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American Analog Set
Ana Garcia em 23.11.2005



Nunca havia escutado American Analog Set, até entrevistar Laura Watling – a musa do indie pop que tocava no Autocollants e, hoje faz parte do Evening Lights. "A letra que resume a minha vida: 'Rhymes for poets and melodies for one like me', da música "Marigolds", do Ocean Blue. Mas, para uma trilha sonora da minha vida, é difícil dizer. Eu diria que, nos últimos anos, o melhor e mais bem feito álbum é The Golden Band, do American Analog Set. Pode-se dizer que essa é a trilha sonora de muitos dos meus dias".

Existe todo um grupo de roqueiros indie americanos que se baseiam na estética de tocar silenciosamente e devagar. Um som um pouco vintage, bateria arrastada, passagens silenciosas e guitarras sussurradas. O AmAnSet abaixa o volume e convida você a se aproximar, escutar o som cuidadosamente colocado e pensado. Músicas que vão um pouco mais rápidas que as batidas do coração.

Estou pronta para entrevistar o próximo artista: Andrew Kenny, o vocalista e guitarrista do AmAnSet.

"Talvez eu precise deixar isso impresso agora... O American Analog Set não está aqui para ‘mudar a cara da música’ ou algo nessa linha"

O nome da banda já foi Electric Company, por que a mudança?
O Electric Company era um bom nome. Eu acho que já fomos também The Sofas, The Magnificent Seven e Alligator Control. Lembrando agora, Alligator Control não era realmente uma boa idéia. Eu acho que Electric Company se sobressai porque foi com qual decidimos ficar. Fomos o EC por quase um ano, pelo menos em espírito. Quando Brad Laner lançou seu primeiro disco como Electric Company, ficamos arrasados. Precisávamos encontrar um nome novo rápido, porque estávamos escrevendo e gravando o que seria The Fun of Watching Fireworks.

Quando foi o primeiro show do American Analog Set?
O primeiro show oficial do AmAnSet foi em novembro de 1995, em Argo, Denton, Texas. Nós tocamos em uma festa naquele verão, mas não contamos aquilo como um show. Estávamos todos muito nervosos. Eu lembro que Mark tinha esquecido os pratos do contratempo e isso foi um grande sofrimento. Aí Mark mostrou que, das seis músicas que estávamos tocando, nenhuma usava o contratempo (ou mesmo um tomtom, apesar dele ter conseguido lembrar de trazê-lo). Problema resolvido.

Como soava a banda nessa época?
Éramos um pouco mais devagar, eu acho... Talvez um pouco mais spacy. O som era mais baseado no órgão, porque não tínhamos um piano elétrico na banda ainda. Também não tínhamos vibrafone até o terceiro disco. Os vocais eram um pouco mais enterrados, comparados com agora.

Qual é a comparação mais inacreditável que já fizeram?
Sonic Youth, do qual eu sou muito fã, mas não soamos nada parecido. Espera... tinha outra nesse verão que era demais. Ah, verdade, Fountains of Wayne. Mas que porra?!

Esses tipos de comparações machucam ou ajudam a banda?
Você quer dizer comparações absurdas? É bom e ruim. Como tudo na vida, eu suponho. Se você nunca nos escutou antes, não pode ser bom. Fãs do Waynes ficariam decepcionados com certeza. Mas significa que as pessoas estão escrevendo sobre a gente e, no geral, isso é provavelmente algo bom.

Alguns críticos reclamam sobre como o som da banda nunca vai mudar, o que você pensa disso? Como é a sua relação com a imprensa americana?
Eu nunca sei o que responder a essa pergunta e ela tem surgido algumas vezes nesses anos. Eu acho que mudamos muito desde o começo. Quero dizer, estamos escrevendo melhor as músicas e tocando como uma banda. Talvez mude muito devagar, eu não sei. Mas, eu gosto da nossa banda e o tipo de música que fazemos. Talvez eu precise deixar isso impresso agora... O American Analog Set não está aqui para ‘mudar a cara da música’ ou algo nessa linha. Não vamos ser condecorados pela Rainha da Inglaterra. A única razão por estarmos juntos pelo tempo que estamos é porque ainda gostamos da música que fazemos. E acho que nunca tivemos pressa pra balançar esse barco.

Com relação à imprensa americana... Estamos por aí há muito tempo. Temos alguns fãs na imprensa, mas também existem pessoas na imprensa que nunca vão entender o que fazemos. É assim que as coisas são. Mas, no geral, as nossas críticas na imprensa são boas. E eu acho que tivemos sorte de receber tanta atenção.


