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Brazilian Nuggets: Ave nossa psicodelia!
Palavras: Zeca Viana em 26.03.2007
"Esse é um blog dedicado à pouco conhecida psicodelia brasileira". Com essas palavras introdutórias, o cineasta paulista Fábio Peraçoli nos presenteia com um blog que cumpre o que promete de maneira simples e eficiente. O Brazilian Nuggets ( http://brnuggets.blogspot.com) nos leva pelo quase desconhecido caminho da psicodelia nacional, através das décadas de 60 e 70. A cada post, mergulhamos nesse obscuro mundo de artistas "malditos", de gênios incompreendidos e de histórias tão cabeludas que se tornaram lendas com o passar dos anos.
Além disso, o blog nos apresenta textos bem garimpados e disponibiliza as "capinhas" dos discos em boa qualidade para download. Em uma entrevista com Fábio, ficamos sabendo um pouco mais sobre o site e sobre como uma idéia bacana pode tirar do esquecimento alguns dos heróis tupiniquins.
"O campeão é o primeiro disco do Jards Macalé, que chega perto dos 10mil downloads. Em tempo, o Macalé também é o campeão de pedidos "Como foi o seu primeiro contato com a música psicodélica brasileira?
Acho que o primeiro contato é meio que comum para todos que curtem psicodelismo brasileiro: Mutantes e Tropicália. Apesar de sempre ter sido um apreciador do rock psicodélico, durante muito tempo essas ficaram sendo minhas únicas referências em termos de Brasil.
Mais ou menos há uns 5 anos atrás, comecei a utilizar com bastante freqüência programas de troca de arquivo, principalmente o Soulseek. Além de eles terem me aberto as portas para um mundo de coisas que eu desconhecia, conversando com outros usuários descobri que o psicodelismo brasileiro ia muito além de Mutantes, Gal, Gil, etc. Curiosamente foi um argentino que me apresentou Os Brasões, Liverpool, Bango e muitos outros. Uma prova de que o nosso psicodelismo é mais conhecido lá fora do que aqui dentro. Foi esse mesmo argentino que me apresentou o site Ratolaser ( www.ratolaser.hpg.ig.com.br), que me permitiu conhecer inúmeras outras bandas.
Apesar de conseguir baixar vários discos pelo Soulseek, descobri que havia pouquíssima informação disponível na net a respeito das bandas. Foi aí que tive a idéia de fazer um site totalmente dedicado ao psicodelismo brasileiro, com resenhas, fotos, histórico das bandas e discos para download. Porém, como teria que arcar com os gastos de domínio, hospedagem, design e manutenção do site, acabei engavetando a idéia.
No início de 2006 tive contato com os blogs de música, que hospedam os álbuns em discos virtuais do tipo Rapidshare e Turbo Upload. Era a ferramenta que eu precisava: gratuito, com espaço de armazenamento ilimitado, facilmente atualizável e com design já pronto. Comecei a trabalhar no meu blog no mesmo dia (01/03/2006).
Você tem retorno dos usuários do blog? Tem idéia de quantos acessos ele tem por mês?
Quando comecei meu blog, imaginava que ele seria acessado por aquela meia-dúzia de iniciados, colecionadores ou pesquisadores de música. Mas para minha surpresa o retorno foi incrível. O blog conta com uma média de 18 mil visitas por mês, além das inúmeras críticas, sugestões, pedidos de discos, contribuições, que recebo por e-mail ou em comentários no próprio blog.
Qual das bandas postadas tem o maior índice de downloads?
Os discos têm em média de 2 mil a 3 mil downloads, porém alguns ultrapassam bastante essa marca. "Além das Lendas Brasileiras", do Terreno Baldio, "Geração Bendita", do Spectrum, a trilha sonora do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", "Pessoal do Ceará", do Ednardo e "Paebiru", do Lula Côrtes e do Zé Ramalho, todos eles ultrapassam os 5mil downloads. O campeão é o primeiro disco do Jards Macalé, que chega perto dos 10mil downloads. Em tempo, o Macalé também é o campeão de pedidos. Em breve postarei mais coisas dele.
Você tem algum desses discos em vinil?
Tenho pouquíssimo desses discos em vinil. Apenas o "Ronnie Von #3" e "Os Frutos de Mi Tierra", do Fábio. Além de muito difíceis de serem encontrados, os vinis dessa época têm um preço bastante proibitivo, resultado do interesse que o psicodelismo brasileiro possui no exterior. Também tenho alguns discos em CD, de alguma re-edição européia, tipo o "Paebiru", o "Geração Bendita" e o "Marconi Notaro no Sub-Reino dos Metazoários", mas a maior parte tenho em mp3, que baixei na net.
Algum músico de alguma banda publicada no blog já entrou em contato com você?
Nesse sentido, tenho dois casos bastante interessantes para contar. O Fábio, que tem o disco "Os Frutos de Mi Tierra" publicado no blog, entrou em contato agradecendo a divulgação do trabalho dele. Na época, tinha pouquíssimas informações sobre ele e pedi ao próprio que escrevesse um pouco sobre sua carreira e o disco. Hoje é o texto dele que se encontra publicado no blog.
Outro contato interessante foi um comentário da filha do vocalista dos Beatniks, o já falecido Márcio Morgado. Ela me contou que ficou emocionada ao ver o meu post e se ofereceu para me enviar várias fotos da banda. Hoje somos amigos de Orkut...
Dessas experiências pude constatar que os artistas estão bem pouco preocupados com violação de direitos autorais, copyrights e afins. Eles simplesmente querem ver o seu trabalho divulgado.
Como você vê a psicodelia em Recife e Pernambuco? Como no caso de artistas como Flaviola e o Bando do Sol, Marconi Notaro, Ave Sangria e Lula Côrtes.
Bom, na minha opinião, a psicodelia brasileira nem sempre se pautou pela originalidade. Muitas bandas se contentavam simplesmente em copiar as fórmulas da psicodelia americana ou inglesa. Algumas, como Os Baobás, The Buttons, The Galaxies e Sound Factory, partiam diretamente para os covers de Love, Cream, Jefferson Airplane, entre outros. Os nomes em inglês não são mera coincidência.
O mesmo não ocorria com a psicodelia pernambucana. Mantendo uma raiz psicodélica, mas miscigenando-a com ritmos regionais, as bandas de Pernanbuco realmente conseguiram alcançar uma sonoridade bastante original. Interessante notar, também, que apesar da diversidade musical, as bandas conseguiram formar um movimento bastante coeso, de sonoridade imediatamente reconhecível. Creio que isso se deve, em parte, ao nomadismo dos músicos, que migravam de uma banda para outra. Lula Côrtes é o caso clássico, que tocando com Laílson, Zé Ramalho, Marconi Notaro, entre outros, conseguiu imprimir uma marca própria ao movimento. Considero alguns discos, como "Paebiru" e "Marconi Notaro no Sub-Reino dos Metazoários", pontos altos não só da psicodelia brasileira, como universal.
Quais sites de música você acessa?
Trama Virtual ( www.tramavirtual.com.br), Ratolaser (www.ratolaser.hpg.ig.com.br), Senhor F (www.senhorf.com.br), The Freakium! (www.freakium.com) e os blogs Ezhevika Fields ( ezhevika.blogspot.com), Vinil Velho (vinilvelho.blogspot.com) e In The Crowd! (shadowsof60.blogspot.com).
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