-
- A crise, ora, a crise...
- A maratona do MADA 2007
- Abril Pro Rock 2005
- Abril Pro Rock 2006 - 1ª noite
- Abril Pro Rock 2006 - 2ª noite
- Abril Pro Rock 2006 - 3ª noite
- Aretha Franklin
- Brasilintime
- Cabaret vivencia uma nova paixão
- Campari Rock: Cardigans e Gang of Four
- Cansei de Ser Sexy
- Carpark/Acute/Paw Tracks
- Claro que é rock? Claro que foi!
- Cobertura Tim Festival 2006 (RJ)
- Coletivo de músicos saúda o Rei do Baião
- Coquetel Molotov Independente 3: Cobertura
- Deu França no Eletronika
- Dia Mundial do Rock
- Diário de turnê: Autoramas
- Diário de turnê: José González
- Diário de turnê: Mirah
- Diário de turnê: Rádio de Outono
- Diário de turnê: Teenage Fanclub
- Diário de turnê: The Eternals
- Dirty Projectors
- Distorções de Porto Alegre
- Eastern Developments
- Editorial - Revista Nº 2
- Editorial - Revista Nº 3
- Embuás ao vivo
- Especial bandas "off-mangue"
- Feira de Encontros Musicais
- Feist ao vivo @ Sala Heineken / Madri
- Fóssil
- Girls Group
- Glastonbury, lama e música na TV
- Gogol Bordello
- Goiânia Noise 2005: O que eles disseram
- Goiânia Noise 2009 dá ao público o que ele quer
- Goiânia Noise Festival 2008
- Hora de quebrar o gelo
- Humaitá Pra Peixe 2008
- Já emprestou o seu equipamento?
- Javiera Mena
- Jukebox Invisível com Eduardo Ramos
- Jukebox Invisível com Fred 04
- Jukebox Invisível com Tomaz Alves
- Jukebox Invisível com Wander Wildner
- Juliana R: Canções poliglotas de uma cantora paulistana
- Kranky
- Lafayette e seus teclados de volta à ativa
- M.Takara e Chicago Underground Ao Vivo
- Madlib Ao Vivo
- Maionese 5: Uma noite de boas surpresas e de novas caras em Maceió
- Massacration Ao Vivo
- Melhores discos nacionais de 2009
- Memphis Industries
- Miudezas 1
- Miudezas 2
- Morra de medo com The Horrors!
- No Ar 2010: Primeiras atrações
- No Ar Coquetel Molotov 2006
- O Novo Metal
- O que é, afinal, ser indie?
- O que o público nordestino verá nos festivais deste semestre
- O Som da Jovem Suécia
- On the road com RdO e Volver
- Os estranguladores invadiram a minha casa
- Os melhores e piores momentos de 2005
- Os Mutantes - Ao vivo no aniversário de São Paulo
- Panorama Internacional de 2009
- PARADA DE SUCESSOS, ESSE ENIGMA DO MERCADO MODERNO
- Peligro Discos
- Planeta Terra 2008 e a redenção dos mega-festivais brasileiros
- Porto Musical e seu “long tail”
- Porto Musical: O debate presente entre o passado nostálgico e o futuro angustiante
- Qual é a coisa mais embaraçosa na sua coleção de discos?
- Quando eu quiser tocar, você não me toca,tá? Obrigado.
- Radiohead @ Rio de Janeiro (20/03/2009)
- Red Bull debatendo a música
- REM em São Paulo: Um jogo ganho aos poucos
- RETROSPECTIVA 2007: De A a Z
- Retrospectiva Coquetel Molotov @ 2006
- Retrospectiva: Coquetel Molotov @ 2008
- Rock Independente en Chile
- Se Rasgum: Diversidade marca festival em Belém
- Slick Boy e Sir Moog
- Técnicos de som
- The Shortwave Set
- Tim Festival - Rio de Janeiro
- Tim Festival - São Paulo
- Tim Festival 2006:
TV On The Radio

- TOP 10
- Top 20: Arthur Franquini
- Top 20: Kassin
- Top 20: Sandro Garcia
- Trancado Fora do The Love-In
- Um sábado no MADA
- Uma mensagem de Paul Leary (Butthole Surfers)
- Universo Barbis: uma análise semiótica
- Virada Cultural: Carnaval em São Paulo

Radiohead @ Rio de Janeiro (20/03/2009)
Palavras: Jarmeson de Lima / Foto: Mastrangelo Reino/Folha em 23.03.2009



