No ano passado, o selo Discobertas, do produtor e pesquisador Marcelo
Fróes, lançou uma ousada compilação de discos com releituras de faixas
do "White Album" dos Beatles exclusivamente com músicos brasileiros. O
projeto foi dividido em três volumes trazendo grandes nomes da música
nacional e uma série de bandas independentes e projetos musicais
formados especialmente para o disco.
Com a boa repercussão do projeto, o produtor resolveu lançar mais uma
trilogia inspirada em mais um álbum do quarteto de Liverpool. Com
lançamento previsto nas lojas para este mês, o selo apresenta três
volumes que homenageam o belo "Abbey Road", que completa seus 40 anos
de vida. Apesar de seus altos e baixos, na seleção irregular de
artistas convidados, este é um projeto que merece ser ouvido com
atenção.
A trilogia nacional do "Abbey Road" se inicia com "Beatles'69 - Vol. 1
- Get Back" que traz músicas gravadas pelos Beatles em 1969, mas que
foram lançadas só posteriormente ou em singles naquele ano. Neste
volume, participam artistas tão diferentes entre si como as nuances
melódicas do quarteto inglês. É possível tanto ouvir "Dig it" com o
Astronauta Pinguim ou "Let It Be" na voz de Ivan Lins ou ainda "Paul’s
Piano Intro", na interpretação de Vitor Araújo.
"Beatles'69 - Vol. 2 - O outro lado da Abbey Road", assim como o
segundo disco da trilogia do ano passado, traz um grande elenco de
artistas da cena independente atual. As interpretações vão para
músicas que fazem parte do repertório da banda nesta época e outras
que nunca foram gravadas oficialmente, incluindo também versões para
músicas de John Lennon e Paul McCartney. Neste volume estão presentes
artistas conehcidos como Mallu Magalhães, Zé Ramalho, Kleiton & Kledir
e bandas independentes como Surfadelica, Säomer Zwadomit e Fuzzcas.
O terceiro volume da série traz uma reconstituição do clássico álbum
faixa a faixa. Em "Beatles'69 - Vol. 3 - Abbey Road Revisited", outros
artistas nacionais se encarregam de dar nova roupagem a imortais
canções como "Here Comes the Sun", aqui na voz de Joyce ou "Maxwell’s
Silver Hammer", que ficou sob a responsabilidade da Profiterolis. Mas
o grande destaque do disco fica por conta do dueto virtual inédito
entre Elis Regina e Milton Nascimento. Utilizando uma antiga gravação
feita pela cantora nos anos 70, para "Golden Slumbers" / "Carry That
Weight" / "The End", Milton empresta sua voz para concretizar um sonho
de muitos fãs ao ver sua voz ao lado de Elis no medley que encerra o
disco original de 1969.