Drosophila
Jarmeson de Lima em 01.12.2005
Foi uma das entrevistas mais legais que já fiz. A entrevistada é Ana Luiza Pimentel, ou simplesmente, como ela diz: "Ana da Drosophila". E é um nome que faz muito sentido, afinal, como vocalista, guitarrista e compositora da banda Drosophila (SP), ela sente e respira a banda com aquela vontade de falar daquilo que gosta, do som que ouve e de seu imenso desejo de tocar e fazer músicas pop legais.
Sua banda existe desde 2001, quando foi formada em Santos, pegando emprestado o nome científico da mosca de fruta. Já lançaram um disco e o segundo já está chegando agora. E é neste bom momento, recheado de boas expectativas, que tive uma boa conversa com Ana Luíza. Não quero me alongar nesta introdução, afinal, o que ela tem a dizer é bem mais importante do que eu teria para escrever agora. Ah, sim... hoje é o dia do aniversário dela!
"Eu gosto de espontaneidade, tento não me esconder atrás de estereótipos. Gostosona com guitarra, feminista radical discursista, garotinha fofiz cor-de-rosa, garotona "de atitude", roqueirona insana e outros personagens... tudo isso não é a minha praia. "Explica primeiramente uma coisa... você é autodidata na guitarra mesmo? Como você foi aprendendo a tocar?
É. Em várias coisas que eu faço na minha vida de garota-polivalente-mil-e-uma-utilidades eu sou autodidata. Guitarra é uma delas. Sempre tive violão em casa, meus pais sabiam tocar e eu desde pequena ficava fuçando. Quando ficava com alguma música na cabeça já ia direto tentar achar as notas de ouvido. Só tomei vergonha na cara bem no início da minha adolescência e resolvi aprender os acordes básicos. O resto eu aprendi sozinha, me virando muito bem com o meu ouvido. Era pivetésima.
Eu e minha melhor amiga tínhamos uma banda imaginária e resolvemos aprender juntas. Pedimos para o primo dela desenhar as posições dos acordes básicos em uma folha e a partir daí fomos nos virando. Um mês depois ela tinha uma guitarra e um amplificador. Eu continuei com o violão de mais de 30 anos, empenado, velho de guerra por muito tempo. É um Trovador da Gianini (ele ainda existe na casa dos meus pais, praticamente uma peça de museu). Quando eu tinha uns oito anos, ele se espatifou no chão, quase deu perda total. O braço dele soltou do corpo e meu pai fez uma gambiarra para tentar restaurá-lo. Colou o braço de volta com cola de madeira e colocou a coleção inteira de tijolões do dicionário Caldas Aulete em cima para fazer pressão.
Como foi que você conseguiu a sua guitarra?
Só fui ter a minha guitarra tempos depois disso aí. Pedi uma guitarra de aniversário (que é em dezembro, então eu poderia negociar um mesmo presente de natal e de aniversário). Foi o melhor presente que já ganhei. Meus pais nunca tiveram muita grana, então o orçamento destinado a guitarra era curto. Já estava imaginando que ia acabar com uma Tonante na mão. Mas achei um anúncio no jornal que oferecia uma Strato Squier da Fender a preço de banana. Eu e meu pai fomos lá checar.
A guitarra estava novinha em folha. O dono, um menino mais novo que eu, havia usado ela para estudar durante um ano. Ele tinha ficado esse tempo todo juntando o dinheiro do lanche da escola para comprar uma Jackson (ele era metaleiro) e só faltava vender a Fender para completar o valor. Meu pai pechinchou bastante, mas ofereceu dinheiro vivo. Acabou saindo mais barato ainda do que o anunciado. Não vou citar valores, mas até hoje todo mundo fica de cara quando eu revelo o preço da barganha. Uso essa mesma guitarra até hoje. Ela vai mudar de cor em breve. Vou dar uma recauchutada nela.