Eles estão sempre reclamando... Então, o que inspira você?
Eu só quero fazer música que eu gosto. E dividir isso com outras pessoas me faz sentir como se eu estivesse deixando o planeta melhor do que quando eu o encontrei.

Você acha que o American Analog Set sempre será uma banda obscura? Você gostaria de mudar o status que vocês têm agora?
Eu não acho que fizemos tudo que queríamos fazer. Ainda não. Sim, eu acho que sempre seremos uma dessas bandas que existem sob o radar e está tudo bem para nós assim. Ainda tem muitas pessoas que gostam de nós, que compraram Know by Heart em 2001 e essa foi a primeira vez que nos escutaram. Então, estamos muito otimistas com as turnês e as gravações que estamos fazendo. Mas Promise of Love é o nosso primeiro disco fora do país. Não somos uma banda "nova", mas acho que com um pouco de apoio dos selos teremos melhores turnês no Reino Unido e na Europa.

Você agora está morando em Nova Iorque. Por que você se mudou do Texas? Como tem sido essa mudança?
Eu sempre quis morar em uma cidade grande, e Nova Iorque é definitivamente isso. Eu não sou um motorista muito responsável e eu não preciso de um carro aqui, o que provavelmente é melhor. Eu gosto de trens, então andar nos metrôs é legal. É uma cidade cara, mas eu não estarei aqui pra sempre. Por agora, eu estou me divertindo. Eu mudei para estudar, originalmente, mas desde então eu tenho feito uma pausa para fazer música.

Como você está fazendo música para o AmAnSet, já que você mora aí e os outros em Austin?
Estamos discutindo isso agora. Estou viajando de volta, por algumas semanas nesse mês e no próximo, para escrever e ensaiar. Quando gravarmos, eu provavelmente irei me mudar para Austin por um mês ou dois.

Você tem alguma proximidade com a cena musical de Nova Iorque? Morar aí e ter contato com as bandas locais tem feito você pensar duas vezes sobre o som que está fazendo com AmAnSet?
Eu tive a oportunidade de ver muito mais bandas na cidade e tem sido proveitoso. Não sou próximo de nenhum músico, salvo alguns que eu já conhecia antes da mudança, claro. Nova Iorque não tem me feito mudar o som do Analog Set nem um pouco. Se serviu pra alguma coisa, foi pra mostrar o quão únicos e verdadeiros nós somos. Note que eu não falei "bons". Pode ser isso também, mas nunca iríamos durar em uma cidade como essa. Existem muitas bandas boas em Nova Iorque, mas não é o nosso mundo.

Cite algumas...
Eu gosto muito de Calla. Metade dos integrantes são do Texas, claro, mas eu não conheço nenhum deles pessoalmente. Eu vi Peter [Gannon, guitarrista do Calla] andando no Park Slope uma outra noite, mas eu não falei com ele. Tenho certeza que eles estão sempre ouvindo esse tipo de coisa "Ei... tocamos com vocês uma vez".

Poderia comparar a cena musical de Austin com a de Nova Iorque?
É difícil de comparar, porque eu não estou por dentro da cena de Nova Iorque. Quando nós tocamos aqui, significa que estamos em turnê. Pode haver bandas na cidade que nos conheçam, mas duvido que saibam que eu moro apenas a uma quadra deles.

Tem músicos que moram por perto?
Eu os vejo, mas eles não me vêem.

O que vocês fazem quando não estão fazendo música ou em turnê?
Boa pergunta. Mark trabalha em uma loja de disco em Austin. Sean cuida de contas em uma firma de contabilidade. Lee está estudando e Craig é um freelancer de design gráfico. Eu acabei de sair de uma carreira promissora como um bioquímico para estar em uma banda que ninguém nunca escutou... hum... Talvez a próxima pergunta.

Os outros membros têm outros projetos? Como eles se sentiram com a sua ida pra Nova Iorque?
Eles lidam bem com isso. Muito bem. Nós sentimos muita falta um do outro, porque somos grandes amigos e sempre vivemos na mesma cidade. Agora que estamos dando tanto tempo para a banda, é como se eu fosse mudar de volta para Austin, mas não de imediato. Estou totalmente apaixonado por uma garota aqui e mal consigo agüentar a idéia de me mudar agora. Mark, Lee e Craig estão todos em uma outra banda em Austin chamada Funeralizer. E Sean toca em uma banda chamada Your Red Hands.