Ao longo de mais de dez anos, os fãs brasileiros do Radiohead se depararam com boatos, promessas e a esperança de ver a banda ao vivo em solo nacional. Eis que no dia 20 de março de 2009, a espera chegou ao fim. Nesta data, lá estava eu no Rio de Janeiro, na praça da Apoteose para vê-los fechar a noite do Just a Fest, evento que reuniu os ingleses do Radiohead, os alemães Kraftwerk e os cariocas Los Hermanos.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
Chegando ao lugar do show, a poucos instantes após o início do primeiro show, a comoção pelo Los Hermanos parecia superar a animação do público local pela expectativa de ver o Kraftwerk e o Radiohead numa mesma noite. Acredito que apenas os fã (nático)s pela nova reunião de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba estavam eufóricos. A euforia, no entanto, não se traduzia ao vivo para quem estava vendo ali apenas um show de abertura. Os integrantes da banda aparentavam animação, riam bastante, mas tocavam sem a mesma empolgação de antes, quando já fizeram shows melhores.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
Indo agora ao que interessa, o Kraftwerk, meia hora após o encerramento dos hermanos, montou seu palco com quatro laptops hem pedestais. Após algumas leves batidas eletrônicas, Homens e máquinas começavam a interagir musicalmente. A partir do conceito de que a banda é semi-human, homens-máquinas e robôs, o show do Kraftwerk é um espetáculo visual à parte. Em meio a imagens anacrônicas em um telão moderno, a parte visual do show dos alemães "compensa" a não-performance de palco deles, que trajavam uniformes pretos e mexiam em seus computadores extraindo as bases e as vozes das clássicas "Radioactivity", "Autobahn", "The Model", "Trans-Europe Express" e "Musik Non Stop". Belo show para se guardar na memória, apesar da desinformação de boa parte do público, que esperava encontrar ali um batidão de psy-trance. Em certa hora, a ansiedade do público pelo Radiohead parecia tanta, que não se sabia mais se os aplausos eram pelo show do Kraftwerk ou pela expectativa do Radiohead entrar em cena.

"Como não se entusiasmar em um show em que tocam 'Airbag', 'Idioteque', 'Just', 'There There' e 'The National Anthem'? "

[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
Mas antes do Radiohead, a estrutura de palco merece um destaque à parte. Por mais que tenha visto grandes e memoráveis shows, nunca tinha visto um palco como o que foi montado para esta turnê do "In Rainbows". Dos pequenos aos grandes detalhes, o show seria irretocável mesmo se a banda só tivesse tocado b- sides. A utilização da luz e das cores em cada música evidencia climas e mensagens ao público de forma vibrante ou intimista. E o telão, dividido em cinco, com a ajuda de pequenas câmeras espalhadas pelo palco, mostrava detalhes da performance de cada um dos integrantes da banda. E com uma boa ajuda de luzes estroboscópicas e de tubos de luz que ficavam dependurados do teto, cada música recebia um tratamento especial que não se repetiam.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
Vamos ao show, que começa após a montagem do palco e a trilha sonora de uma seleção de dub e reggae, que a maioria das pessoas não entendia a ligação. Pelo menos dois fatos: Jonny Greenwood, fã de reggae, fez uma compilação em CD com pérolas do acervo da lendária gravadora jamaicana Trojan Records no ano passado. O Easy Star All-Stars, que produziu o cult "Dub Side of The Moon", lançou em 2007 o disco "Radiodread", com versões dub/reggae das músicas do "Ok Computer". "15 Step", do disco "quer pagar quanto?" "In Rainbows" abriu a inesquecível noite. Dali em diante, a banda destilou hits e o repertório inteiro de seu mais recente disco.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
E para quem imaginava que um show da banda de Thom Yorke, Ed O'Brian, Colin Greenwood, Jonny Greenwood e Phil Selway seria melancólico... estes ficaram de queixo caído. Como não se entusiasmar em um show em que tocam "Airbag", "Idioteque", "Just", "There There" e "The National Anthem"? Esta última com a parafernália visual de luzes, cores e imagens se alternando e funcionando a todo vapor, com direito a uma breve introdução de uma transmissão de uma emissora FM carioca. As baladas, claro, não poderiam ficar de fora de uma apresentação histórica como esta, trazendo no setlist as belíssimas "No Surprises", "All I Need", "How to disapear completely", "Street Spirit (Fade Out)" e "Karma Police", tendo seus versos repetidos mesmo após seu final, incentivando Thom Yorke a voltar e instigar a galera a cantar o refrão mais um pouco.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov


E como os shows do Radiohead tem mais dois momentos de bis, que fazem valer a pena cada centavo investido, o grupo volta após uma gigantesca ovação, trazendo "Paranoid Android", "You And Whose Army?", em um momento de interação olho-no-olho entre público e banda, mediado pelo telão. E após mais outras grandes comoções, o Radiohead começa a se despedir, após Ed e Thom terem pronunciado por vários momentos a palavra "obrigado" com sorrisos estampados nos rostos. E quando a banda ameaça sair do palco e vemos as coisas começarem a ser desmontadas, o grupo retorna e explode o local com "Creep", seu primeiro e maior hit, em uma verdadeira apoteose de emoções.
[Ctrl+c / Ctrl+v] Fonte: Coquetel Molotov
Terminados os acordes de "Creep", resta-nos agora as lembranças e um certo vazio ao saber que momentos como este são para guardar na memória num lugar perto dos melhores dias de sua vida. Em pleno sambódromo, o Radiohead tirou NOTA 10 em todas as categorias. Parabéns, Radiohead!