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Goiânia Noise 2005: O que eles disseram
Jarmeson de Lima | Foto: Zumbi do Mato | em 12.12.2005
Infelizmente ainda não foi dessa vez que o Coquetel Molotov foi para a capital de Goiás para conferir o tão bem falado e sempre interessante festival Goiânia Noise, promovido pela Monstro Discos. A cada ano, bandas de diversos estados se dirigem para a região centro-oeste do país para tocar no evento. Pensando nisso, fizemos alguns contatos e procuramos montar um pequeno time de colaboradores especiais para nos contar como foi a edição 2005 do Goiânia Noise.
Até porque além dos shows, rolaram encontros entre produtores de festivais, selos e bandas para procurar soluções dentro do mercado nacional, no que se refere à viabilização de festivais de bandas independentes. Pois bem, logo abaixo vocês conferem o que Anderson Foca (Allface / RN), Rodrigo Lariú (midsummer madness / RJ), Marcelo Domingues (Festival Demo Sul / PR) e Juliano Ribeiro (Parafusa / PE) falaram do Goiânia Noise 2005.
"O que esperar de um festival com 48 bandas em três dias? Fomos pra Goiânia sem saber o que nos esperava"
Gostei muito do que vi em Goiânia. O povo prima pela qualidade mesmo. Tanto que o tamanho do lugar dos shows não é muito grande e tal. Pro Allface foi uma honra tocar num festival renomado como o Goiânia Noise e fazer parte da história do evento. No geral gostei do MQN, Forgotten Boys, Ludovic, Trissônicos, Parafusa, entre outros. A Monstro e a cena goiana no geral estão de parabéns!
Anderson Foca (Allface / RN)
Eu quase não shows pois fiquei mais na banquinha de CDs. Dos poucos que vi, gostei bastante do Beto Só e do ReVoltz. O Goiânia Noise foi bacana como sempre. O público está um pouco mais jovem, mas isso é importante também, mostrando que está havendo renovação.
As palestras também foram boas. Um público pequeno mais interessado. Dos "estrangeiros" presentes, me impressionei com o pessoal de Cuiabá, do Espaço Cubo, e com o pessoal do Acre, da Catraia Records/Festival Varadouro. Eles têm uma visão política do movimento independente/ alternativo que eu acho que é o melhor caminho a ser seguido daqui pra frente.
Quanto a fundação da ABRAFIN - Associação Brasileira de Festivais Independentes - ainda estamos redigindo estatuto e definindo primeiros movimentos. Dos 12 festivais
presentes, todos fizeram colocações pertinentes. Acho que a ABRAFIN tem um ótimo e democrático futuro.
Rodrigo Lariú (midsummer madness / RJ)
Vamos por p a r t e s.
Bandas que mais se destacaram na minha opinião: La pupuña (PA), Rolling Chamas (GO), Macaco Bong (MT), Eddie (PE), Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (BA) e Zumbi do Mato (RJ).
Apesar de pouco tempo, o encontro foi produtivo. Realizamos a criação da ABRAFIN que poderá solucionar ou melhorar vários problemas relacionados ao mercado independente de bandas e festivais do país. Vimos também que a maioria dessas dificuldades são comuns para todos os produtores, e através da criação da ABRAFIN poderemos buscar soluções em conjunto, buscando meios de incentivos seja privado ou governamental, além de fortalecemos o mercado em todo
o território nacional através de discussões que beneficiem a este foco. Ainda acho que
muitas idéias, sugestões e assuntos vão aparecer para serem discutidas, mas esse encontro já foi um grande passo.
Marcelo Domingues (Festival Demo Sul / PR)
Ótimas bandas, ótimo público
O que esperar de um festival com 48 bandas em três dias? Fomos pra Goiânia sem saber o que nos esperava. Na verdade, os caras do Superoutro já tinham comentado muito bem sobre o festival e como o público recebe bem as bandas de fora. Mas chegando lá é que você vê como é a parada.
Fomos escalados pro primeiro dia do festival. Foi o dia de maior público do evento, com mais de 1000 pessoas espalhadas pelo Centro Cultural Martin Cererê. O lugar é muito astral. Dois teatros fechados, climatizados, instalados dentro de antigas caixas d'água desativadas. Os shows tem duração de 30 minutos pra todo mundo e durante o show em um teatro o outro fica fechado pra passagem de som da outra banda, o que faz com que os shows sempre lotem.
Fizemos um show muito bom, do jeito que tínhamos planejado. Foram cinco músicas do "Meio-dia na Rua da Harmonia" e duas músicas novas. Ficamos bem surpresos com a recepção do público. As pessoas assistiram o show colados no palco e aplaudiram muito em todas as músicas. Soube que o som estava muito bom e os comentários pós-show só nos fizeram ficar ainda mais felizes.
Ficamos na cidade os outros dois dias pra assistir ao festival e ver algumas bandas ao vivo que só conhecíamos por discos e mp3. Na sexta, destaco os shows de Macaco Bong, de Cuiabá, com seu rock instrumental muito bem apresentado ao vivo. No sábado, curti muito o show instigado da Revoltz, também do Mato Grosso. Tava querendo ver o Violins (GO) e foi realmente um show caprichado, os caras são muito bons ao vivo também. Enquanto a gente esperava pelo início do Violins, o Zumbi do Mato (RJ) fez o show mais bizarro e divertido da noite com suas "canções" no-sense. Não acreditava que aquilo pudesse funcionar ao vivo. Realmente não funciona, mas acho que a graça é essa.
O último dia foi o mais pauleira do festival mas, pra mim, fica o destaque para os shows dos baianos do Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta e o show foda do La Pupuña, do Pará. E apesar de não curtir o tipo de som, devo reconhecer a força que o Rollin' Chamas tem na cidade e fez a galera enlouquecer. Mas força mesmo teve o Eddie pra fazer a galera dançar do começo ao fim logo após o show dos goianos. Um show digno de aplausos e gritos calorosos, o que pra mim não foi tanta surpresa.
Juliano Ribeiro (Parafusa / PE)
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