E em que momento você se tornou confiante a ponto de querer tocar em público e mostrar aquilo que tocava?
Antes de aprender a tocar de verdade, eu já tinha praticado muito air guitar, era boa de punho e como sempre tive a batida precisa, não dava muito na cara que eu era uma iniciante. Comecei a tocar na frente dos outros no mesmo lugar que milhares de violonistas: no pátio da escola na hora do intervalo. Foi numa dessas até que eu conheci o Rods, ele era um dos que tocavam no pátio da escola.
Não sei bem ao certo em que momento me senti confiante. Só sei que depois de um tempo escrevendo só porcarias que eu não mostrava pra ninguém, eu comecei a escrever umas músicas muito boas pros meus parâmetros. Eu sou muito auto-crítica e só me sentiria confiante se as músicas fossem realmente legais pra mim. Quando eu achava que a música estava boa eu mostrava para alguém de confiança e pedia a opinião. Tremia de nervosismo (até hoje morro de vergonha de tocar só para os meus amigos), mas a reação sempre era positiva. Cheguei a fazer algumas músicas sob medida para a primeira banda que integrei como vocalista, mas não eram lá essas coisas. Pus na cabeça que tinha que ter uma banda só para as minhas músicas "pessoais".
Mas é bem diferente tocar para os amigos e tocar para um público maior, desconhecido.
Tocar para um grande público não foi mistério. Na infância eu já tinha passado pelo maior desafio que uma criança poderia passar, que foi cantar na igreja. Solo, ainda por cima. Quem passa por uma prova de responsabilidade dessas tira qualquer coisa de letra. Quando eu subia ao púlpito para cantar, eu achava que iria morrer, tinha tiques nervosos de ansiedade, tremia da cabeça aos pés.
Mas quando eu via a expressão de admiração das pessoas e dos pastores, tudo parecia valer a pena. Quando acabava o culto, vinha sempre muita gente elogiar. Como eu era a maior patinha-feia-menininha-precoce-excêntrica-excluida-que-todo-mundo-tirava-onda, isso era algo que dava uma levantada na minha moral. Especialmente porque rolava muita rixa nos bastidores, eu era preterida e deixada de lado nas cantorias para privilegiar crianças "queridinhas de sei lá quem filho do fulano do grupo de louvor". Quando eu via que tinha ido bem, me sentia vitoriosa.
Quando você pensou em formar uma banda, o que você ouvia na época?
Aos 12 anos eu era uma brit-chata. Fã declarada de Oasis. Ali eu já tinha o desejo de ter uma banda, mas sem planos muito concretos, só fantasia mesmo. Passei por uma fase Foo Fighters e Smashing Pumpkins. As bandas que me fizeram tomar uma atitude definitiva foram o Pixies e o Breeders. Incluo também The Amps, Guided by Voices, Pavement e Sonic Youth, bandas que eram tudo para mim naquela época. Eram bandas que me davam vontade de tocar mesmo. Cerca de um ano antes da banda, quando comecei a compor as primeiras músicas, confesso que fui inspirada pelo Eight arms to hold you do Veruca Salt, What would the community think? da Cat Power (hoje em dia não consigo mais ouvir aquelas músicas de fossa) e meu disco favorito na época era o Songs from the Vatican Gift Shop do Stone Temple Pilots. Isso foi entre 2000 e 2001.
E hoje em dia?
Desde aquela época até hoje eu comecei a ouvir muitas, mas muitas bandas. É até chato fazer lista porque eu nunca vou lembrar de tudo. Hoje em dia sou fanzoca do Frosting on the beater do Posies, amo Badly Drawn Boy, High Society, que é um disco do Enon (daquelas bandas que todos deveriam conhecer urgentemente), Super Furry Animals, QOTSA, Superdrag (uma das melhores bandas pop que eu já ouvi e mais uma que todos deveriam conhecer). No clã das bandas novas eu gosto do Franz Ferdinand, gosto do Is this it do Strokes e curto The Stills. Ainda estou fazendo pós-graduação em bandas do ano 2000 (hehe). Nos ultimos dias estou ouvindo loucamente Manic Street Preachers, porque eu simplesmente amo os anos 90.
