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Feist ao vivo @ Sala Heineken / Madri
Palavras: Pedro Neves | Foto: Divulgação em 17.06.2008
O público já estava impaciente com os quase trinta minutos de atraso (estamos na Europa), mas bastou a silhueta de Feist aparecer atrás de uma tela branca para qualquer ressentimento com a cantora evaporar. Sim, a silhueta, porque um show de Feist fica no meio do caminho entre espetáculo musical e teatro de sombras. Com uma elaborada lamparina na mão, o espectro da canadense entoou improvisações com sua voz simultaneamente cristalina e etérea, para em seguida, tela branca removida e lamparina substituída por violão, engatar com "Mushaboom".
O clima mágico que se havia instalado na pequena casa de espetáculos não desapareceu com o hit, mas só fez aumentar à medida que o show avançava. No fundo do palco, discretas, duas mulheres criavam belíssimas projeções para o telão ao fundo em uma pequena mesa iluminada, usando elementos simples com galhos, argila e papéis coloridos para fornecer sombras que formavam casas, montanhas, pássaros, jóias, neve.
"O público acordou do sonho para o êxtase, com mais uma progressão de hits (beneficiados pela excelente banda e pela acústica da sala)"Simpática e engraçada, a cantora encorajou a participação da audiência, fez piadas e tentou fabricar frases num espanhol sofrível. Depois de uma sucessão das canções mais animadas, Feist perguntou se podia tentar uma mais calma. "¡Sí!", o público respondeu em coro. Era a fantasmagórica "Honey Honey", que, acompanhada pela projeção em argila de um oceano cada vez mais revolto, aos poucos foi enfeitiçando os espectadores até um estado de estupor.
Seguiu "Intuition", no mesmo clima etéreo da anterior, para terminar com um coro ensurdecedor de "did I, did I". O público acordou do sonho para o êxtase, com mais uma progressão de hits (beneficiados pela excelente banda e pela acústica da sala) que culminou no contagiante cover de Nina Simone "Sea-lion Woman", com a participação dos membros de Lawrence Arabia, a (ótima) banda que abriu o concerto.
Feist voltou para um bis com "Secret Heart" e "So Sorry" e ainda voltou mais uma vez, sozinha, para cantar ao violão uma canção do seu pianista, que ela jurou nunca haver tocado em público antes. Os aplausos fortes e a excitação que permaneceu no ar pareciam comprovar que havia um consenso entre os espectadores: a noite foi inesquecível.
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