Cansei de Ser Sexy
Guga Azevedo em 30.09.2006
Calcinhas me mordam
Cansei de Ser Sexy em Curitiba
Ok, ok... Vocês já ouviram aquela do “que é sujo e pesado”? Não!?! O elefante que caiu na lama!!!! Sério! Sacaram... o “elefante”... caiu... na “lama”!!!!! Sujo e pesado!!!!
Mas vocês já ouviram aquela do “que é sujo e pesado”...?
É chato, eu sei. Mas essa mania brasileira de contar, recontar, ressuscitar e demais revivals com piadas sem graça, acabou invadindo o pseudo-indie-cenário-tupiniquim, e atende pelo nome de Cansei de Ser Sexy. E mesmo com o grande número de fãs, que cantavam, gritavam e ate choravam presentes na primeira apresentação do grupo em Curitiba, a impressão ainda era de uma piada hypada repetida, repetida e repetida.
"É dançante, a pegada é forte, mas somente pelas ótimas bases eletrônicas que guiam todo o show"Eles são carismáticos. A vocalista Lovefoxxx conversa com o público em quase todas as passagens de músicas. Se jogou na galera várias vezes, para a alegria de fãs que se acotovelavam no espremido espaço na frente do palco. Ela cuspiu neles, jogou água e cerveja, e eles adoraram. Comunidades destinadas a banda no Orkut, não me deixam mentir quanto a isso. Era um verdadeiro espetáculo. Com seus figurinos mais do que escandalosos, lançando tendências com botinhas de cowboy com purpurina dourada. Até uma calcinha foi parar no sistema de iluminação do palco. Sério, é um espetáculo. Vendo o palco um pouco de longe, observando cada atuação única das integrantes do grupo que compunham um inusitado cenário, dava a impressão que a qualquer momento o MTVesco Marcos Mion entraria no palco, carregando um cavalo-de-pau, e pediria para congelar a cena. Trazendo o falecido Piores Clipes do Mundo para um novo formato: ao vivo.
Ah sim, as músicas! Definitivamente Adriano Cintra é um ótimo músico. Além de compor as bases eletrônicas presentes em todo o show, ele varia entre guitarra, bateria e vocal. Também coloca ordem na bagunça, conduzindo as matreiras companheiras de banda. Confesso que me surpreendi com a apresentação deles ao vivo. É dançante, a pegada é forte, mas somente pelas ótimas bases eletrônicas que guiam todo o show. Vendo assim até parece que elas só fazem figuração no palco. Como se fosse colocado um videokê no meio de um desfile de moda. Mas justiça seja feita com as meninas, não é fácil tocar em cima de bases pré-programadas, e neste ponto a atuação delas esta bem ensaiada. É. Daí em diante foi uma avalanche de “superafins”, “bezzis”, “paris hiltons” e por ai vai.
No meio disso o CSS deixou de ser “um elefante que caiu na lama” (sem nenhuma alusão a excelente forma física de cada uma), para se tornar, quem sabe, uma piada de salão sobre pontinhos.
Porém seria injusto não reconhecer mais um pouco, o valor que a banda tem. Começaram mesmo como uma proposta escrachada em que um grupo de amigas e um músico, encontraram para tirar um sarro por ai, e se divertirem com suas músicas. E veio bem a calhar. O grupo não só despontou no Trama Virtual, como atraiu atenções da grande mídia para as bandas alternativas independentes do país. E convenhamos, nós precisávamos de um ícone hype nestes moldes. CSS assumiu isso e mudou alguns paradigmas entre a mídia, gravadoras, e novas bandas alternativas. Mas já deu né?!? A piada está sendo repetida demais, a sacadinha já ficou comum e previsível. Alguém ai sabe o que é um pontinho amarelo na estrada?
A apresentação do combo-fashion-paulistano fez parte da primeira edição do ano do projeto Digital Rock, realizado em Curitiba por André Sakr. Além delas, o festival contou com a apresentação do grupo ESS, com direito a discotecagens de Lucio Ribeiro e Rodrigo Gorky do Bonde do Role (apadrinhandos por ninguém menos que o produtor norte-americano Diplo).
*para quem não sabe a resposta da piada, é um Uno Milho.