Inicialmente você queria ter uma banda que tivesse só meninas ou só amigos?
Eu queria acima de tudo ter uma banda que chamasse a atenção e que não fosse mais uma no meio de tantas. Queria fugir dos estereótipos comuns de formação de bandas caídas como a clássica "menina vocal inerte e bando de cuecas que realmente mandam na banda", muito menos "bando de minas que tocam mal fingindo que são cool". Independente do sexo dos integrantes eu queria acima de tudo afinidade, sinceridade, dedicação e qualidade.
A princípio, antes do meu projeto ser o Drosophila, tentei tocar guitarra com um amigo no baixo e teríamos uma garota como baterista. Uma formação bem inusitada. Não deu certo logo de cara. Depois, quando a Elaine apareceu na minha vida, chamei essa mesma amiga para tocar bateria na Drosophila. Mas ela não estava se esforçando muito, nem levando a coisa a sério, porque tinha outra banda. Então chamamos o Rods, que sempre foi "o grande músico da turma". Teríamos que tocar muito bem para não justificar comentários machistas e conseguir acabar na hora com a imagem de senso comum que define como "banda tosca" a maioria das bandas de meninas.
Sempre quis impressionar as pessoas. Ser subestimada só é ruim quando se confirma a falta de qualidade. Não tem coisa melhor do que fazer os outros morderem a língua.
Como é o Powerpop que o Drosophila faz?
Não somos uma banda de plástico com músicas-chiclete. Somos muito mais que isso. É rock feito com sinceridade e autenticidade. É muito gratificante ver que é por isso que as nossas músicas cativam as pessoas. Elas se identificam e se tornam "cúmplices" e não "vítimas" das canções quando elas ficam na cabeça.
Como foi a escolha do nome?
Antes de eu pensar em ter a minha banda, eu e Rods tínhamos uma pseudo-banda. Passávamos horas no pátio da escola pensando em nomes plausíveis para a banda. Tudo que era nome legal a gente anotava. Ouvi o nome científico da mosca-de-fruta numa aula de genética e gamei. Achei que não teria a ver com a banda que eu tinha com o Rods, então pensei: "Esse nome aí vai para a minha própria banda".
Vocês acharam na hora que o nome teria algo a ver com o som ou foi só um nome interessante?
Foi só um nome interessante. Demorou um bom tempo até que a banda em si viesse a existir. Eu queria reservar um nome legal para quando eu tivesse a minha banda. É como fazer o registro de um domínio na internet sem ter o site pronto. Quando eu cheguei com o nome pronto ninguém fez objeções.
Até bem pouco tempo, antes de ouvir vocês, eu achava que seria uma banda de riottgrrls ou de HC. O nome Drosophila chegou a confundir alguém ou as pessoas acharam que pelo nome vocês faziam outro tipo de som?
Não faço idéia. Não mesmo. Agora fiquei curiosa. Na verdade é meio nerd uma banda com nome científico de mosca. É um nominho complicado, porém sonoro. Vou fazer uma enquete: "O que passou por sua cabeça quando ouviu o nome Drosophila?"(hehe). Mas é fato que na maioria das vezes quando ficamos sabendo que se trata de uma banda com mulheres, passam pela cabeça sempre os estereótipos, os clichês... Eu quero fugir de todos eles.
Eu vejo que em muitas vezes as mulheres roqueiras tendem a se afirmar como garotas duronas para tentar espantar o machismo alheio, mas acabam gerando outros tipos de preconceito. Eu gosto de espontaneidade, tento não me esconder atrás de estereótipos. Gostosona com guitarra, feminista radical discursista, garotinha fofiz cor-de-rosa, garotona "de atitude", roqueirona insana e outros personagens... tudo isso não é a minha praia.
