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Abril Pro Rock 2006 - 2ª noite
Diego Albuquerque | Foto: Leo Antunes/CircuitoPE.org | em 23.04.2006




A tradicional noite do barulho e das camisas pretas do Abril Pro Rock começou com atraso e pouco público. Quem fez o sacrifício de iniciar as atividades no palco dois foram as baianas da banda Lou. Eu digo sacrifício, pois normalmente a primeira banda da noite sofre com pouco público, que especialmente esse ano não aumentaria muito com o passar do tempo, e também pelo fato da banda ser desconhecida para maior parte do público.

Lou é um quinteto que apresenta à frente quatro meninas pequenas e barulhentas, duas guitarristas, uma baixista e a vocalista. Na batera aparece o único homem da banda. A vocalista entrou animando a gurizada presente em frente do palco dois, que foi bem receptiva, e as guitarristas demonstraram presença de palco. A banda faz um new metal com pontas de HC e a vocalista lembra a Pitty. Inevitável a comparação já que ambas são baianas, só que ela tem uns acessos de rebolado típicos de vocalistas de Axé! O som e o visual lembraram muito uma banda americana chamada kittie. Felizmente o vocal da kittie era bem melhor que a da Lou.

A primeira grande atração da noite adentra o palco um, o quarteto punk Forgotten Boys. O show teve inicio com BTD, instigando a roda de pogo com uma maior presença de público. Liderados por Chuck, show man poser da banda, figurinha clássica na MTV, vestido a caráter com sua blusa dos Ramones, eles começaram a seqüência de solos e guitarradas em meio a musicas tradicionalmente punks. A banda demonstra controle da situação no palco, mas às vezes perde o controle do público com o excesso de guitarras e a ausência do punk rock. Tocaram uma musica em português, Não vou ficar, mostrando a nova fase da banda que pretende ter mais acesso a MTV! Depois disso veio um já clássico da banda, pelo menos pra mim, Rock’n Roll Band, continuando com instigação total no palco. Eu poderia dizer que esperava mais da banda, mas eles conseguiram animar a meninada a maior parte do tempo. Em meio a poses e guitarradas, atitudes punks no palco e a animação do batera, que não abaixou o volume um segundo sequer do show, eles encerraram um show de 14 musicas sendo aplaudidos pelos que assistiam tudo em frente ao palco.

Eu já falei da MTV quando citei o Forgotten, mas uma banda que demonstrou um pouco da força “MTVistica” nos jovens de hoje em dia foi a Medulla, segunda atração do palco 2. A banda é a nova aposta da Sony BMG no cenário nacional e lançaram seu primeiro CD após quatro anos de gravação. Com um investimento desses, a banda começa a veicular facilmente nos meios de mídia do país, chamando uma maior atenção. A banda tem a frente os dois gêmeos de 18 anos, Keops e Raoni. O primeiro é mais introvertido, cantando e dançando a maior parte do tempo, já o segundo é o showman da banda que chama a galera pra participar e chega no palco demonstrando uma energia tradicional de garotos de sua idade. O ponto alto pra mim, foi a releitura de O velho, musica de Chico Buarque que ficou bem interessante. O ponto fraco do show foi o repetitivo discurso que o próprio Keops insistiu em deixar claro do prazer de tocar no APR, em “casa”, já que em meio ao sotaque carioca demonstrado pelos meninos, ele insiste em deixar claro o amor pelo nordeste e sua cidade natal, acabando o show com declarações de amor.


"Só após o fim do show do Cólera é que a noite teve início para os metaleiros da cidade do Recife, com a entrada no Palco da única representante pernambucana na noite de peso do APR: Terra Prima"


Nas palavras do meu amigo Gustavo Ilitch PunKdaria, deixo para vocês a descrição do melhor show que eu vi na noite de sábado. “Sem dúvida uma das maiores bandas de Punk Rock nacional e uma das maiores influências para as novas bandas do mesmo estilo. O Cólera, que completa 27 anos de existência em 2006, fez uma excepcional apresentação no Abril Pro Rock. Durante sua apresentação notava-se que a banda preferia dar mais atenção às músicas de seu novo CD (Deixe a Terra em Paz) tocando seus hits mais conhecidos. Mas a música mais aplaudida foi mesmo a faixa título do “Deixe a Terra em Paz”, que fala sobre o desmatamento na Amazônia, tendo em vista, que a ideologia do Cólera é exatamente essa, a de preservação da natureza e do pacifismo no mundo. O público, por sua vez, pedia os grandes clássicos da banda como Palpebrite, Medo, Subúrbio Geral, Missão Libertar etc, que quando executados, levaram a platéia ao delírio, pogando em uma grande roda punk. Redson (foto), vocalista e guitarrista da banda, por sua vez, entre uma música e outra, dava alguns discursos de força, conscientização ao público ali presente, no sentido de ‘acordar’, como o próprio disse, pra o que estamos fazendo e pra onde nosso mundo está caminhando, com tanta destruição, guerras e etc”.

A apresentação do Cólera terminou com uma de suas faixas clássicas “Pela Paz em Todo Mundo”, que assim como no CD de 20 anos, arrancou gritos e aplausos de todos que assistiram vidrados todo o espetáculo. Só após o fim do show do Cólera é que a noite teve início para os metaleiros da cidade do Recife, com a entrada no Palco da única representante pernambucana na noite de peso do APR: Terra Prima, banda de metal melódico liderada pelo vocalista Daniel Pinho. O primeiro ponto a ser ressaltado na apresentação da banda é a fidelidade dos fãs do metal para com o estilo e a banda. Várias pessoas só entraram no pavilhão do Centro de Convenções pouco antes do show deles, quando não então estavam se divertindo com os stands espalhados pelo pavilhão durante os shows das primeiras bandas.

Terra Prima foi a grata surpresa do APR para as pessoas que não conheciam a banda ou não curtiam o estilo proposto pela mesma. A sintonia entre os integrantes da banda e deles com o público foi essencial para o bom andamento do show. Em meio a solos de guitarras e teclado, vocais agudos característicos nas musicas como "A Time to Fly" do primeiro EP da banda. Eles fizeram covers de clássicos como "The Final Countdown" do antigo grupo Europe, seguida por "Breaking The Law", animando fãs do novo e do velho metal que começaram a ver com bons olhos os caras da banda. Mandaram mais uma musica própria "Life Carries On", cantada em coro pelos fãs da banda. E após seis musicas encerraram a sua apresentação com uma homenagem ao Rock n roll cantando o clássico "Rock n' Roll all night/God Gave Rock n' Roll to you" dos velhacos da banda Kiss. A banda saiu do palco bastante aplaudida e bem feliz com sua apresentação.

Encerrando a noite dos metaleiros de plantão, que elegem unicamente o sábado como dia para sair de casa e ir até o Abril Pro Rock, tivemos uma dupla realmente de peso, com a presença dos alemães do Atrocity e Leave’s Eyes, que no final das contas eram a mesma banda. Enquanto que no Atrocity, a bela Liv Kristine fazia os backing vocals para sustentar o peso da voz dos marmanjos, no Leave’s Eyes, ela toma à frente e a banda serve como apoio para emular um metal na linha do Nightwish. Dispensável agora é comentar sobre o show do Angra, que já fez diversos shows no Recife e que sempre atende às expectativas de seu público, uma vez que não há muitas surpresas em shows desse tipo além de solos estratosféricos de guitarra e gritos agudos que parecem romper os tímpanos e as caixas de som.