Oh, e você já escreveu uma música pra essa garota?
Claro... eu escrevi umas seis e mandei pra ela quando estava na estrada neste verão. Ela recebeu uma música por semana ou coisa assim. De Londres, Belfast, Boston, Lawrence, San Francisco, Austin. Besta, eu sei. Mas ela é incrível. Eu tenho certeza que não foram as primeiras músicas escritas pra ela. E nem serão as últimas que eu escreverei. Eu gostaria de escrever uma com um final feliz.

Você cresceu escutando o quê?
Principalmente pop contemporâneo adulto e country pop dos anos 70. Eddie Rabbit. Tanya Tucker. Neil Diamond. Barry Manilow. Kenny Rogers. Linda Ronstadt. Eu ganhei um rádio em 1979 do meu tio, e tudo mudou. Eu comecei a varrer folhas para comprar discos que eu gostava. The Go-Go’s. Prince. Duran Duran. Coisas desse tipo.

Quantos anos você tinha quando começou a tocar? Como tem sido essa trajetória pra você?
Eu ganhei a minha primeira guitarra logo antes do meu 18º aniversário. Eu não consigo imaginar como a minha vida seria sem essa influência ou abertura. Acho que sou muito sortudo por ter um bom grupo de amigos e praticamente cada uma dessas amizades envolve algum tipo de interesse musical mútuo. Mas, ao mesmo tempo, essa vida de música tem me mantido por fora de alguns prêmios da vida... Como uma relação normal, casamento, uma carreira com seguro de saúde e benefícios de aposentadoria, sem falar em poder olhar nos olhos dos meus pais quando eu vou pra casa pro Natal. Gostaria de fazer tudo isso um dia.

Por que você não pode olhar nos olhos dos seus pais?
É difícil. Eles devem estar decepcionados. Eles me amam, eu sei, mas isso não é a vida que eles teriam escolhido pra mim.

- O filho de Amy, Kenny, está trabalhando no PhD em uma universidade Ivy League.

Você deve estar tão feliz!!! Como ele está indo?

- Bem, na verdade ele saiu do programa porque ele prefere passar o dia de Ação de Graças tocando para 3 pessoas em St. Louis do que com a sua família.

É sempre assim. Falando nisso, nunca irei voltar para St.Louis.


Você tem um emprego?
Eu não tenho um agora, porque eu estou viajando muito e eu não poderia segurar um no momento. Gostaria de trabalhar com ciência novamente, mas é preciso dedicação integral.

Como são feitas as composições e gravações? Muita improvisação?
Eu não sou fã de improvisação. Provavelmente porque eu não sou bom nisso. Quando eu escrevo, as músicas com as quais estamos mais felizes são resultados de boa comunicação e da criatividade de todos ao mesmo tempo. Deve ser por isso que demoramos tanto para escrever. Se não gostamos como as coisas estão indo, deixamos quietos. Às vezes por anos, "Continuous Hit Music" é uma das minhas músicas favoritas do Promise of Love e é uma daquelas "depois nós voltamos nessa" da época do Know by Heart.

Você já foi para um estúdio de verdade? É verdade que um disco do AmAnSet é muito barato de se fazer?
Gravamos duas músicas em um estúdio profissional em 1995. Foi frustrante. Amaríamos ir a um estúdio novamente, mas só se o produtor/engenheiro nos conhecesse e tivesse algo a oferecer, além de montar os microfones e dizer "gravando". Eu prefiro que as gravações soem lo-fi a que soem apenas na média. E, sim, já que gravamos em casa, os nossos discos são relativamente baratos. Apenas o custo do tipo de fita que usamos e talvez alguns cabos e coisas assim.

E os shows? Barulhentos?
Eles podem ser. Portland, OR, ganha o prêmio por ter as pessoas mais barulhentas nesse verão. Uma pena, foi um dos nossos melhores shows do ano anterior. London foi muito silencioso a primeira vez que fomos nesse verão e um dos mais barulhentos na segunda vez. Vai entender. O sul americano é, em geral, barulhento. Orlando, FL, sendo uma exceção clássica.

Como são os seus fãs e de onde eles são?
Eu sempre pensei que as pessoas que assistem aos shows do AmAnSet parecem muito com a gente, ou com nossos amigos de turnê. Não somos pessoas muito na moda e o "fator cool" é muito baixo nos shows do Analog Set. Mas eu vejo os nossos observadores e penso: "Uau... você deve cavar muito fundo para saber quem somos. Música deve realmente fazer parte da sua vida". E, sim, são pra essas pessoas que queremos tocar.

Os nerds da música?
Tanto quanto nós.