Giant Drag
Ana Garcia em 10.11.2005
“Uma das bandas que eu mais gosto ultimamente é uma americana, dica de um amigo meu da Inglaterra e tudo que é bom americano estoura primeiro na Inglaterra, chamada Giant Drag. É um duo da Califórnia, com uma menina espetacular, linha White Stripes, mas o som deles é bem voltado para os anos ’90 e eu amo som americano dos anos ’90. Então, quem está com pouco de saudade ou cansou da moda anos ’80 dá pra ouvir ali Pixies, My Bloody Valentine, que é inglês nesse caso, Sonic Youth, Throwing Muses, tudo numa dupla só nova chamada Giant Drag” (Lúcio Ribeiro, programa de rádio Coquetel Molotov, Novembro / 2005)
Giant Drag é formada por Annie Hardy e Micah Calabrese. Eles lançaram o disco de estréia Hearts and Unicorns que tem as maravilhosas músicas "Kevin Is Gay" e "This Isn't It". Troquei um e-mail com Annie numa noite qualquer, vejam no que deu!
"Quando uma menina toca qualquer tipo de rock você automaticamente acaba sendo comparada com PJ Harvey, soando ou não como ela "Poderia se apresentar e contar uma história? Qualquer história?
Oi. Eu sou Annie. No momento estou dentro de uma van com Micah e o nosso manager de turnê que se chama Andy, mas nós o chamamos de Larry. Bem, eu acabei de colocar a música “Tiny Dancer” de Elton John na esperança que nós três pudéssemos ter um “momento”, mas não funcionou. Como não teve mágica. Essa é a minha história.
Sobre o que você canta na maioria das vezes?
Eu mesma.
E o que mais?
Outras pessoas.
Quais são as suas motivações? Elas variam?
Eu não sei. Eu imagino que elas variam.
Você pode contar uma história da sua infância?
Uma vez eu fui andar de skate no teto da minha casa, era muito perigoso, mas graças aos meus dotes e agilidade eu não fiquei machucada.
Quais são algumas das suas primeiras memórias musicais?
Com oito anos, cantando e dançando na frente do espelho para Madonna e sei lá o que mais que estava na MTV e pegando a minha mãe me espionando e ficando muito brava.
Quando você começou a escrever?
Quando eu tinha 10 anos, eu acostumava a me gravar numa fita cantando num gravador de K7 que segura na mão. Eu pegava músicas populares e mudava as letras para que elas tivessem a ver com humor de banheiro e tocava isso para os meus amigos. Eu também fazia músicas idiotas o tempo todo. Eu comecei a escrever realmente quando eu aprendi a tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo, quando eu tinha 15 anos.
Você lembra da sua primeira música?
Era uma música de amor sobre alguém que não existia realmente. Eu acho que eu pensava que aquilo era o que eu deveria fazer, eu não tinha um coração quebrado ainda, mas dois anos depois as minhas canções começaram a ficar melhores.
Como você era durante a sua adolescência?
Uma verdadeira “weirdo”. E fui um horror para os meus pais lidarem. Eu me metia em muitos problemas.
Como você conheceu Micah?
Conhecemos-nos através dos nossos melhores amigos que estavam namorando e ficaram amigos e começaram a tocar juntos. Foi muito bom.
Qual é a melhor e a pior coisa de fazer música com ele?
Ele é a primeira pessoa que eu senti que tocava o que eu queria escutar com as minhas músicas. Ele entende quando eu digo “eu quero que a bateria soe como um caminhão de lixo” ou algo assim. Eu não sei se tem algum “pior”.
Como foi o primeiro show?
Foi redondinho, estávamos tocando as músicas durante um mês e nem tínhamos pegando direito o nosso som, mas foi tudo bem. Já se passou muito tempo, as coisas estão muito melhores agora.
O que mudou?
Eu melhorei em todas as áreas, guitarra, cantando, escrevendo, etc, e Micah é muito melhor tocando o sintetizador e bateria ao mesmo tempo.
Como você sente com o disco Hearts and Unicorns? Alguma história?
Eu me sinto OK. Têm algumas coisas que eu gostaria de ter feito diferentemente, mas eu não gosto de pensar nisso ou então eu irei enlouquecer. Não tem muita história. Fazer discos realmente testa a minha sanidade e é muito difícil para mim. Eu aposto que devo ter várias histórias, mas não consigo pensar em alguma agora.
Que músicas você acha que saiu de alguma forma inesperada?
Não achávamos que “Everything Worse” iria acabar entrando no disco, mas o meu amigo Gabe, do Rolling Blackouts, chegou e tocou o slide guitar nela e fez com que ela ficasse muito boa, então decidimos deixa-la.
Como você normalmente faz para escrever uma música do Giant Drag?
A maioria das vezes elas chegam a mim quando estou em cada com a minha guitarra acústica. Eu não tenho muito controle sobre elas, eu gostaria de poder sentar e escrever uma música quando quisesse, mas não posso. Eu escrevo a música e levo para Micah durante o ensaio e normalmente a terminamos em 20 minutos.
Você tem feito muita turnê? Como tem sido?
Sim, acabamos de fazer a turnê mais incrível de todos os tempos no UK com Nine Black Alps. Dividimos um ônibus e nos divertimos muito. Eu chorei como uma puta quando tivemos que dizer adeus.
Você gosta das comparações que as pessoas fazem? Elas ajudam ou machucam?
Ninguém gosta de comparações... Eu acho. As nossas não são ruins. Recebemos muita com o Breeders, o que eu realmente não entendo. Acabamos de receber uma com o Nirvana e o Beach Boys, o que eu gosto porque não têm nenhuma menina nessas bandas. Quando uma menina toca qualquer tipo de rock você automaticamente acaba sendo comparada com PJ Harvey, soando ou não como ela. Isso é bem engraçado.
Como você foi parar na Kickball Records?
Wendy Higgs nos escutou na rádio, nos encontrou e nos contratou.
O que deixa você feliz e triste?
Animais me deixam feliz, cachorros, gatos especialmente. Pessoas comendo sozinhas me deixam triste.
Quais são os seus vícios? E obsessão?
Eu fumo muito. Eu não sei qual é a minha obsessão, talvez eu esteja ocupada demais para uma obsessão essa semana.
Algum fenômeno cultural que deixa você puta?
Eu não sei, cirurgia plástica é meio nojento. As pessoas estão virando alienígenas estranhas.
Então, o que é um saco (drag)?
Esse enjôo do carro que eu estou tendo agora. Está me deixando pra baixo.