddie, Profiterolis, Academia da Berlinda, Devotos, Júlia Says, Siba Vamoz!, China, Isaar, Alessandra Leão, Sweet Fanny Adams, Chambaril e Mombojó foram só algumas das bandas e artistas que passaram pelo programa Coquetel Molotov nos dois últimos anos. E apesar das mudanças em sua equipe principal e as eventuais mudanças de horário e dial, o Coquetel Molotov sempre manteve seu compromisso inicial de “tocar música boa”, seja ela de qualquer estilo e região.

E neste meio tempo, surgiu o festival No Ar Coquetel Molotov, que em sete anos percorreu uma gratificante trajetória, provando que não é preciso subestimar o gosto popular para se fazer um evento de sucesso. O festival, que nasceu no Recife em 2004, surgiu com a necessidade de se tornar um diferencial na região, primando em sua
programação pela criatividade e pela constante inovação. Esta sintonia entre público e produção fez com que o No Ar Coquetel Molotov tenha crescido gradativamente e tenha conseguido lotar a capacidade do local onde é realizado nos últimos anos.
O festival já trouxe ao Recife grupos como Beirut (EUA), Nouvelle Vague (França), Tortoise (EUA), Peter Bjorn and John (Suécia), Spleen (França), Those Dancing Days (Suécia), CocoRosie (EUA), Sebastien Tellier (França) e Teenage Fanclub (Escócia), além de muitos outros. Crescendo a cada ano, o festival se torna sucesso entre público e crítica não apenas por sua programação internacional, mas também pela diversidade de suas atrações locais e nacionais. O foco na qualidade musical está sempre presente no festival, que tem uma preocupação constante em trazer nomes interessantes da cena independente em seus diversos estilos: folk, rock, experimentalismos eletrônicos e o que mais couber.


Conexão Vivo
– Assim como o festival No Ar Coquetel Molotov, dezenas de projetos musicais de todo o país fazem parte do Programa Conexão Vivo, que reúne shows, festivais independentes, gravação de CDs e DVDs, produção de videoclipes, programas de rádio, oficinas e seminários que compõem uma rede nacional e permanente de atividades culturais envolvendo artistas, gestores e produtores culturais, iniciativas públicas e privadas.

O Conexão Vivo realiza ao longo do ano um circuito próprio de eventos onde toda essa diversidade de ações acontece conjuntamente. Além disso, o programa também está presente em muitas das mais importantes iniciativas da cena musical brasileira, seja com o patrocínio de projetos ou parcerias artísticas em eventos de destaque no calendário nacional, e outros festivais independentes.

A construção e articulação de redes culturais nacionais, em diferentes segmentos artísticos, é o foco da Política Cultura da Vivo, que tem no Conexão Vivo uma de suas principais iniciativas. Detalhes sobre as outras linhas de atuação e sobre as formas de participação nos Programas Culturais Vivo estão disponíveis no www.vivo.com.br/cultura. E para saber mais sobre o Conexão Vivo, acesse o portal www.conexaovivo.com.br.

Programa Petrobras Cultural – O festival No Ar Coquetel Molotov é patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural, que apoia iniciativas culturais em todas as regiões do país. Desde que foi criado em 2003, o Programa já patrocinou mais de mil projetos culturais em todos os estados brasileiros.

Este ano, a Petrobras está investindo R$ 3 milhões em 17 festivais de músicas de todas as regiões do país. Os projetos foram contemplados pela seleção pública de festivais realizada no início do ano. Além da área de música, o Programa Petrobras Cultural patrocina projetos de formação e educação para as artes; preservação e memória; artes cênicas; audiovisual; cultura digital e literatura.

Com a seleção pública de festivais, a Petrobras busca proporcionar acesso democrático aos recursos e ampliar o espaço de circulação comercial e cultural da produção
artística brasileira, incentivando ações formadoras de novos públicos e valorizando a cultura brasileira em toda a sua diversidade regional.

Conexão Vivo e Petrobras apresentam:
FESTIVAL NO AR COQUETEL MOLOTOV 2010
De 03 a 23 de setembro: Atividades culturais descentralizadas
Dias 24 e 25 de setembro: Shows no Centro de Convenções da UFPE
Patrocínio:
Petrobras, Vivo, Trident, Fundarpe e Prefeitura do Recife
Apoio Cultural: FADE/UFPE, Faculdade Barros Melo, Red Bull, Literato, Revista Continente, TV
Universitária e Mingus
Ingressos à venda no DeltaExpresso (Shopping Recife, Plaza Casa Forte, Tacaruna e Recife Antigo)
Mais informações: www.coquetelmolotov.com.br

quinta-feira, agosto 19th, 2010

PROGRAMAÇÃO – NO AR COQUETEL MOLOTOV 2010

De 03 a 23 de setembro: Atividades culturais descentralizadas

COQUETEL MOLOTOV NO PÁTIO SONORO – SHOWS

SEX – 03/09 – 21h

Team.Radio (PE) e Labirinto (SP)

