Artista: Tony da Gatorra
Album: Só Protesto
Gravadora: Peligro Discos
Bruno Ramos em 18.02.2006

Acho que nunca pediram para que o advogado de um artista escrevesse a resenha do disco de seu “cliente”. Então, por favor, não reclamem se essa resenha não disser o que normalmente se espera de uma. Tony da Gatorra faz parte de um movimento que não se autodenomina “Braz-ill” (a nomenclatura é criação de um amigo meu). Chega de música polida! Chega de música que traz conforto! Chega de estéticas já conhecidas! Esses seriam os motes desse movimento que não se autodenomina “Braz-ill”. Tony da Gatorra causa transtorno em quem escuta suas músicas. O transtorno vem dos timbres que saltam de seu instrumento, a gatorra. Essa bateria eletrônica amalgamada com um sintetizador em forma de guitarra é o símbolo de sua singularidade e inventividade: seu Antonio, 54 anos, construiu um instrumento para falar, para se expressar, para protestar! O transtorno vem de suas letras (você nunca escutou alguém ser tão franco e verdadeiro em toda sua vida!).

"Quer seja no Fórum Social Mundial, quer seja na Esquina Democrática de Porto Alegre, no Milo, no festival No Ar Coquetel"

Tony canta letras de protesto contra a fome, a desigualdade social, enfim, o capitalismo! Seu ritmo é irregular, errante, ébrio, pois acompanha a emoção de suas letras, que ele sente na pele todos os dias. A vida em Esteio (RS) é difícil. Mal dá para viver do conserto de televisores, videocassetes e aparelhos de som. Mas Tony segue cantando. Quer seja no Fórum Social Mundial, quer seja na Esquina Democrática de Porto Alegre, no Milo, no festival No Ar Coquetel Molotov 2006, Tony quer protestar! Suas músicas são compostas por sons de uma caixa, de um bumbo e de um prato, além dos solos em que tudo se mistura. Cada letra ganha um tipo de batida diferente. Em “Assassino”, Tony canta sua ira contra a violência que corrompe o Brasil. “Droga Fatal” aborda a droga produzida pelo governo e que mais mata os brasileiros: a fome. “Meu nome é Tony” (um hit por natureza), que narra a epopéia de Tony, do impulso inicial de construir a gatorra até o dia em que a OMB o proibiu de se apresentar em um festival em São Paulo (Tony obteve uma sentença que declara que ele não é obrigado a se vincular à OMB) não está no disco (fica para o próximo, previsto para o início de 2006), mas é a promessa de que o protesto está apenas começando.