Top 20: Sandro Garcia
Sandro Garcia em 16.01.2006
Foi realmente difícil fazer este Top 20. Vários discos ficaram de fora: álbuns do The Jam como Sound Affects; alguns da primeira leva do punk como o primeiro do The Clash, The Stranglers, Buzzcocks; o pós punk da Siouxsie and the Banshees como o disco Hyaena; Ocean Rain do Echo & the Bunnymen; Smiths com Hatful of Hollow; Galaxie 500 com This Is Our Music; os álbuns do Luna, principalmente o Penthouse; Teenage Fanclub; Pete Towshend, a série com suas demo tapes chamada Scoop; os nacionais Violeta de Outono; o primeiro do Ira!; as demos do Plato Divorak e o disco de sua extinta banda, a Lovecraft. Enfim, em meu Top 20 acabaram prevalecendo bandas e artistas dos anos 60, afinal, foram estas as bandas que mais ouvi. E foram elas, que em sua maioria, serviram e ainda servem de inspiração para os meus trabalhos.
Sam Cooke
Live at Harlem Square Club, 1963 (RCA)
Sam Cooke é um dos melhores cantores de soul music de todos os tempos. Este disco ao vivo mostra suas interpretações arrebatadoras, seja em baladas ou faixas mais energéticas, atingindo uma completa interação com o público. Este álbum foi um presente do meu pai, no início dos 90. Na época, eu estava passando por um período de "vacas magras", e ele acabou me fazendo esta boa ação.
V.A.
Atlantic Rhythm and Blues 1947-1974 Vol. 5 (1962-1966) (Atlantic)
Esta coleção tem sete volumes que dão um panorama bem amplo do R&B e soul americano, traz artistas da Stax de Memphis e também da Atlantic. Este volume da coleção é o que mais ouvi. Esta coleção serviu de inspiração para montarmos o The Charts em 90. O nome da banda, aliás, foi tirado do encarte do disco, onde a palavra charts estava presente em vários lugares.
The Byrds
Fifth Dimension (Columbia/Legacy)
Colocaria todos os discos do Byrds nesta lista, mas foi esse que acabou entrando pela característica pioneira. É nele que se encontra "Eight Miles High", música que na época foi censurada por acharem que a banda fazia alusões a drogas, isso entre 65 e 66.
Buffalo Springfield
Buffalo Springfield Again (Atco)
O grupo deixou em sua trajetória relâmpago três ótimos discos. O repertório destes álbuns é um caso de polícia de tão bom. Fico com esse de 67 por pura necessidade de escolher um
"Sou um velho fã destes arruaceiros ingleses, seja a banda na fase mod, ou hard, hippie ou pop, não tenho preconceitos"Jefferson Airplane
Surrealistic Pillow (RCA)
Figuras emblemáticas do folk-rock psicodélico de São Francisco, o Jefferson Airplane juntou músicos inacreditáveis que davam sustentação ideal às belas vocalizações de Marty Balin e Grace Slick. Uma obra prima que traz faixas idem, como "Today", "Embryonic Journey" e "White Rabbit".
Love
Forever Changes (Elektra)
Outro disco que traz esta atmosfera de folk-rock e psicodelia, considerado por todos como a obra-prima da banda. Para mim, esta opinião também prevalece. Arthur Lee, um dos primeiros hippies negros de Los Angeles, conduziu seus companheiros de banda rumo a uma ousada obra musical e foram iluminados quando gravaram este disco.
The Millenium
Begin (Columbia)
Relativamente desconhecido, Begin foi o disco que agrupou músicos e produtores, formando um super-grupo de rock-barroco-psicodélico (nele estavam ex-integrantes de bandas como Music Machine e Association e o produtor Curt Boettcher). A idéia que permeava a época, de fazer discos conceituais, também atingiu a banda, só que aqui a preocupação foi também voltada à qualidade de gravação das obras-primas que o grupo compôs, e o resultado está em Begin, um álbum que é capaz de fazer as produções de George Martin com os Beatles parecerem simples demo-tapes.
Beach Boys
Pet Sounds (Capitol)
Pet Sounds já é tão comentado pelo planeta afora que quase ficou de fora da lista... Brincadeirinha!!!
The Creation
Making Time (Edsel)
Biff, Bang, Pow (Retroactive)
A obra deste super-grupo mod inglês (dos anos 60) é outro caso que me chama atenção pela qualidade das composições e também da gravação. Várias faixas da banda poderiam estar nos discos do Ride nos anos 90 ou até nos atuais do Oasis. O Creation desenvolveu uma linguagem ultramoderna em suas composições. Pete Townshend, do Who, fez parte do fã-clube da banda... não é brincadeira!
The Action
Ultimate Action (Edsel)
Eu conheci a banda no início dos anos 90, através de um amigo, o Sérgio Barbo (que discoteca no Matrix e é um grande conhecedor de bandas sixties). Ele me emprestou o LP dos caras e me lembro que fiquei ouvindo a banda mês após mês. Suas composições com pitadas de soul e Pop Art refletiram com exatidão perfeita o clima mod da Inglaterra. A edição que tenho em casa é a versão em CD deste disco em vinil que foi lançado pela gravadora Edsel nos anos 80 e que trazia um texto na contracapa feito por Mr. Paul Weller. Reggie King, o vocalista, era tido como um dos melhores cantores "brancos" de soul da Inglaterra ao lado de Steve Marriot.