SEX – 10/09 – 21h

Sweet Fanny Adams (PE) e Apanhador Só (RS)

SEX – 17/09 – 21h

D.Mingus (PE), Debate (SP) e The Baggios (SE)

QUI – 23/09 – 21h

Semente de Vulcão (PE), FireFriend (SP) e Guizado (SP)

SANTANDER CULTURAL – SHOW

SAB – 18/09 – 17h

Rômulo Fróes (SP)

CTCD / NASCEDOURO DE PEIXINHOS – OFICINAS

SEG – 13/09 – 09h

ECONOMIA SOLIDÁRIA – Trabalhando em conjunto

TER – 14/09 – 09h

MODA – Aprendendo a customizar e criar acessórios

QUA – 15/09 – 09h

DESIGN – Cartazes criativos e divulgações melhores

QUI – 16/09 – 09h

HOME STUDIO – Edição de som em software livre

MEMORIAL CHICO SCIENCE – OFICINAS

SEG – 20/09 – 14h

TRANSMISSÕES ONLINE: Como realizar webcasts ao vivo

TER – 21/09 – 14h

REMIXANDO – Criando novas músicas com loops e beats

QUA – 22/09 – 14h

TECNOMELODY: Das aparelhagens aos batidões

QUI – 23/09 – 10h

MURAIS URBANOS: Técnica de criação

QUI – 23/09 – 14h

ANATOMIA DE UM SOUND SYSTEM – Improvisação com rimas, sons e delays

TEATRO APOLO – MOSTRA PLAY THE MOVIE

SEG – 20/09 – 17h

Freestyle: Uma forma de vida (2008) – 45 min – Dir: Pedro Gomes

Dub Echoes (2008) – 80 min – Dir: Bruno Natal

Cine-concerto: Adis Abbeba Dub (PE)

TER – 21/09 – 17h

Cantoras do Rádio (2009) – 81 min – Dir: Cristiano Xavier de Oliveira

Moleques Maravilhosos (2010) – 30 min – Dir: Cristiano Bastos e Pedro Hahn

Cine-concerto: Anjo Gabriel (PE)

QUA – 22/09 – 18h

O Rei da Munganga (2008) – 70 min – Dir: Carolina Paiva

Do Morro? (2010) – 20 min – Dir: Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro

Brega S/A (2009) – 60 min – Dir: Vladimir Cunha

DJ Set: Patrick Tor4

QUI – 23/09 – 18h

Profissão Roadie (2010) – 50 min – Dir: Gabriel Câmara e Gilmar R. Silva

Bitols (2010) – 75 min – Dir: André Arieta

DEBATES (AESO)

QUA – 22/09 – 10h

ONDAS DE RÁDIO PARA TODOS: QUEM TEM VOZ NOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO PÚBLICOS?

Patrick Tor4 (ARPUB) / Alexandre Ramos (TVU)

QUI – 23/09 – 10h

DEMOCRACIA DE LINKS: COMO IDENTIFICAR NOVOS E PROMISSORES TALENTOS NA INTERNET?

Tiago Agostini (Scream&Yell) / Mateus Potumati (+Soma) / Alex Antunes (Na Agulha)

24 e 25 de setembro: Centro de Convenções da UFPE

DEBATES (UFPE)

SEX – 24/09 – 15h

PCULT: MOBILIZAÇÃO POLÍTICA EM TORNO DE AÇÕES CULTURAIS

Pablo Capilé (Fora do Eixo) / Gilberto Monte (FUNCEB) / Rafael Cortes (Fundarpe)

SAB – 25/09 – 15h

MECENATO CULTURAL: O PAPEL DA INICIATIVA PRIVADA NO FOMENTO À CULTURA MUSICAL

Marcos Barreto (Vivo) / Renato L (Prefeitura do Recife)

LANÇAMENTOS DE LIVROS

18h (Intervalo entre os shows da Sala Cine UFPE)

SEX – 24/09 – Música Ltda. (Leo Salazar)

SAB – 25/09 – Devotos: 20 Anos (Hugo Montarroyos)

SHOWS

SEXTA (24/09)

Sala Cine UFPE – A partir das 17h

Voyeur (PE)

Massarock (SP)

Taxi Taxi! (Suécia)

Bemba Trio (BA)

SEXTA (24/09)

Teatro da UFPE – A partir das 21h

Zé Cafofinho e suas Correntes (PE)

SoKo (França)

Miike Snow (Suécia)

Otto (PE)

SÁBADO (25/09)

Sala Cine UFPE – A partir das 17h

Wassab (PE)

Ubella Preta (PB)

Anna Von Hausswoff (Suécia)

Do Amor (RJ)

SÁBADO (25/09)

Teatro da UFPE – A partir das 21h

A Banda de Joseph Tourton (PE)

Taken by Trees (Suécia)

Emicida (SP)

Dinosaur Jr. (EUA)