Começou com um sábado no parque. São Paulo, fim de junho, clima de férias. Numa clareira em meio ao parque do Ibirapuera, luzes, texturas e barulhinhos coloridos chamavam a atenção. Durante o pôr do sol, os britânicos do The Go! Team
(foto) subiram ao palco e fizeram, se não o melhor, o show mais animado do Motomix.
A mistura de sexos, etnias, hip-hop, post-rock, funk dos anos 70 e coreografias de cheerleaders conquistou o público, que por um segundo não deixou de pular, dançar e cantar junto à vocalista Ninja o repertório do álbum “Proof of Youth”, lançado ano passado.
Então anoiteceu. Foi a hora do Metric entrar. A presença de Emily Haines, músicas antigas (destaque para “Dead Disco” e “Hustle Rose”, de 2003) e inéditas causaram cenas de histeria coletiva entre os presentes. Mas já era um cenário intimista, como se o encerramento do festival com o electro-rock mais sombrio e sintético dos canadenses anunciasse a chegada do inverno.
Inverno. O mês de julho foi marcado por festivais mais frios, menores e concentrados na cidade grande.
O Sesc trouxe o projeto semanal Groove 119 e abriu espaço para músicos e bandas que incorporam suingue e balanço, com raízes no soul. Black Rio, BNegão & os Seletores de Freqüência, Marku Ribas e Curumin marcaram as quintas-feiras com shows de muita dança, mas poucas luzes e poucas pessoas num auditório pequenino do Sesc Paulista.
No Studio SP, Conor Oberst e Stephanie Toth abriram o projeto Folk-se. Duas noites memoráveis de voz, violão, introspecção e aperto no coração.
Só agora o inverno começa a esquentar. Para quem quer desbravar o Brasil e o roquenrou, é hora.
Para este fim de semana, a previsão é de 30 graus e 42 bandas. Em Brasília, acontece a 11a edição do Porão do Rock, com seis atrações estrangeiras e grandes nomes do rock nacional. Muse (Inglaterra), Suicidal Tendencies (EUA), Papier Tigre (França), The Tandooris (Argentina), SickCity (Alemanha) e Kill Karma (Espanha) dividem os palcos com Mundo Livre S/A, Pitty, Mukeka di Rato, Madame Satan e Autoramas, tudo transmitido por mais de 150 rádios comunitárias de todo o Brasil.
Próxima parada é o calor de Cuiabá. O Festival Calango juntará 44 bandas de diversos gêneros em três dias de shows (8, 9 e 10 de agosto). Entre elas, Cabruêra, que está de volta ao Brasil depois de uma turnê internacional, Vanguart, Hurtmold, Do Amor e as duas bandas de Tatá Aeroplano, Jumbo Elektro e Cérebro Eletrônico.
No fim de semana seguinte, as novas tendências musicais se dividem em dois pólos. O Eletronika, em Belo Horizonte, apresentará fusões inusitadas como Fernanda Takai com Maki Nomiya (Pizzicatto Five) e Hurtmold com Paulo Santos (Uakti), enquanto o Mada, em Natal, comemorará 10 anos de intercâmbios culturais.
Para fechar a leva, 79 atrações e 80 shows nos palcos na Praia de Iracema, em Fortaleza, na sétima edição da Feira da Música. Um mês caliente, sem desculpas para quem estiver sentado à espera da primavera.