Small Faces
Small Faces (Deram)
O primeiro álbum dessa explosiva banda mod inglesa traz músicas de deixar qualquer um fora de si: "Shake", "You'd Better Believe It", "Sorry She's Mine", "Sha-La-La-La-Lee" e " Whatcha Gonna Do About It". Um instrumental coeso somado aos insuperáveis vocais do franzino Steve Marriot.
The Who
The Who Sell Out (MCA)
Esta é outra banda que eu incluiria todos os discos na lista. Sou um velho fã destes arruaceiros ingleses, seja a banda na fase mod, ou hard, hippie ou pop, não tenho preconceitos. Na minha adolescência, quando ouvia o disco em um walkman pelas ruas da cidade, as músicas me transportavam até a Inglaterra. Por que somos tão imaginativos quando temos 15 anos?
The Easybeats
Friday on My Mind (Repertoire)
Este grupo australiano acabou indo para a Inglaterra e lá, sob a produção de Shel Talmy (Kinks e Who), gravaram, entre vários discos, este de 67, um feliz casamento de um ótimo produtor com músicos excelentes e criativos. A banda criou um som super pessoal cheio de frases de guitarras que acompanham os backing vocals. A música "Friday on My Mind" foi gravada pelo Bowie no álbum Pinups e um dos compositores da banda, o guitarrista George Young, é irmão mais velho de Angus e Malcolm Young do AC/DC.
The Kinks
Something Else by the Kinks (Reprise)
Fiz recentemente no meu blog um texto falando dos Kinks. Contei um pouco da história e também falei como conheci os discos através do William - um cara muito bacana, mais velho que eu, e que tinha uma loja de discos na praça do Patriarca no Centro velho de Sampa. Comecei de traz pra frente, ou seja, ele me apresentou (ou melhor, vendeu) vários álbuns da década de 70 e 80, e depois fui até os discos clássicos dos 60. Neste mesmo texto, confesso que tive uma fase Kinkmaníaca. É, sem dúvida, a banda que mais tenho discos. Gosto de todos com algumas exceções de álbuns dos oitenta. O meu preferido de sempre é o Something Else.
The Beatles
Revolver (Capitol)
Não há como deixá-los de fora de uma lista de prediletos. Curto vários discos deles como o Rubber Soul, onde começam a explorar uma sonoridade mais psicodélica e folk, mas o Revolver é o meu disco de cabeceira dos rapazes de Liverpool.
Pink Floyd
The Piper at the Gates of Dawn (Capitol)
O mestre Syd Barret, pilotando a nave Pink Floyd, levou todos do furacão da Swinging London para o espaço sideral, e foi uma viagem colorida e surrealista. Fica difícil definir este disco sem "viajar" um pouquinho. Neste álbum, Syd Barret e a banda mostram-se exatos no equilíbrio entre o uso de drogas lisérgicas e a criatividade.
Yardbirds
Roger the Enginner (EMI/Columbia)
Os Yardbirds começaram com uma banda de R&B, na linha dos Stones e Animals. Eric Clapton, o primeiro guitarrista, queria manter o grupo nos esquemas de blues purista, mas não conseguiu e acabou deixando a banda, para, em seu lugar, entrar o experimentalismo de Jeff Beck. Neste disco, com as guitarras de Beck, a banda cruza suas bases do R&B com a psicodelia britânica. O resultado (em minha opinião) é o melhor disco do grupo e um dos meus discos prediletos de todos os tempos.
The Hollies
Evolution (Sundazed)
Os Hollies, para mim, são uma espécie de Byrds inglês. A banda traz um ótimo instrumental, vocais magníficos, além de composições inspiradas. Este disco é o meu preferido deles e, pelo que li no encarte do CD, é também o da banda. Com o fim do Hollies, o guitarrista Graham Nash acabou se juntando ao David Crosby, Stephen Stills e Neil Young e juntos formaram a Crosby, Stills, Nash e Young.
The Move|
The Move (Repertoire)
Oh não! Outra banda inglesa dos anos sessenta. Esta também não poderia ficar de fora da minha lista de preferidas. The Move acerta a mão neste disco que traz todo clima mod inglês com pitadas de pré-psicodelia. As composições e guitarras de Roy Wood são um espetáculo.
Caravan
Caravan (Verve)
Neste primeiro álbum, o Caravan representou como nunca o som de Canterbury (cidade de onde vieram outros grupos com sonoridade semelhante). É estranho tentar classificar o repertório deste álbum. Não é beat, pop, progressivo ou só psicodélico. Na verdade, há um pouco de tudo isso contribuindo para formar uma sonoridade única. O disco traz clássicos como "Place of My Own" e "Ride", que me serviu de inspiração para compor "Vítimas da Op-Art", gravada pelo Momento 68 no álbum Tecnologia.
* Matéria publicada originalmente na revista Coquetel Molotov #1