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Trancado Fora do The Love-In
Alistair Fitchett | Ilustração: Sineval Almeida em 17.06.2006



Uma amiga de um amigo meu recentemente anunciou que ela iria parar de organizar um dos Ladyfest. Eu acho uma ótima idéia, mas me fez pensar. Especificamente, me fez pensar que, enquanto um festival como o Ladyfest é bom porque vai apresentar uma oportunidade para artistas femininas mostrarem o seu trabalho, o festival continua sendo outro exemplo de eventos culturais que me excluem. Não de consumir, claro – como um homem eu sou mais que convidado para ir e assistir /comprar o trabalho – mas certamente de participar. E, enquanto excluir homem é parte do objetivo, tudo me faz sentir como um ‘outsider’ [estrangeiro] mais do que nunca.

Teve muita conversa na revista Careless Talk Costs Lives (revista inglesa) sobre Outsider Music, como a música - ou a atitude, se você preferir - promovida pelas bandas, escritores e artistas apresentados na revista eram daqueles estrangeiros permanentemente forçados a traçar um caminho solitário e, agora, rapidamente abrigados por uma asa. Foi bom. Eu gostei. Eu me senti um pouco mais em casa com a Careless Talk, e isso é uma coisa que, culturalmente falando, eu não havia sentido em muito tempo.

"Eu acho que não sou mais twee que eu sou uma mulher... Mas talvez eu esteja falando mais de mim do que eu percebo"

Eu me senti em casa no meio dos anos 90 por um tempo também, quando a internet era moderadamente ainda jovem e eu andava pelas listas de discussão.

Tinha a Indiepop List, baseada nos EUA, que realmente era seminal, e depois tinha a lista do Belle and Sebastian, chamado Sinister. Ambas eram grandes comunidades onde idéias interessantes e opiniões eram compartilhadas todos os dias. Ambas as listas me fizeram considerar como eu me encaixo nessa base cultural, fez-me definir o meu conhecimento de toda a experiência Pop. Oh, e eu fiz muitos amigos também. A Indiepop List organizava eventos. Eles eram chamados de Tweefests. O nome sempre me irritou um pouco porque parecia que as pessoas estavam olhando para trás e mal entendendo as estâncias do indiepop dos anos 80, pegando apenas a impressão mais óbvia, mas talvez, em retrospectiva, eles estavam apenas reinventando eles mesmos e criando a sua própria estância com partes do passado e do presente. Em retrospectiva, também, a idéia do Tweefest parece muito mais atrativa que outro Ladyfest, apenas porque pode ser algo do qual eu possa talvez sentir-me parte como um praticante do que apenas um consumidor.

Não que eu me considere twee. Eu acho que não sou mais twee que eu sou uma mulher... Mas talvez eu esteja falando mais de mim do que eu percebo. Mas pode ser um passo para a direção certa, para definir uma camada da base cultural em que eu irei me encaixar confortavelmente por um tempo.

Parece, pra mim, que se definir dentro de um quadro cultural é muito mais potencialmente produtivo que apenas aplicar as antigas distinções de sexo. Ou distinções sexuais se você preferir: Estereótipo sexual sendo um caso de percepção de uma outra pessoa muito mais que a sua no fim das contas. Eu nunca pensei sobre mim mesmo como um gay, ou bicha, e igualmente nunca senti a necessidade de me definir de acordo com a minha heterossexualidade. São outros que fizeram isso comigo: os meninos (e meninas) na escola e em bares e boates, mais tarde na vida, que batiam em mim por simplesmente não ser como eles esperavam que um menino devesse ser. Eles usavam palavras como magrelo, estranho e davam porradas no meu rosto. Eu sei que tive sorte de conseguir sair levemente da situação, mas mesmo assim...

Então, encontrar pessoas que compartilhem as mesmas experiências, talvez, que dividem amor pelos mesmos livros e filmes e discos e pensamentos e idéias, não importa a idade ou sexo ou inclinação sexual; ISSO é o que importa. Isso é o que faz nos sentirmos menos sozinhos, faz nos conectar com um mundo que no todo parece odiar cada fibra do nosso ser. Um mundo que nos odeia porque não somos homens o suficiente, não somos magros o suficiente, não somos bonitos o suficiente, não somos felizes o suficiente, não somos fortes o suficiente, não estamos nos curtindo o suficiente, não gastamos o suficiente... Um mundo que pensa que nós estamos além de nós mesmo e acima da nossa estação, porque não gostamos do lindo pop atual que a mídia acredita que devemos comprar, e, na verdade, pouco nos considera.

Então, eu quero um Festival para todas essas pessoas. Eu quero um Festival em que seja incluído o quanto possível de pessoas, porque elas são maravilhosas, porque elas fazem arte interessante e não porque elas por acaso são de um sexo ou de outro.

Eu só quero me sentir menos sozinho.