Érika Machado
Palavras: Tathianna Nunes em 06.01.2007
Em 2005, a artista plástica mineira Érika Machado foi descoberta como cantora por John Ulhoa (Pato Fu) e, contando com ele na produção, lançou seu primeiro disco oficial
No Cimento pela Indie Records (antes, ela havia gravado um trabalho independente e o vendia nas feiras de camelô). Em 2006, Érika seria considerada a revelação do ano na MPB pela Associação Paulista dos Críticos e Artes (APCA).
Com uma música suave, rica em detalhes e mergulhada no universo infantil, Érika vem encantando com baladas que abordam pequenas aventuras do cotidiano. Na entrevista a seguir, a mineira revela como concilia dois mundos artísticos, seu processo de criação e outras coisinhas.
"Passei a fazer apresentações, levava meu quarto para o palco e cantava as canções do CD. Foi com este disquinho que eu me apresentei para o John e a partir dele comecei trabalhar com a música "Quando você tinha uns 10 anos, o que você queria ser quando crescesse?
Minha tia Ângela me levava sempre para passar férias na fazenda e eu achava muito legal a vida das pessoas naquele lugar. Eu queria trabalhar na roça.
Sendo artista plástica, como foi o processo de entrar no mundo da música?
Sempre gostei de cantar e inventar minhas musicas. Em 2003, um grupo de amigos resolveu ocupar a cidade, éramos os “Novos Utópicos”. A Laís fez um trabalho lindo: “memorial do esquecimento” (pintou de preto um muro no centro da cidade e escrevia de branco o nome das pessoas que passavam na frente dele, assim o muro ia voltando a ficar branco). O Aléxis Azevedo, quem fez meu site, também fazia parte deste grupo. Além deles, tinha a Ju, o João Maciel, kk,... e eu, que gravei um CD ao vivo no meu quarto chamado o Baratinho.
Daí, comecei a distribuir na barraquinha da liberta’s, ali quase em frente à C&A no centro da cidade. Esse Baratinho vendeu mais de 700 cópias, todas feitas na minha casa!! A partir deste CD, passei a fazer apresentações, levava meu quarto para o palco e cantava as canções do CD. Foi com este disquinho que eu me apresentei para o John e a partir dele comecei trabalhar com a música.
Como foi essa apresentação?
Cheguei para conversar com John e a Fernanda depois de um show aqui em BH.
E como surgiu a idéia do John produzir o seu disco?
Sou fã do trabalho do John e do Pato Fu, tanto esteticamente quanto conceitualmente. Aí, quando soube que tinha um pouquinho de dinheiro da Lei de Incentivo Estadual para fazer meu CD, não me veio outra idéia se não a de chamar o John para ser meu produtor.
Como você concilia essas duas formas de arte?
Fico acreditando que tudo é uma coisa só e existem várias formas de se fazer a mesma coisa: A música, a palavracantada, a palavragrafia, o desenho. É tudo forma, e tudo forma, e tu deforma.
Sua música é muito visual. Você compõe pensando em imagens?
Sim.
Quais são suas principais influências?
Pato fu, Arnaldo Antunes, João Gilberto, Skank, Paralamas do Sucesso, Rita Lee, Maurício Pereira, Karnak, Los Hermanos, Beck, Björk, Maria Angélica Melendi, Cildo Meireles, Cecília Silveira, Juliana Mafra... Êta!
O que você achou do resultado do disco?
Achei sensacional, aprendi tantas coisas e fiz um disco que eu amei! Adorei trabalhar com o John, agora me acho uma pessoa bem mais legal!
O que você anda escutando recentemente?
O CD novo do Skank “Carrossel”, o do
Arnaldo “Qualquer” o “Point” do Cornelius, “Toda cura para todo mal” do Pato Fu, “4” dos Los Hermanos e mais um monte de coisas!
Como são os shows ao vivo?
São sempre bem legais e a cada dia é diferente. Tem dias que dá pra levar cenário (e esses dias são bem mais legais) tem dia que não. Tem dia que volta gente pra casa porque não cabe todo mundo que vai, tem dia que sobra lugar.
Eu canto, toco os violões, guitarra, escaleta e alguns brinquedinhos. O Daniel Saavedra (guitarra), o Rodrigo Araújo (baixo), o Bruno Novais (bateria e programações) e a Cecília Silveira (vocais). No repertório estão todas as canções do CD, mais “A eme o” do Aterciopelados (colômbia) que foi a musica que eu gravei na trilha “Festa no céu” para desfile do Ronaldo Fraga, “Vovó”, minha primeira canção, é uma bossinha que fiz na adolescência e “20 reais”.
Como são seus fãs? Você recebe muitos ursinhos?
Meus fãs são os mais legais do mundo, mas eu nunca recebi nenhum ursinho.
O que tem em Belo Horizonte que você ama e que você odeia?
Que eu mais amo é minha família e minha casinha. O que mais odeio aqui ou em qualquer lugar do mundo é cebola crua, peixe e pimentão.