Saturday Looks Good To Me
Tathianna Nunes em 27.09.2006
Fred Thomas, antes de ser o homem por trás do Saturday Looks Good to Me, é um romântico sem salvação. Antes do SLGTM, Thomas já estava à frente de bandas inspiradas nos “corações quebrados” como Lovesick e Flahspapr, mas com SLGTM ele fica no topo das listas dos músicos desesperados. Essa conquista começou em 1999 quando resolveu convidar vários músicos de Michigan que queriam criar uma cena musical inspirada no Beach Boys e, então, surgiu o Saturday Looks Good to Me. Faz um tempo que conversei com ele (começo de 2005), mas foi tão bom que vale a pena voltar no tempo e publicá-la.
"As pessoas dizem que o sentimento de ter um coração quebrado é passageiro. Não concordo"Como você era quando era mais novo?
Em momentos diferentes, eu estava ligado em coisas diferentes, e sempre trabalhando em projetos que dependiam como eu era naquele momento. Pela primeira vez em dez, onze anos pensei que iria desenhar histórias em quadrinhos para viver. Depois pensei mais na música, mas houve um momento que pensei em ser um arquiteto também.
Você lembra o que escutava quando era criança?
Meus pais tinham muitos discos e eles eram a minha única janela para a música. Gostava muito de Bob Dylan, The Rolling Stones e Neil Young. Quando estava na escola primária, escutava muito metal e nos últimos anos comecei a escutar punk e rock estranho.
O que levou você a fazer música?
É difícil dizer o que foi exatamente. Acho que foi algo maior que eu que me arrastou a isso.
E o que levou você a formar SLGTM?
Quando Saturday Looks Good to Me começou, eu tocava bateria e cantava em uma banda de punk que me deixava entediado. Queria fazer música politizada, como a época das músicas Motown com letras anti-capitalistas. Trabalhei com isso por um tempo.
Como você conheceu os outros integrantes da banda?
Nós crescemos em Ypsilanti, Michigan, e parte da banda estudou junto na escola. Juan é meu irmão mais novo e Betty era da escola rival da nossa in Dexter, mas podia ir para nossas festas nos finais de semana. Betty, Elliot, Scott, Juan, Scott, Steve e Justin dizem oi e esperam que essa entrevista seja verdadeira.
Tenho a sensação que suas músicas vem do coração. Essa sensação é verdadeira?
Tão verdadeira. Se minhas músicas não são baseadas em momentos reais da minha vida ou da vida de alguém, elas são frutos de emoções reais e possibilidades.
Você já teve um coração quebrado?
Meu coração está quebrado. As pessoas dizem que o sentimento de ter um coração quebrado é passageiro. Não concordo. Não é como quebrar a perna, é eterno e o mantém só.
O que você estava pensando quando escreveu “Since you stole my heart”?
Essa música é baseada na estória de quando minha mãe e meu pai se encontraram e se apaixonaram. Não estava lá, mas os imagino jovens, se conhecendo e ficando bem apaixonados e inspirados.
Fala do seu processo de composição. O que te inspira?
Bem, funciona de formas diferentes. Muitas vezes simplesmente acordo com uma música na minha cabeça, começo a cantar e procuro entender como ela deveria soar. Uma noite estava escutando Purple Rain do Prince e fiquei inspirado a fazer um disco bom como esse porque nada assim aparece em Detroit ou em qualquer outro lugar do mundo. Não digo o funky pop como Prince, falo de algo cativante e bem feito. Às vezes nós somos inspirados pelo que está lá, outras vezes pelo que não está.
Tem muita gente contribuindo com o SLGTM. Como funciona?
Escrevo a estrutura e a letra das músicas e junto com as idéias de todos até soar bem. Elliot, às vezes, faz as partes complicadas da música, porque ele consegue ler música, coisa que não consigo.
Você está feliz com suas composições?
Tudo pode ser melhor, sempre, mas amo como tudo tem ficado até agora.
Você tem consciência do efeito que sua música tem nas pessoas?
Não sei, mas espero que seja um efeito positivo e rejuvenescedor, não simplesmente ok e tedioso.
Qual a melhor hora para se escutar Saturday Looks Good to Me?
O melhor momento é aquele que você está só no seu carro ou bem tarde em algum bar, bêbado e dançando.
Como são as apresentações ao vivo?
Boas e ruins. São bem diferentes dos discos, bem mais rock n’ roll, e às vezes soa estranho. Outras vezes estamos pegando fogo.
Você consegue notar a música preferida do seu público? A minha é “Since you stole my heart’’…
As pessoas realmente gostam dessa música e às vezes gritam por "When The Party Ends", ou "Dialtone" ou "When You Got To New York".
Quem são seus fãs? Você costuma receber e-mails ou presentes?
Tem muita gente boa que parece gostar da banda. Nós recebemos alguns presentes e cartas, mas nosso público é tão legal que isso já é suficiente.
Quando podemos esperar um disco novo?
Nosso próximo disco sai em março de 2006. Será chamado "SOUND ON SOUND" e será um pouco diferente deste. Será uma coletânea de singles que saíram antes deste disco com inéditas.
Como andam os outros projetos?
Todos estão envolvidos com outros projetos e bandas. Poderia escrever uma lista, mas seria confuso e sem graça.
Então diz o que você anda escutando ultimamente?
Acabei de comprar o novo disco de Brendan Benson que é muito bom. O Arcade Fire tem um disco ok, mas eles estão muito hypados. Gosto de Magnolia Electric Co, MIA e Elliot Smith.
O que deixa você triste?
Filhos da puta malvados e egoístas.
O que te deixa feliz?
Gatinhos bonitos sorrindo para crianças que são legais.
Música é?
O som de um amor solitário.