Rockstar não precisa ser que nem super-heróis que por trás dos grandes poderes escondem uma personalidade fraca e vulnerável. Eu não preciso de identidade secreta e nem de capa e máscara. Confio na minha naturalidade pra ser band leader. Não deixo de ter carisma por ser natural.
Vocês acabam depois de um tempo pensando em fazer músicas mais ou menos fofinhas pra evitar um pouco os rótulos que poderiam cair sobre a banda?
Vou assumir publicamente que eu ODEIO o termo "fofinho". Fico pra morrer quando dizem que "Drosophila é rock fofinho". Soa extremamente pejorativo aos meus ouvidos. Parece coisa bobinha, sem graça, infantilóide que não se leva a sério. Me sinto mal interpretada. Eu ando realmente querendo fugir ao máximo do fofinho. Acontece que mesmo se tiver um instrumental de trash metal por trás da minha voz, vai ficar inevitavelmente "fofinho", acho que eu não escapo dessa (hehe).
Eu não sou fofinha, mas eu também não sou roqueirona do mal, será que alguém por aí já ouviu falar em meio termo? Chega de extremos. Eu sou a favor do equilíbrio das coisas. Nosso show já está notavelmente mais pesado. A segunda guitarra do André caiu como uma luva nesse momento de "perda da inocência". Nós somos muito mais dinâmicos e eletrizantes do que um simples "fofinho" sem sal. Chegamos bem no ponto que eu queria, nem bonitinho demais, nem bonitinho de menos. "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás".
A música pop pode existir sem refrão ou tudo depende dele? E nas músicas do Drosophila, qual a importância do refrão? Como você pensa neles pras músicas?
Só comecei a pensar em refrões há pouco tempo, quando me chamaram a atenção para o fato de que a maioria das músicas do primeiro CD não tem refrões bem definidos. Eu jurava que elas tinham refrões, mas nunca tinha parado pra pensar nisso. Não sei se ligo para refrões. Prefiro fazer uma música inteira memorável do que uma em que só o refrão importe. Não planejo muito as músicas que eu faço, elas acontecem e cada uma tem um rumo diferente. Ultimamente as minhas músicas tem saído com refrões, mas acho que a música pop não depende deles. O legal é fazer música cativante, que não passe batido.
Como foram as gravações do primeiro CD? O resultado agradou a vocês?
Gravamos o primeiro disco em 2002. Já tocávamos as músicas há muito tempo, já tínhamos até gravado algumas na demo em inglês um ano antes. Eu não estava inteiramente satisfeita com as adaptações das letras para o português, nem inteiramente convencida de que eu era capaz de escrever boas letras na minha língua-mãe. Não é um disco ruim, mas o novo dá de dez a zero nele (hehe).
Vocês tem alguma idéia de como foi a repercussão desse disco? Ele ainda circula por aí?
A repercussão foi melhor do que a gente pensava. Imagine que gravamos o disco, colocamos alguns MP3 no Trama Virtual e cruzamos os braços. Foi o boca-a-boca o nosso grande meio de divulgação. Isso prova que as pessoas gostaram, e muito. Também prova que se, mesmo sem selo, contatos, meios de divulgação, nem dinheiro conseguimos um resultado notável, imagine se divulgarmos nosso trabalho como se deve? Agora sim teremos todo o amparo de divulgação que precisávamos. Nosso disco sai agora em dezembro pelo selo Trombador Discos e em janeiro nas lojas com distribuição da Tratore. O primeiro disco ainda tem cópias em CD-R que vendemos nos shows e através da internet.
Pastilha Efervescente foi gravado quando? Porque só agora está sendo lançado?
Foi gravado em julho de 2004. Só está sendo lançado agora por pura falta de grana. Pensamos que era um disco bom demais para ser lançado de qualquer jeito em CD-R, sem divulgação nem nada e ficar esquecido e mofado na história do rock independente. Estávamos rezando para sermos apadrinhados por alguém ou por algum selo. Deus abençoe a Trombador Discos.
Quais as principais diferenças deste disco com relação ao primeiro?
O primeiro disco é um disco adolescente. Quase todas as músicas foram escritas quando eu tinha entre 16 e 17 anos. Temática adolescente, vivência adolescente, mas pode ter certeza que eu nunca iria ficar presa a esse universo para sempre. O segundo disco retrata outra fase. Nós amadurecemos e foi literalmente. E sei que o próximo disco também vai ser diferente desse. O clima do Pastilha Efervescente já não é mais tão ingênuo, é bem cheio de conflito. Penso eu que a chegada da vida adulta foi mil vezes mais dolorosa para mim que a adolescência. Rendeu muito pano pra manga. Os arranjos estão maravilhosos, as músicas são extremamente marcantes e as letras estão finalmente boas. Agora sim eu estou 100% segura para escrever em português. As letras do primeiro disco deixavam muito a desejar por causa do lance de adaptação de uma língua para a outra.
Você tem medo de que a banda possa se desvirtuar depois de algum tempo e comece a decepcionar o pessoal que acompanha vocês desde o começo?
Claro que tenho. E tenho certeza de que todos os músicos têm o medo mais íntimo de que isso aconteça, mesmo que neguem. No fundo sempre resta a dúvida. O futuro é incerto em todas as áreas da vida e bandas não fogem à regra. Mas esse negócio de desvirtuar é muito relativo. Se você estiver se referindo ao boicote do público independente quando virarmos mainstream, pode ter certeza de que eu não ligo. Sempre tem alguém pra dizer que "ficou POP demais, se venderam" com direito a cara de blasé e tudo. Eu tenho medo é de fazer um disco ruim, de passar por uma fase de falta de criatividade crônica, de secar a fonte e eu ter investido todas as minhas energias na banda à toa.
Aliás, como vocês trabalham para se sobressair nesse meio musical brasileiro?
Até agora não pudemos fazer nada. É difícil aparecer. Até no mundo independente. Sempre rola pistolão, indicação, etc e nós não temos muitos canais. Não somos nenhuma febre indie por falta de divulgação até mesmo nesse meio, afinal, nada cai do céu. Tudo se conquista com tempo e muito trabalho. Agora estamos dispostos a trabalhar e muito para isso. Quem nos conhece gosta muito. Mas até agora só conseguimos ser um dejavù tipo "Ah, já ouvi falar". Como já disse, lançamos o primeiro disco e cruzamos os braços. Todo mundo estava tendo que cuidar da própria sobrevivência e não tínhamos ninguém pra nos ajudar cuidando disso. Foi a Internet mesmo, o boca-a-boca que nos trouxe muitos fãs fiéis.
Até agora qual foi o melhor momento que vocês tiveram como banda?
Acho que foi tocar em Belém do Pará e sermos bem tratados. Não é em todo lugar que tratam uma banda independente sem parecer que estão fazendo um favor em "abrir espaço". Foi lindo e surpreendente ir para tão longe e ver um público volumoso e empolgado com a nossa música. A gente sentiu o gostinho de como é viajar para tocar. Nessa horas que pensamos como seria bom viver disso.
Pra finalizar, como você gostaria que as pessoas começassem a conhecer o Drosophila?
Gostaria que fôssemos acessíveis, no sentido literal da palavra. Queremos que todos tenham infinitas oportunidades de ouvir nosso trabalho. O clássico lugar ao sol. Já vimos o poder do boca-a-boca numa situação de total inércia. Imagine com um empurrãozinho? Quero que o "Olha que banda legal essa que eu ouvi" se eleve a milésima potência.
Drosóphila:
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